terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Recato


     Namorar é bom, em qualquer parte do mundo, seja qual for o contexto cultural ou a crença, namorar é bom, eu já disse isso e continuarei dizendo enquanto tiver forças, pos uma coisa que não é boa não viria sendo feita de geração em geração desde os primórdios da convivência comunitária da espécie por livre e espontânea vontade, e em algumas vezes até contra a vontade de influências superiores da sociedade. Se não fosse bom, nós não estaríamos aqui agora, nem eu escrevendo e nem você lendo, mas se estamos, foi porque um homem e uma mulher em algum momento da história, namoraram. Mas como todas as coisas boas que existem no mundo o namoro também possui um local e um tempo apropriados. E existem situações que devem ser evitadas.
     As refeições tem momentos no dia para serem realizadas e se possível em locais higienizados adequadamente, não se estuda álgebra em meio a um baile funk na madrugada e não se tira um cochilo no meio de uma partida de futebol quando se é o goleiro. Seguindo essa linha de raciocínio, imaginasse que quando se namora, um namoro compromissado e com propósito (não apenas uma troca de carícias que busca satisfazer os próprios desejos carnais e posteriormente dispensar o outro como um objeto descartável que já cumpriu seu objetivo), existem pré requisitos a serem considerados já que algumas vezes carinhos que são simples demonstrações de afeto se confundem com carícias que são comportamentos reservados para casais que já contraíram o matrimônio.
      Nos ultimos tempos nossos casais têm se mostrado excessivamente à vontade em público para exercer comportamentos que beiram a pornografia, já fui surpreendido ao ver em praças públicas seres quiméricos em uma fusão que tornava impossível descobrir onde um começava e o outro terminava. Mãos em coisas, coisas em mãos, movimentos pélvicos e respirações ofegantes. Esses não são comportamentos que uma pessoa que se reconhece como templo do Espírito Santo teria em público, e isso independente de ser ou não casado com a outra pessoa.
     Certa vez uma família estava no carro, os pais sentados na frente, e a grande prole atrás. Quando estavam parados num farol vermelho, uma das crianças apontou para uma cena que atraíra sua atenção. Ao lado do carro, na calçada, estava um casal jovem engajado numa demonstração pública de afeição. As crianças expressaram sua desaprovação, gritando “Uuuuuu!” e com chamados de “Eca!”, o sábio pai dessas crianças que tinham rotulado um ato de amor como nojento aproveitou a chance de ensinar-lhes uma lição de vida. “Não é nojento,” disse ele aos filhos, “Apenas estão no lugar errado”.
     Algumas coisas devem ser feitas em particular. Não porque seja nojento, mas porque são preciosas, e não devem acontecer na rua. Há casais que ninguém jamais verá se tocando, mas qualquer um pode ver o profundo amor que partilham. Isto está refletido na maneira de conversarem, de olharem um para o outro, e da maneira de falarem sobre o outro. Quando um casal está seguro de seu amor mútuo, não sente necessidade de demonstrar afeição a outros fora do relacionamento. E mesmo assim todos, incluindo os filhos, saberão que o amor está ali. A afeição física é mais poderosa quando é mantida reservada, em local correto.
     Qualquer homem pode exitar uma mulher, assim como qualquer mulher possui meios de levar um homem a um estado de excitação, mas apenas O Homem e A Mulher certos são capazes de fazer o outro se sentir amado com apenas um olhar, aquele olhar único, que dispença todas as palavras, que abre mão de todo toque e é capaz de curar toda dor, secar toda lágrima, derramar lágrimas ou iluminar sorrisos. Um casal que se olha nos olhos com freqüência, que conversa e faz planos se conhece muito mais que um casal que pratica sexo todo dia, porque se preocupa em conhecer a alma do outro e não o corpo. A alma é eterna, o corpo se deteriora e vira poeira.
     O casal Robson e Márcia do CAOV (Centro Arquidiocesano de Orientação Vocacional) de Niterói costuma comentar que na hora de namorar a melhor opção é procurar por locais TIA - Transitados, Iluminados e Arejados. Esse método tem o objetivo de manter o casais contidos e evitar intimidades inadequadas, mas ele só funciona se existir um comprometimento do casal em evita-los. Só funciona quando o casal se da conta que prazer não é sinônimo de amor, assim como piscina não é sinônimo de água, a piscina é um local onde pode haver água, ou não, e quem salta lá sem verificar antes pode acabar se machucando seriamente. No amor conjugal existe prazer, mas não se pode pular etapas, ou alguém acabará se machucando, é preciso viver o pudor e valorizar a beleza do namoro, para que o centro do relacionamento não seja aquilo que o outro proporciona ao seu corpo, mas sim aquilo que os dois podem ofertar a Deus como fruto, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass:Bruno Santos.