terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Consequências do Namoro


   Como cristãos, somos chamados a viver uma constante evangelização, seja em meio a nossas famílias, no colégio, no trabalho ou simplesmente andando pelas ruas. São Francisco de Assis já dizia: "É necessário evangelizar a todo instante, se for preciso até com palavras". Quando acertamos, acertamos com todos aqueles que de alguma forma influenciariam naquela vitória, quando erramos, também levamos conosco todos os membros de nossa vida que poderiam/deveriam nos influenciar para que não errássemos. É esse o peso de ser cristão! O de saber que será julgado em suas quedas como um representante do Cristo, aquele que não erra (2 Coríntios 5:20). É um peso muito grande para suportarmos, mas que nos ajuda a vigiar nossa conduta para fazer jus a esse título.

    Partindo deste pensamento gostaria que refletíssemos sobre um aspecto da vida do cristão que algumas vezes é negligenciado: o namoro. Algumas vezes, me deparo com jovens dizendo que não vêem necessidade de receberem nenhum tipo de formação ou aconselhamento, pois afinal o namoro não é um sacramento. Acontece que isso não diminui seu significado, afinal ele também não é um estado civil, não é um emprego e nem uma matéria escolar e apesar disso continua sendo exercido por gerações. O namoro é uma etapa da vida, não uma condição de vida como algumas pessoas pensam, pois ao contrário da condição esta etapa é passageira. Sendo ele uma etapa, após cumprir seu papel é ultrapassada e leva quem a viveu para outro nível de vida, ou o faz voltar a etapa anterior, isso pode variar de caso para caso. Entretanto, seja qual for o caso, ele precisa de regras, parâmetros e metas, ou se torna um ato sem propósito, logo, fadado ao fracasso.

    Todo sacramento é precedido de uma preparação: a comunhão tem a catequese assim como a crisma, a ordenação tem seu tempo no seminário, e o casamento por sua vez, tem duas etapas de preparação, sua fase mais séria que é o noivado, onde as coisas começam a ficar um pouco mais definitivas, e a fase do namoro, que não deve ser vista com menos seriedade mesmo sendo uma fase tão inicial no relacionamento. É durante esse tempo que é criada a identidade do casal e é nela que brotam os primeiros frutos da união e apenas o vivendo bem é possível avançar com segurança para o próximo passo.

    Para que se observe se um namoro caminha de forma acertada é preciso estar atento a alguns pontos, como os citados abaixo.

1- Esse namoro me aproxima de Deus?

     Qualquer atitude da minha vida, seja uma amizade ou um trabalho que me façam recuar na minha fé, não estão de acordo com a vontade do Senhor. Se em um namoro se percebe a existência de brigas ou desentendimentos por conta da fé de uma das partes ou até por ambas as partes, esse namoro precisa ser revisto, afinal, uma pessoa não pode caminhar por duas estradas. Como poderiam dois, sendo uma só carne caminharem separadamente? ''Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo'' (Amos 3:3)
Quem ama quer o melhor para a pessoa amada, e o melhor sempre é estar com Deus, só Ele tem o verdadeiro amor. Se você não tem um namoro aos pés da cruz não poderá cobrar um paraíso no casamento.

2- Esse namoro me aproxima dos meus parentes e amigos?

     Obviamente o casal precisa passar tempo junto para se conhecer, mas isso não significa se isolar do resto do mundo, você pode aprender muito sobre seu par com os pais, irmãos e amigos, afinal, essas pessoas convivem muito mais com o mesmo. Observando o relacionamento deles você tem uma prévia daquilo que viverá em sua casa, caso venha a se casar com essa pessoa. Ela arruma o próprio quarto? Respeita os pais? Sabe dar bons conselhos aos amigos? Se a resposta for sim, estamos no caminho certo. Assim também conhecer a forma como você se da com seus irmãos, vizinhos e até a forma como seus pais se tratam ajudará a pessoa a ter uma noção sobre como será tratada no futuro.
Mas não se esqueça, mesmo que a princípio tudo pareça um mar de rosas não pense que já é o suficiente, as aparências enganam, todos tentam passar por perfeitos no começo, mas ninguém consegue fingir o tempo todo. Por isso também a importância de se fazer presente, sem tentar parecer o que não é. Pessoas são imperfeitas, esconder defeitos hoje leva a esconder outras coisas no futuro.

3- Esse namoro me torna uma pessoa melhor?

     Pergunta complexa não é? O que é uma pessoa melhor? No dia em que vão se encontrar você se arruma mais? Se sente mais confiante? Se sente mais feliz por lembrar que vão se encontrar? Ainda é pouco! Mas já é algo. Os assuntos que vocês conversam são relevantes ou só papo furado? Vocês se incentivam em relação ao trabalho, estudos e projetos para o futuro? Está melhorando. Você aprende, ensina, repensa opiniões que você já tinha como definitivas e consegue tirar proveito de cada encontro de vocês? Não usam seu tempo juntos apenas para se beijarem mas REALMENTE para se conhecerem? Bem, então esse namoro te faz uma pessoa melhor. Parabéns! E digo isso porque independente do fato dele se tornar um casamento ou não, você nunca poderá dizer que perdeu seu tempo com alguém, pois você estava ganhando.

4- Somos parceiros na hora das decisões?

   "Amar ao próximo como a ti mesmo" às vezes significa abrir mão de coisas que você considera importante por coisas que são importantes para o casal. É preciso criar um equilíbrio, saber qual festa de qual amigo é mais importante quando as duas são no mesmo dia, no mesmo horário e cada um é amigo de apenas um membro do casal. Tomar essa decisão pode ser a receita para uma briga ou pode unir vocês ainda mais, o desfecho vai depender da sua capacidade de olhar as necessidades de cada um, ver prioridades e saber dizer sim ou não. Saber tomar esse tipo de decisão com maturidade irá poupá-los de muitas brigas desnecessárias e fará com que aproveitem melhor seu tempo juntos. Essa capacidade, obviamente, vem com o tempo, mas buscá-la desde o início do relacionamento é crucial. Não se trata de fazer tudo que o outro quer, mas de verdadeiramente entrar em um consenso, sem que nenhuma das partes fique ressentida ou menosprezada. Sinceramente, isso é uma arte, mas vale à pena.

     Observando esses itens podemos descobrir se nossa visão de namoro tem sido vivida da forma correta ou se temos deixado que os desejos e as aparências nos afastem do real motivo dessa união, afinal, o namoro não existe para sanar suas carências afetivas, ser divulgado nas redes sociais, exibido entre as(os) amigas(os) ou bancar caprichos, existe para dar ao casal uma chance de conhecer seus espíritos, antes de conhecer seus corpos, mas essa é só a minha visão, Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos