sábado, 10 de outubro de 2015

Ta na Cara

     Você já refletiu sobre como pequenos atos podem transformar o mundo? Sobre como uma atitude (talvez idiota) de uma pessoa simples pode causar uma avalanche de transformações sociais? Se amarrar em uma árvore, encarar um tanque de guerra a pé, queimar sutiãs, colocar flores nos canos das armas dos policiais que apenas aguardam ordens para lhe fuzilarem. Não são atitudes exatamente geniais, mas, de alguma forma causaram um impacto, seja regional ou mundial. Talvez um ato simples de alguém que cansou dos padrões estabelecidos, algo aparentemente sem importância esconda um sentido bem maior, algo que só será entendido no futuro, seja libertar um cão do cativeiro, pintar seu cabelo de vermelho ou deixar a barba crescer.
     Vivemos em um mundo onde parecer vale mais do que fazer. Existem padrões que devem ser seguidos e não segui-los pode resultar na exclusão, seja no meio empresarial, acadêmico, familiar ou até religioso. Mas, o empresarial me impressiona de forma mais intensa, principalmente nessa época de crise pela qual o país vem passando, perceba: o funcionário é contratado pela empresa, ele se adequa aos padrões estabelecidos por ela, chega no horário, sai no horário, trabalha duro com ética e responsabilidade, mantém suas roupas alinhadas e sua barba aparada, até que um dia, depois de 2, 7 ou 15 anos a empresa simplesmente percebe que não precisa mais dele e o demite. Sabe por quê? Porque para a empresa ele não é nada além de um número. Uma série de dígitos que pode dar lucro ou gerar custo. E é isso o que importa.
     Não importa se o funcionário chegava uma hora antes e saia duas horas depois para dar conta da demanda, se acumulava duas funções, se trabalhava nos fins de semana ou mesmo que estivesse doente, a empresa irá demiti-lo assim que ele for visto como um estorvo. E isso pode acontecer a qualquer momento. Então, de que valem todos os sacrifícios feitos? As noites em claro, os cursos de atualização/especialização pagos com o próprio bolso? Se você tem o desejo pessoal de ter filhos, fazer uma tatuagem, fazer faculdade de uma área completamente diferente da área onde trabalha ou simplesmente deixar a barba crescer, não deveria deixar de fazer pela empresa. Talvez você possa deixar de fazer essas coisas por algum outro motivo, mas, não para deixar satisfeita uma instituição capitalista que não vê pessoas entre suas paredes, mas, apenas dois tipos de máquinas, as que ficam na empresa e as que vão embora ao final do expediente.
     Nessa perspectiva,  cada demonstração de autenticidade é um protesto silencioso, em prol da vontade própria em detrimento à vontade de uma instituição sobre o corpo de seus funcionários. Se a produtividade se mantém inabalável, a pontualidade permanece, o respeito pelos superiores idem,  isso não compromete o rendimento ou a higiene do trabalho, então, o que muda? Por quê a presença desse(a) funcionário(a) passa a "ser notada" pelos colegas de trabalho de forma diferente? Por quê agora recebe apelidos, ouve comentários e nota cochichos quando chega em um ambiente? É porque está desafiando o sistema! Está se permitindo ser ele(a) mesmo(a)! 
     O mesmo vale para o seu cabelo black power roxo, para a sua calça estampada, para o seu piercing ou pra sua tatuagem (deixando claro que eu não incentivo o uso de piercings ou tatuagens , mas, reconheço o direito de cada um de usar ou não). Eles influenciam no seu trabalho de forma negativa? Você se sentiria melhor consigo mesmo(a) se tivesse liberdade para usar o que quer? Então você deveria poder usar! Lembre, se a empresa se preocupar mais com o que você parece que com o que você faz, qualquer coisa será motivo para te demitir, seja hoje ou daqui a 20 anos, e ai você se dará conta do tempo que perdeu. Não espere pelo fim do expediente, ou pela aposentadoria, para ser feliz! Lembrando, claro, que essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

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