sábado, 2 de julho de 2016

Tem Gente Morrendo

                             "Tem gente morrendo
De angústia e de medo
Tem gente morrendo
De falta de amor
Tem gente morrendo
De dor e ódio
Tem gente morrendo"

     A vida humana está sendo banalizada. Nossa dignidade se perdeu em meio a tantos rótulos e denominações. Nos tornamos estatísticas, números e pontos de audiência.

     Essa banalização precisa cessar. Precisamos olhar para nós mesmos com dignidade e respeito, compreendendo que a busca pela preservação da vida de nossos semelhantes deve independer de diferenças políticas, religiosas, éticas ou étnicas.

     No dia 11 de Junho, 49 pessoas foram mortas em uma boate em Orlando, o fato dessa boate ser destinada ao público LGBT não passa de um mero detalhe. Antes de serem homossexuais ou qualquer outra denominação que possam receber suas práticas sexuais, eles são seres humanos, filhos e filhas de alguém. E essas mortes são perdas imensuráveis.

     Se nos escandalizamos com a morte de onças, gorilas e jacarés (que também aconteceram por motivos estúpidos e desnecessários), por quê o assassinato de bebês ainda no ventre é tratado com naturalidade tantas vezes? Policiais executados, crianças mortas na porta de suas casas, pessoas alvejadas durante tentativas de assalto ou ceifadas pela espera nas filas dos hospitais tem em suas almas o mesmo valor.

    Aliás, "Amarás teu próximo como a ti mesmo" (Mateus: 22,39) conta para todo mundo, não apenas para quem você gosta. Isso significa que os ladrões, assassinos, estupradores e pedófilos também merecem seu amor. Entenda, amor verdadeiro, amor que pune e ensina, mas que também perdoa.

     Que não façamos distinção de pessoas, possamos valorizar cada vida e lutar para que nenhuma se perca “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça (João 3,16)", mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Fontes:

Poema: Tem gente morrendo Ana

http://www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2016/06/noticias/mundo/347545-saiba-como-aconteceu-o-massacre-na-boate-pulse-em-orlando.html

http://www.jornaldecaruaru.com.br/2016/06/artigo-o-gorila-o-crocodilo-e-a-onca-por-severino-melo/

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sábado, 18 de junho de 2016

Com que touca eu vou?

     O frio pegou a nós, cariocas, de jeito! Mudou nossos hábitos e virou o assunto mais comentado. Com a chegada dele a procura por repelentes nas farmácias deu lugar a uma busca enlouquecida por manteiga de cacau, a melhor amiga dos lábios ressecados pelo frio.
     Caminhando numa dessas noites geladas, indo de drogaria em drogaria a procura de minha amostra (fui em sete no total), passei por uma cena curiosa: uma senhora que pedalava tranquilamente pela via, vestia um par de tênis confortáveis, uma calça de ginástica, um casaco quentinho e uma touca ninja. Sim, uma touca ninja!
     Sendo eu um ciclista, me admirei com a genialidade daquele ato. Ao contrário de outros ciclistas que eu já tinha visto naquela noite (é incrível a forma como coisas que te interessam parecem saltar sobre você na rua), que lutavam para manter o capuz do casaco na cabeça contra o vento, aquela senhora estava a vontade.
     Suas orelhas estavam quentinhas, seu cabelo não estava bagunçado e ela respirava sem dificuldades. Mas, se aquele acessório foi feito sob medida para esse uso, por que nunca tinha visto aquela cena? Quem sabe, talvez, por que dificilmente um rapaz conseguiria pedalar por cem metros sem - na melhor das hipóteses - ser parado pela polícia?
     Bem, digo que quando me imaginei com aquele acessório pelas ruas do meu bairro a imagem que me veio foi a da touca sendo perfurada por uma bala de fuzil. Ainda na minha cabeça. E digo mais, acredito que se durante uma revista encontrassem ela em minha mochila, mesmo que ainda embalada, eu acabaria respondendo por todos os crimes realizados com toca ninja nos últimos anos.
     Não posso usar essa touca pelo mesmo motivo que a cor vermelha consta com uma ressalva no meu armário, pelo mesmo motivo que tive de parar de usar boné e pelo mesmo motivo que levou minha mãe a me proibir de usar certas marcas de roupa no passado. Medo! Medo de parecer algo, medo de chamar certo tipo de atenção, medo de ser notado até.
     Me vestir como os outros jovens (boné, bermudão, cordões) me faria ser parado pela polícia, andar arrumado demais me faria ser alvo para assaltantes, ou seja, a técnica para sobreviver à minha adolescência (segundo minha mãe) consistia em não ser notado. Obviamente todo jovem quer ser notado, então eu saía de casa o mais simples possível e acabava de me arrumar no ônibus, mas ainda sim aquele medo ficou para sempre no meu subconsciente.
     Hoje, é impossível para mim comprar uma roupa sem pensar que tipo de atenção vou atrair com ela, que tipo de pessoa vou parecer. É a mesma coisa que penso quando decido que é hora de cortar o cabelo ou fazer a barba. Não sou eu quem escolho minhas roupas, mas a sociedade que me cerca e a forma como eu acho que eles vão reagir a isso. Hoje por exemplo, eu gostaria de viver em uma sociedade onde fosse bem visto ir trabalhar enrolado em duas camadas de edredons.
     Existe um tipo de acordo velado, com roupas que são adequadas ou não, ninguém realmente fala sobre isso, as pessoas simplesmente sabem, algumas pelo menos. Quer dizer, quando você está no shopping e vê um cidadão entrando no cinema de chinelo e meia você sente um desequilíbrio na força, mesmo sabendo que não tem nada com a vida do indivíduo. Aquilo te faz sentir um desconforto.
     Senti isso uma vez ao ver um camarada na praia de terno e gravata, a sensação de que aquela pessoa deveria estar em outro lugar, ou no mínimo com outra roupa. Por isso, imagino que outras pessoas devam sentir isso em algumas situações, mas gostaria que esse "acordo social" fosse mais abrangente, que ele, por exemplo, permitisse que minha namorada me desse um casaco vermelho sem medo que isso me matasse.
     Não poderei usar touca ninja para andar de bike, não entrarei na minha comunidade de casaco vermelho e nem usarei roupas de marca para ir a lugares que conheço pouco, por medo da polícia (mesmo sem nunca ter cometido um crime), por medo da facção rival (mesmo sem pertencer a nenhuma) e por medo dos assaltantes (mesmo que eu seja apenas um pobre lascado). Viverei com medo, medindo minhas atitudes em virtude daquilo que os outros podem ou não pensar de mim.
     Nessas horas, eu queria que meus problemas se resumissem a precisar decidir se vou no cinema de chinelo e meia ou de pijama e achar que ISSO é viver perigosamente. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

sexta-feira, 10 de junho de 2016

X-Woman

   Nos últimos dias, um outdoor do mais recente filme dos X-Men tem sido criticado por pessoas que alegam que ele traz uma mensagem de superioridade masculina e incentivo a violência contra a mulher.
    Na qualidade de admirador do trabalho da Marvel, no que diz respeito a seus quadrinhos, desenhos e filmes, gostaria de mostrar que obviamente essa, em momento algum, foi a intenção.
   Nasci nos anos noventa, tive acesso a diversas HQ's, como pode ser visto na imagem que é da minha coleção pessoal, e vi o Professor Xavier (um cadeirante) ser subjugado tantas vezes quanto a Vampira ou o Wolverine. Isso se chama protagonismo.
    Significa que aquele personagem terá importância naquele episódio em particular, o que valoriza um momento de tensão. Reclamar de protagonismo feminino é quase incoerente. Essa claramente é uma história fantasiosa baseada em princípios maniqueístas em que o mal parece mais forte, mas mesmo assim é desafiado.
    Não vi o filme ainda e não quero ser acusado de dar spoiler, mas conhecendo X-Men como eu conheço, sei que haverá algum tipo de reviravolta com uma superação de limitações e alcance de objetivo através do poder da amizade ou algo do tipo. Se for verdade, me digam depois, mas sem spoilers!
  Os quadrinhos desses mutantes são fantásticos, eu consigo enchergar neles as lutas de todas as minorias para se encaixarem na sociedade, não apenas por serem mutantes, mas por serem negros, judeus, cadeirantes, gays, etc. Se a intenção fosse sugerir que a  Mística é inferior a outro personagem por causa do sexo ela seria apenas excluída da luta, ficaria de lado enquanto os homens lutam. Mas dizer que um quadrinho que tem a Ororo, Jean Gray e Psylocke, mulheres que lutam de igual para igual com qualquer homem é machista, é como dizer que Senhora de José de Alencar é um livro machista.
    Encerrando minha defesa dessa indústria capitalista que já me deu bastante gasto, mas que está intrinsecamente ligada a minha forma de ver o mundo e respeitar as pessoas, vou dizer que tudo parece algo fora do contexto, mas que é preciso um olhar além. 
    Acredito que teria um impacto negativo bem maior um banner mostrando a Mística (mocinha) arrancando a coluna vertebral do corpo inerte do Apocalipse (vilão) com aquele sorriso no rosto que os fãs sabem que a VERDADEIRA mística daria nos quadrinhos. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

sábado, 4 de junho de 2016

Bom dia, boa tarde e boa noite.

  E sou um cara um tanto quanto introspectivo, tenho poucos amigos e muita dificuldade para fazer novos, principalmente em curtos espaços de tempo. Mas, um dos ensinamentos de minha mãe, Dona Lenira, eu trago comigo quase como um mandamento. Ela me dizia na infância:

"Você não precisa ser amigo de todo mundo, mas você precisa mostrar para as pessoas que você é de lá."

    Talvez isso não faça tanto sentido para você caso não tenha crescido em uma comunidade, mas, em alguns casos, ser identificado como pertencente a um lugar pode salvar a sua vida.
    Sempre fui um garoto caseiro, saia pela manhã para a escola, voltava a tarde e só saia de casa novamente se fosse para ir na igreja durante a noite. Muitas pessoas que moravam na mesma rua que eu nem sequer sabiam da minha existência.
    Nesse contexto o "Bom dia, boa tarde e boa noite" se tornaram muito mais que cumprimentos, eram um cartão de embarque. Sei que em outras partes do Brasil é diferente, as pessoas se cumprimentam por educação, mesmo sem nunca terem se visto.
    Mas, onde eu cresci, só se fala com quem se conhece, e ter um rosto familiar pode te livrar de problemas. Hoje, sendo um negro de 1,80m, sei que um "Boa noite" em uma rua escura também ajuda a baixar as guardas e dissipar a tensão no ar. Mesmo que não completamente.
    Muitos dos garotos que ainda jogavam bola na rua enquanto eu saia para a igreja continuam na mesma rua, mas agora com armas na mão e eu sei que sem aquele cumprimento de anos atrás eu seria um estranho para eles, consequentemente uma ameaça e possivelmente um alvo.
    Certas vezes me deparo com senhoras idosas que me sorriem e perguntam como vai minha família, não faço ideia de quem são a maior parte das vezes, mas tenho a tranquilidade para lhes sorrir e dizer que estão todos bem. Pois, sei que elas se lembraram de um cumprimento que lhes ofereci algum dia a anos atrás.
    Quando você deseja um bom dia a alguém está gravando uma impressão sua na mente da pessoa, mesmo que seja no subconsciente. Pode parecer bobo e até desnecessário dar bom dia a um desconhecido, mas de certa forma isso demarca um território.
    Afinal, você não fala com estranhos em lugares que você não conhece. Seu cumprimento te dá poder sobre o espaço, por mostrar que naquele lugar você se sente seguro.
    Sei que para mulheres a coisa é mais complicada, já que existem homens que não sabem a diferença entre educação e interesse, mas ainda assim, vale a pena um olhar nos olhos vez ou outra. Você pode não se lembrar, mas outros lembrarão de você.
     A política da boa vizinhança não nos impede de ser assaltados na esquina da nossa casa, não torna desnecessário o uso de cadeados ou trancas, mas nos dá a sensação de companhia quando tudo parece ameaçador, então não negue um sorriso a um vizinho nem deixe de lhe oferecer um cumprimento. Mas essa é apenas a Minga Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

terça-feira, 22 de março de 2016

Geração Desconstrução

     Rolha de poço, loira burra, macaco, macumbeiro, bicha, favelada, piranha. Se você nasceu durante, ou antes, dos anos 90 já escutou todas essas expressões. Talvez uma delas já tenha sido direcionada a você.

     Acontece que estamos vivendo em uma geração diferente. Gordofobia, Racismo, Machismo, Xenofobia, Preconceito Linguístico, Social, Cultural, são conceitos que não eram divulgados nessa época. Eu disse NÃO ERAM DIVULGADOS, não disse que não existiam, obviamente. Eu mesmo fui chamado de baleia por boa parte da infância. Sinceramente, sabia que existiam coisas piores das quais ser chamado e geralmente reclamar só fazia as coisas piorarem, então, eu aceitei quieto e segui minha vida. Não tenho condições técnicas de analisar as consequências disso em minha forma atual de ver o mundo ou a mim mesmo, mas provavelmente é diferente da forma de alguém que não sofreu qualquer agressão.

     Hoje, estamos na era da informação, onde cada espirro das “celebridades” é divulgado mundialmente, cada início e término de namoro ou saída de casa sem vestimentas tidas como “adequadas”. Se é assim para as coisas fúteis, precisa ser para coisas primordiais como direitos humanos e civilidade. Vejo muitas pessoas reclamando nas redes sociais e apelidando essa de Geração “MiMiMi”. Apontando seus “adeptos” como reclamões incansáveis que nunca estão satisfeitos com nada. Alegando que no tempo deles era diferente. E era, mas as coisas sempre mudam.

     Quando eu era mais novo, ser Nerd era motivo de vergonha, hoje é cult. Nós cantávamos “Au au au, vai descer quem mora mal” quando nossos amigos desciam do ônibus no passeio (mesmo que morassem apenas uma rua antes de nós), hoje estaríamos todos presos. Nós achávamos demais quando aparecia um pedacinho de seio na Sessão da Tarde, hoje você vê pornografia pra todo lado, querendo ou não. Naquele tempo levar dois reais para a escola fazia de você um Playboy, bem, ainda faz se você for universitário, mas essa quantia não compra mais o que já comprou.

     O ponto em que eu quero chegar aqui é: somos as mesmas pessoas, vivendo no mesmo mundo, mas agora com voz. Uma voz que deve estar resguardada por uma amplitude de conhecimentos, mas, basicamente voz é o que temos.

     Se a alguns anos você comprasse um produto e este apresentasse um defeito suas opções eram ir na loja ou procurar o PROCON. Hoje em dia você pode falar diretamente com o fabricante e, acredite, isso pode resolver os seus problemas, afinal, que marca quer ficar mal falada na grande rede? Nenhuma! A sua opinião é um poder que as marcas temem, principalmente se você souber como expressá-la. Que o digam os YouTubers que estão ganhando a vida simplesmente expressando opiniões em vídeos, atitude que parece ter entrado para a cultura mundial de forma definitiva.

     Ser discriminado por um professor, policial ou funcionário de loja pode resultar na demissão e até prisão do mesmo, isso apenas com o auxílio de uma simples câmera de celular. Essa é uma nova etapa no desenvolvimento humano. Obviamente  o nível ideal será aquele em que ninguém descriminar ninguém, mas até lá, nos contentamos em ver punidos os que levam a diante essa cultura de ódio e segregação.

      A internet é um espaço democrático onde a pessoa com acúmulo de tecido adiposo pode enaltecer a beleza de suas curvas; a negra pode se apoderar da cultura afro e conclamar seu protagonismo; assim como a feminista pode exigir um tratamento igualitário para si em relação aos homens que exercem a mesmo função que ela em seu emprego, mas inexplicavelmente recebem mais. Essas pessoas sabem que o fato de algo ter se tornado “normal” não a torna boa e estão lutando a sua maneira para que as coisas mudem. Lutando contra esses preconceitos com os quais vivemos a tanto tempo que passaram a ser confundidos com opinião.

      Entretanto, as postagens e textos gigantes nas redes sociais não podem ser tidos como meio único de divulgação. Eles devem se traduzir em atos concretos também no nosso cotidiano. Devem se transformar em conversas em filas de supermercado, pautas de reuniões de família e amigos. Pois só se pode combater aquilo que se conhece, só se pode decidir se algo é certo ou errado depois de debater amplamente esse assunto e desconstruir preconceitos naturalizados pela reincidência, mas essa é apenas a minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Falência Múltipla dos Órgãos

      Você  tem um pâncreas. Também tem um fígado e dois rins (com raras exceções). Parece meio bobo dizer isso, eu sei. Provavelmente você já sabia da existência desses órgãos e da importância deles para o funcionamento do seu corpo, mas já tinha pensado neles hoje?
   O que você fez hoje que beneficia o funcionamento desses órgãos? Lembrou deles durante suas últimas compras? Ou estava preocupado demais em comprar aquela margarina que faz bem para o coração, aquele iogurte que regula o intestino e aquele legume que faz bem para a pele?  Provavelmente eu não estarei mentindo se afirmar categoricamente que ao longo da sua vida você vai passar mais tempo cuidando do seu cabelo que dos seus rins.
      A não ser que: eles parem. Sim, porque é fácil esquecer que algo existe quando ele está funcionando. Você não lembra que seu coração bate ao longo do dia, a não ser quando ele faz isso com mais intensidade ou quando para de fazer. E GRAÇAS A DEUS não precisa ficar pensando no pulmão a todo tempo para respirar. Se fosse assim, todos nós estaríamos mortos. Se você consome bebidas alcoólicas, talvez pense no seu fígado vez ou outra, e provavelmente continuará pensando de forma esporádica, mas se não tomar uma atitude, seu pensamento será em vão.
    Daí um dia, descobrirá que tem um problema grave (isso não é uma praga, apenas uma suposição), um problema que começou há anos, fazendo seus rins trabalharem de forma mais lenta, gradativamente, até pararem de vez. Mas, você não percebeu, porque isso não estava afetando sua vida até então. Entretanto, agora afetará, e você terá que tomar medidas drásticas para remediar essa situação. 
     Agora, vamos pegar esse corpo humano e transformar em um estado, pegar esses órgãos vitais e transformar em órgãos públicos, trocar a desatenção com a saúde pelo sucateamento dos serviços e então esse corpo será o Rio de Janeiro, um estado com falência múltipla dos órgãos. Sem segurança, saúde ou educação. Mesmo que o "cérebro" não perceba. E, assim como no corpo humano, como o orgão mostra pro cérebro que algo não está bem? Como ele se faz notar? Parando! Eis aí o embasamento científico para a greve.
     Resumo de um dia no Rio de Janeiro: O professor que passou o dia de pé em salas de aula sem ar-condicionado, escrevendo com um piloto que comprou com recursos próprios sem poder nem sequer fazer uma pausa para beber água já que o abastecimento da escola foi cortado vai ao mercado, mas não consegue comprar o que precisa já que seu salário não foi pago, assim como o de vários servidores públicos. Na saída é assaltado por um desempregado desesperado e por não ter o que entregar acaba sendo esfaqueado, vai parar na UPA local, mas, após 3 horas de espera ele descobre que a unidade não dispõe nem sequer de gaze para um curativo. Bem, isso foi só uma simulação, mas fala a verdade, pareceu muito longe da realidade?
     E mesmo com um Estado em estado de calamidade, com uma criminalidade mais bem armada e organizada que a polícia, com hospitais que não tem equipamentos básicos para o atendimento, com escolas caindo aos pedaços e funcionários públicos com salários atrasados, ainda somos obrigados a olhar milhões e milhões sendo gastos em obras para atender estrangeiros que virão para as Olímpiadas. Obras que se mostrarão tão inúteis quanto as feitas para a Copa do Mundo de 2014, que desabrigaram famílias para sua construção, mas continuam sem uso até hoje.
      E é por isso que o povo precisa parar, sim, o povo precisa protestar, mostrar a cara e se fazer ouvir. Lembrar aos governantes que nós somos os patrões. Lembrar que nós somos as ingrenagens que movem esse relógio, mas que ao contrário do relógio, não trabalhamos de graça. Então, se uma greve se por entre você e seu objetivo, não diga que ela é composta por vagabundos ou coisa do tipo, se lembre que somos parte do mesmo corpo e se o dedão do pé sofre uma inflamação, o corpo inteiro fica com febre. Mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião.


"Pois o operário é digno do seu salário - Lucas 10, 7"

"Para todo esforço há fruto, muito palavrório só produz penúria. - Provérbios 14, 23."

Ass: Bruno Santos

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terça-feira, 1 de março de 2016

Precipitação

     A chuva consiste na precipitação da água em forma de gotas sobre a superfície terrestre. Esse fenômeno pode trazer várias consequências, como deslizamentos, transbordo de rios, inundações, desabamento de casas, acidentes de trânsito, além de congestionamentos gigantes.
    Outro efeito recorrente da chuva é a morte. A morte por raiva. Sim, pois que outro sentimento pode-se ter quando a chuva cai exatamente na hora em que você sai do trabalho? Ou quando ela causa um engarrafamento que te impede de chegar na faculdade? E se ela te pega desprevenido e molha aquele calçado no qual você tanto se amarra? Não nos esqueçamos também que ela pode causar depressão em algumas pessoas ao cair no fim de semana, no feriado, no dia em que estava marcada a reunião da turma ou aquela tão esperada praia.
    Bem(apesar dos pesares), eu particularmente considero a chuva um evento belo: a forma como as gotas dançam com o vento, o som delas tamborilando no telhado; as árvores se agitando; o clima; o cheiro da água misturada com a terra. Obviamente, estando dentro de casa, seco, com luz e internet essa experiência é bem mais confortável, mas nem tudo é perfeito. Gosto de raios também, mas isso é outra história.
    Se tem uma coisa que penso toda vez que minha cidade para em decorrência da chuva é: "Mas Senhor, não chove todo ano nessa época há milênios? Como é que não prepararam a cidade para isso? Como puderam ignorar esses eventos no planejamento da infraestrutura urbana? Por quê o povo precisa ficar ilhado toda vez que chove? Tem alguém que se diverte com isso?"
    Não que o povo não tenha sua parcela de culpa na situação, até porque os bueiros não entopem sozinhos. É preciso ter consciência sócio-ambiental e pensar melhor sobre onde vai jogar aquele papel de bala ou aquela garrafinha de água. Isso fará diferença. Mas, sua cobrança também fará. Nas próximas eleições para prefeitos e vereadores, encontre um candidato que REALMENTE more na sua cidade, que seja afetado por esses problemas e tenha vontade de resolvê-los.
    E por favor, não pragueje contra a chuva, ela é um evento climático, não um ser consciente. Ela vai desprender o solo encharcado, alimentar rios, regar plantas, derrubar árvores, encher os reservatórios e ajudar o homem a conseguir luz elétrica. Assim como o fogo que te aquece do frio, mas também pode te matar queimado. Precisamos apenas saber respeitar seu tempo e espaço. Deus criou um mundo em perfeito equilíbrio, nada é atoa, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Papel de Foto

      Desde o tempo das cavernas o homem buscava compartilhar, através de imagens, os eventos de seu cotidiano. Para isso, utilizava as pinturas rupestres: desenhos nas paredes das cavernas que representavam cenas de sua caçada, sua família, o lugar onde viviam e por aí vai.
   Com o advento da cartografia, da escrita descritiva e das artes, o homem buscou dar continuidade a esse processo de preservação da memória. Todo conhecimento deveria ser documentado e compartilhado, ou quase todo. 
     Hoje, vivemos a era da informação. Parece ser possível descobrir qualquer coisa com a palavra-chave certa. Já não se é possível atravessar uma rua de um centro urbano com a ilusão de ter sido ignorado pelas câmeras.
    Nesse contexto, parece que tudo que existe já foi filmado ou fotografado. Células, micróbios, animais, vegetais, obras arquitetônicas, peças de arte, cidades, continentes, planetas, galáxias, estrelas. O que falta? Provavelmente não saberemos até encontrarmos. 
     A questão é que, ao contrário da época de seu lançamento, há 176 anos, hoje a fotografia é de fácil acesso através dos celulares, que quase todos possuem.
    O álbum fotográfico que era um tesouro familiar, uma herança a ser passada para as próximas gerações, se converteu em uma pilha de CD's, pen drives e senhas de Redes Sociais onde se encontram os álbuns virtuais. Sendo este último o local onde pessoas expõem sua intimidade em fotos que mostram cada movimento realizado ao longo do dia.
    Existe quem comece com a foto de uma refeição, fotografe cada espaço de um passeio no qual foi possível tirar uma selfie e termine no banheiro, fazendo sabe-se lá o que, para vender uma ideia ao seu “público”.
     Nas redes sociais, todos são marqueteiros de sí mesmos, tentando se promover como produtos. Alguns têm arriscado suas vidas tirando fotos em lugares perigosos em busca da "Selfie Perfeita", outros têm oferecido a sequestradores um roteiro detalhado de seus passos.
    Tirar fotos pode ser um hobby, pode ser uma distração, pode até ser uma profissão, mas não pode ser o único motivo do seu sorriso. 
     As pessoas são como icebergs: aquilo que é visto não passa de uma parcela do que elas são realmente. Viver para  manter aparências rouba sua essência, o que pode acarretar uma depressão profunda. Dividir nossas vitórias, momentos divertidos, opiniões, lembranças pode ser saudável, mas se for feito na medida certa.
   Tire fotos com as pessoas que você ama, não para enfeitar seu feed, mas para enfeitar sua casa. Sorria, não para parecer feliz nas fotos, mas para extravasar esse sentimento que não deve ser contido. 
     Saia, viaje, se divirta tanto, mais tanto, a ponto de nem sequer lembrar que existe algo parecido com uma câmera fotográfica, muito menos internet. 
     Assim, você saberá que seu dia valeu a pena. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.


Ass: Bruno Santos

Eclesiastes 1,14. "Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa."

Fontes:

Texto do parceiro Alex Olyveira


História da fotografia.      


Fotos históricas inusitadas.


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Não é Problema Meu

     Todos os dias nos deparamos com situações que exigem uma intervenção, mas, por muitas vezes, acreditamos que essa interferência não seja nosso encargo e sim de outro:

     -A luz daquela sala que ninguém está usando está acesa. Mas não fui eu quem ascendi.

     -Essa mesa está suja. Eu odeio trabalhar na sujeira, mas esse trabalho não é meu.

     -Aquela senhora não vai conseguir atravessar a rua sozinha, alguém deveria ajudá-la.

     -Aquela criança está com cara de perdida, tomara que alguém ajude.

     -Aquele cara vai matar a esposa de tanta pancada, mas em briga de marido e mulher não se mete a colher.

     -O pai daquele meu amigo está no boteco de novo. Coitadinho dele, vai ter que vir buscar o pai bebúm no meio da madrugada.

     -Aquele garoto que era da igreja está andando com uns garotos do tráfico no colégio, tomara que alguém converse com ele.

     Todos nós somos responsáveis, não apenas por nossos atos, mas também por nossas omissões. Existe uma frase popular na internet que diz "Existem dois tipos de pessoas más, as que fazem maldades e as que não agem para evitá-las".
     Quando Caim foi questionado por Deus sobre o paradeiro de seu irmão ele respondeu "Serei eu o seu guarda?", como quem pergunta, "Eu sou o babá dele?". Acontece que Caim já havia matado seu irmão e sabia muito bem onde ele estava.
     E você, por que se priva de zelar pelo seu irmão? Você já o matou em seu coração? Você sabe o que ele tem feito? O que te impede de lhe estender a mão? Será a inveja como no caso de Caim? Ou será vergonha por cometer erros tão graves ou até maiores que os dele? Será que você realmente está tão acomodado ou se acha tão melhor que ele que acredita que ele não mereça uma chance?
     Diversas situações cotidianas nos levam a realização de testes, de paciência, persistência, humildade, de fé. Testes que nos fortalecem ou nos destroem, de acordo com nosso preparo. Nós, obviamente, não estamos prontos para todos os desafio, mas podemos encontrar as respostas se buscarmos no lugar certo.

Gálatas, 6, 1-3
"Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo."

     Que possamos saber estender nossos braços aos nossos irmãos e mostrar a caridade cristã que nos foi ensinada.Que saibamos tomar uma atitude e sair da nossa área de conforto para ir até a necessidade dos outros.

Ass: Bruno Santos

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domingo, 3 de janeiro de 2016

Corrida de Obstáculos

     Essa semana estava com minha namorada na fila de um desses quiosques de redes de fastfood que vendem sorvetes. Em nossa frente, estava uma idosa com seu neto que queria um sunday. Ao que me parece a senhora queria satisfazer a vontade do neto, mas não sabia como se chamava ou quanto custava o que ele queria.
     Bem, como o nome diz, fastfood vende "comida rápida", então, os funcionários são treinados para atender com presteza e eficiência. Já no que se refere à simpatia, o comportamento desses jovens me deixou na dúvida sobre a política da rede. Ver três jovens fazendo caretas, revirando os olhos e apressando uma idosa não são imagens que ajudem a abrir meu apetite.
     Nesta mesma semana, ao ir, desta vez com uma jovem cadeirante, até uma filial dessa rede no Centro do Rio e perceber que só haviam mesas no segundo andar, onde só era possível chegar após subir dois lances de escada, notei que havia algo de errado.
     Se já não bastassem as ruas esburacadas, cheias de ondulações e paralelepípedos, a ausência de rampas, ou inadequação das existentes, a falta de espaços e mobiliários adaptados, ainda é preciso que essas pessoas, tanto idosas quanto deficientes, convivam com a incompreensão e o preconceito. Todos nós temos uma velhice nos aguardando no futuro, alguns podem ter cadeiras de rodas ou muletas antes disso, sejam temporárias ou permanentes. O fato é que precisamos aprender a olhar para essas pessoas com o respeito que elas merecem.
     Um idoso tem sua velocidade, raciocínio e resistência comprometidos, isso não é uma novidade! Se alguém não possui capacidade para enchergar isso precisa de mediação. Entretanto, assim como as pessoas com deficiência, os idosos precisam ter preservado seu direito de ir e vir. Parece que todas as dificuldades que essas pessoas já tem não são suficientes e por isso as ruas precisam parecer um circuito com obstáculos. Eu me arriscaria a dizer que eles são indesejáveis e por isso deixam as ruas assim para desencorajá-los a sair.
     Estamos prestes a receber as paraolimpíadas em nosso Estado que já tem a educação, saúde e segurança sucateados, ainda por cima teremos que baixar a cabeça e ouvir calados as reclamações dos atletas paraolimpicos que não vão conseguir sequer dar uma volta no quarteirão sem sofrer um acidente. Cadê os milhões investidos no "padrão FIFA"? Aquele dinheiro todo foi só pra construir estádio mesmo?
     Estamos entrando em um novo ano, é um tempo adequado para se tomar uma nova atitude. Que possamos nos preocupar menos com a implantação da ideologia de gênero nas escolas e mais com inclusão de cadeirantes, surdos e mudos. Que possamos compreender que um idoso não é alguém sem utilidade social, mas sim um poço de sabedoria que deve ser admirado e respeitado, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

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