sexta-feira, 11 de março de 2016

Falência Múltipla dos Órgãos

      Você  tem um pâncreas. Também tem um fígado e dois rins (com raras exceções). Parece meio bobo dizer isso, eu sei. Provavelmente você já sabia da existência desses órgãos e da importância deles para o funcionamento do seu corpo, mas já tinha pensado neles hoje?
   O que você fez hoje que beneficia o funcionamento desses órgãos? Lembrou deles durante suas últimas compras? Ou estava preocupado demais em comprar aquela margarina que faz bem para o coração, aquele iogurte que regula o intestino e aquele legume que faz bem para a pele?  Provavelmente eu não estarei mentindo se afirmar categoricamente que ao longo da sua vida você vai passar mais tempo cuidando do seu cabelo que dos seus rins.
      A não ser que: eles parem. Sim, porque é fácil esquecer que algo existe quando ele está funcionando. Você não lembra que seu coração bate ao longo do dia, a não ser quando ele faz isso com mais intensidade ou quando para de fazer. E GRAÇAS A DEUS não precisa ficar pensando no pulmão a todo tempo para respirar. Se fosse assim, todos nós estaríamos mortos. Se você consome bebidas alcoólicas, talvez pense no seu fígado vez ou outra, e provavelmente continuará pensando de forma esporádica, mas se não tomar uma atitude, seu pensamento será em vão.
    Daí um dia, descobrirá que tem um problema grave (isso não é uma praga, apenas uma suposição), um problema que começou há anos, fazendo seus rins trabalharem de forma mais lenta, gradativamente, até pararem de vez. Mas, você não percebeu, porque isso não estava afetando sua vida até então. Entretanto, agora afetará, e você terá que tomar medidas drásticas para remediar essa situação. 
     Agora, vamos pegar esse corpo humano e transformar em um estado, pegar esses órgãos vitais e transformar em órgãos públicos, trocar a desatenção com a saúde pelo sucateamento dos serviços e então esse corpo será o Rio de Janeiro, um estado com falência múltipla dos órgãos. Sem segurança, saúde ou educação. Mesmo que o "cérebro" não perceba. E, assim como no corpo humano, como o orgão mostra pro cérebro que algo não está bem? Como ele se faz notar? Parando! Eis aí o embasamento científico para a greve.
     Resumo de um dia no Rio de Janeiro: O professor que passou o dia de pé em salas de aula sem ar-condicionado, escrevendo com um piloto que comprou com recursos próprios sem poder nem sequer fazer uma pausa para beber água já que o abastecimento da escola foi cortado vai ao mercado, mas não consegue comprar o que precisa já que seu salário não foi pago, assim como o de vários servidores públicos. Na saída é assaltado por um desempregado desesperado e por não ter o que entregar acaba sendo esfaqueado, vai parar na UPA local, mas, após 3 horas de espera ele descobre que a unidade não dispõe nem sequer de gaze para um curativo. Bem, isso foi só uma simulação, mas fala a verdade, pareceu muito longe da realidade?
     E mesmo com um Estado em estado de calamidade, com uma criminalidade mais bem armada e organizada que a polícia, com hospitais que não tem equipamentos básicos para o atendimento, com escolas caindo aos pedaços e funcionários públicos com salários atrasados, ainda somos obrigados a olhar milhões e milhões sendo gastos em obras para atender estrangeiros que virão para as Olímpiadas. Obras que se mostrarão tão inúteis quanto as feitas para a Copa do Mundo de 2014, que desabrigaram famílias para sua construção, mas continuam sem uso até hoje.
      E é por isso que o povo precisa parar, sim, o povo precisa protestar, mostrar a cara e se fazer ouvir. Lembrar aos governantes que nós somos os patrões. Lembrar que nós somos as ingrenagens que movem esse relógio, mas que ao contrário do relógio, não trabalhamos de graça. Então, se uma greve se por entre você e seu objetivo, não diga que ela é composta por vagabundos ou coisa do tipo, se lembre que somos parte do mesmo corpo e se o dedão do pé sofre uma inflamação, o corpo inteiro fica com febre. Mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião.


"Pois o operário é digno do seu salário - Lucas 10, 7"

"Para todo esforço há fruto, muito palavrório só produz penúria. - Provérbios 14, 23."

Ass: Bruno Santos

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