sábado, 5 de maio de 2018

Estraga Prazeres


No ano de 1895, o primeiro documentário em curta metragem na história do cinema foi exibido pelos irmãos Lumière, o que lhes conferiu o título de primeiros cineastas. Desde então essa forma de arte vem surpreendendo e encantando gerações.


Roteiro, atuação, fotografia, efeitos especiais, cenário, sonoplastia, direção, etc. É grande a quantidade de profissionais envolvidos no processo que coloca um filme no cinema. Atualmente, existe toda uma indústria que movimenta bilhões ao redor do mundo, gerando entretenimento para a população disposta a pagar o preço que - ao passar do tempo - só aumenta nas bilheterias. Entretanto, esse texto não tem como objetivo falar da indústria cinematográfica em si, a intenção é falar sobre outra coisa...

Eu nasci nos anos 90. Assisti Digimon e Dragonball Z na extinta TV Globinho, desenhos cujo final de cada episódio era marcado por prévias do que aconteceria no próximo e cujo nome de cada episódio já era um grande spoiler, como por exemplo "Goku se sacrifica! Só existe uma chance!", "Morre Vegeta! Um orgulhoso Saiyajin" e "Goku finalmente se transforma no Lendário Super Saiyajin". Sinceramente, isso não me incomodava nem um pouco na época, entretanto, nós crescemos e nossas perspectivas sobre algumas coisas se modificam. Um certo filme foi primordial para mudar o meu ponto de vista sobre isso.



Duas pessoas acordam em um banheiro, elas estão acorrentadas, em uma televisão um boneco macabro lhes passa instruções sobre o que devem fazer para sair de lá e diz a icônica frase "Que os jogos comecem". Sim, Jogos Mortais mudou minha visão sobre spoiler. A experiência que aquele filme me proporcionou me fez pensar no quanto eu perderia se eu conhecesse seu desfecho antecipadamente. Sentimento que se renovou quando eu assisti o filme Clube da Luta. Quem assistiu sabe do que estou falando! A vontade de ver o filme novamente para poder prestar atenção no que não tinha visto antes é empolgante e é a esse ponto que quero chegar.

Filmes mexem com emoções, nos fazem ver os personagens como pessoas, coloca-nos no lugar deles. Não se trata apenas de uma experiência audiovisual, mas de uma experiência de introspecção, de olhar para nossas próprias vidas através da vida de um personagem fictício e rever conceitos, princípios e práticas. Bem, isso falando de um filme de cerca de uma hora e meia, no máximo três horas de duração. Agora vamos mudar de patamar.

Falemos de um universo, com dez anos de existência, com atores que interpretam os mesmos personagens há tanto tempo que fica difícil dissociá-los. Personagens por quem se tem carinho, admiração e respeito. Cargas emocionais altíssimas. Bem, tudo isso existe em Vingadores: Guerra Infinita.

Um filme de Blockbuster que não pretende ser educativo nem sequer concorrer a um Oscar. Só quer vender ingressos e todos os produtos possíveis e imagináveis que levem a sua marca. Parece uma bobeira para você que façam jejum de internet para evitar saber o que vai acontecer no filme? Para mim não, pois isso tem a ver com a experiência individual da pessoa com o filme.

Para alguém que espera a continuação de uma história há meses ou que leu os quadrinhos e espera para ver aquilo no cinema há anos, um spoiler equivale a uma invasão, como se você abrisse o exame e dissesse o sexo do filho dele antes da hora. Se você teve a sorte de ver um filme na estréia, não prejudique a experiência do seu colega. Deixe ele desfrutar de cada cena, rir de cada piada e se surpreender com o final da mesma forma que você pôde.


Quem dá spoiler é carente e quer chamar atenção, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass:

Bruno Santos

Fontes: