terça-feira, 3 de novembro de 2015

Juntando as Diferenças



     Brasil, um país com tanta miscigenação, onde é praticamente impossível encontrar uma pessoa sem vestígios de DNA Afrodescendentes, no entanto, um país tão preconceituoso, racista. E quando eu chamo o país de racista, não estou falando que os brancos ou pardos do país são racistas, estou falando realmente de todos, até os negros tem preconceitos entre sí, e não podemos negar. 
     Os casos com maior repercussão na mídia foram os do goleiro Aranha que foi chamado de "macaco" por uma torcida na qual existiam vários negros e atualmente, o caso da atriz Tais Araújo que recebeu comentários racistas na foto de seu perfil em uma rede social. Sendo eu um representante da classe (negro), já recebi muitos olhares desconfiados, e já ví muitas senhoras apertando as bolsas contra o peito ao me ver chegar, e mesmo assim, na minha primeira (e única até hoje) tentativa de assalto fui abordado por um rapaz branco de cabelos loiros. Isso porque o caráter das pessoas não se mostra pela cor da pele.
     Hoje em dia, não é difícil encontrar pessoas negras com traços de DNA europeu ou oriental, assim como facilmente vemos casais caucasianos com filhos de aparência mestiça devido sua ascendência. Um pais onde não se pode distinguir a etnia de uma pessoa apenas com o olhar, já deveria estar livre de qualquer tipo de preconceito há décadas, porém, o brasileiro ainda não foi capaz de rasgar o véu das aparências que faz questão de dividir seres humanos em grupos. E não pense que são apenas grupos raciais ou sociais.
     Os roqueiros, os flamenguistas, os nerds, etc. Não passam de títulos criados pela sociedade para identificar os diferentes grupos de pessoas que gostam de diferentes tipos de música, times ou outros aspectos da cultura pop, esses grupos criaram um palavreado próprio, um estilo de vestuário e até hábitos que se divergem, entretanto em nada tem diminuída sua dignidade ou seu valor como pessoa. O esteriótipo que alega que uma jovem que se diverte ouvindo funk é de classe média baixa e mora em uma comunidade ou favela é tão falso como o que diz que toda loira é burra ou que mulher dirige mal. Mas como o homem teme o que não conhece, tudo que se apresenta como diferente se torna algo ameaçador e que deve ser contido.
     Sendo assim, podemos chegar a conclusão que, todo o ser humano faz parte de um grupo, que é discriminado por outro grupo, que por sua vez discrimina outro, ou até outros. Desta forma envolvendo todo ser humano em uma teia de preconceito sem fim, tornando finalmente todos iguais. Um bando de sem noção que acha que pode ser melhor que alguém. Imagine que um homem comum é tido como estranho por um que acha que ser normal é desperdício, esse seria tido como pooser por um homem declaradamente estranho, que por sua vez seria tido como alguém perigoso para os religiosos, que mais tarde seriam hostilizados pelos ateus de quem o homem normal procura não se aproximar para evitar ser hostilizado.
     Todos temos defeitos e qualidades, estes são adquiridos, ao longo da vida podemos muda-los com força de vontade, mas características, como cor da pele, ou naturalidade são imutáveis, não é justo julgar alguém por algo que a pessoa não optou ter, não é justo que isso se sobreponha a todas as escolhas que a pessoa já fez. Escolher ser honesto, sincero e amigo tem mais peso do que ser paulista ou carioca, loira ou morena, corintiano ou santista, isso você não escolhe, mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos
Postado em 06/09/2014 Modificado em 03/11/2015