segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Transmimento de Conheceção pela Lonjura.


     No século passado as cartas dominavam, elas traziam as boas e más notícias, comunicavam sobre casamentos, nascimentos e batizados. Elas avisavam sobre os filhos que estavam voltando e sobre aqueles que não voltariam jamais, muitos conhecimentos eram transmitidos através das cartas, a partir do ano de 1950 se chegou ao ponto de oferecerem cursos por correspondência.
      Eu que nasci na década de noventa, enviei algumas cartas, e via sempre os folhetos que ofereciam cursos como corte e costura, música, eletricista, mecânico, bombeiro hidráulico, fotógrafo, entre outros. Sempre achei aquilo interessante, mas nunca levei muito a sério, mesmo com minha tenra idade, não achava seguro depender da eficiência dos correios para receber algo pelo que eu paguei. Talvez eu me sentisse mais seguro comprando o método na banca de jornal. As experiências que tive com compras a distância posteriormente vieram a confirmar todos os meus medos.
     A partir dos anos 2000 comecei a ouvir um rumor sobre algo chamado internet, seja lá o que fosse, estaria longe da minha realidade até que alguns anos depois minha pequena escola municipal no alto do Morro do Céu recebesse um laboratório de informática. A professora nos ensinou a ligar e desligar a máquina, o nome dos periféricos de entrada e saída e nos pôs em duplas para jogar uns joguinhos educativos que "ensinavam" matemática. Em 2004 eu viria a fazer meu primeiro curso de informática, foi quando fiz meu primeiro e-mail, que foi pelo hotmail, o que me concedia acesso ao MSN, não que eu tivesse com quem conversar na época, mas eu tinha MSN, isso era status. Dois anos depois eu faria minha conta no Orkut e sem nunca ter tocado uma câmera digital, pediria a uma amiga para tirar minha foto e postar no próprio mural para que eu pudesse copiar e usar como perfil, espero que isso não tenha causado problemas para ela.
     Hoje as coisas são diferentes, crianças de três anos tem acesso ã internet, estudantes deixam de entregar trabalhos no colégio alegando que ficaram sem internet, cada suspiro que damos é publicado. Conheço jovens de 15 anos que acreditam que a única função dos correios seja entregar contas. E o ensino a distância continua, mas agora utilizando essa ferramenta. É possível inclusive cursar uma faculdade on-line. Mas, será que esse é um método confiável? Será que esse curso tem a mesma qualidade de um presencial? Um certificado de conclusão de um curso a distância teria o mesmo valor que o certificado do presencial para o mercado de trabalho?
     Apesar do que muitos pensam, o ensino via internet requer dedicação igual ou superior à necessária para os cursos presenciais. Para administrar o ritmo dos cursos on-line o aluno precisa ter um sentido de organização e de administração de tempo bastante apurado, afinal, neste sistema ele é quem decide o quê, quando e como estudar. Tornando, portanto, esse método de ensino inviável para quem não possui auto disciplina ou foco. Entretanto, existem pessoas a quem ele tem aberto as portas do ensino superior de uma forma que ainda não tínhamos visto no país. São donas de casa, aposentados, portadores de necessidades especiais, trabalhadores por escala, pessoas que já tinham deixado de lado o sonho do ensino superior, mas agora correm atrás do prejuízo.
     Um dos grandes tabus sobre a validade do ensino a distância é a ausência do convívio social com outros alunos e a troca de experiências, as quais, segundo muitos professores e universitários, são responsáveis por desenvolverem nos alunos uma bagagem que é impossível estando apenas com um tutor no chat da plataforma universitária. Nas se você pensar bem, vivemos na hera da conectividade, ninguém no nosso planeta está longe de mais, desde que tenha uma boa conexão. Se pessoas se conhecem, namoram e casam pela internet, não seria a distância que os impediria de trocar suas experiências e conhecimentos na faculdade on-line. Sem contar que vários cursos oferecem tutorias presenciais afim de promover interação dos alunos e existe ainda a possibilidade de se criar grupos de estudos independentes para uma ou várias matérias.
     Ainda existem muitos desafios, a qualidade e preço da internet no Brasil, o layout confuso que algumas faculdades oferecem aos seus alunos on-line, materiais didáticos pouco aprofundados, dificuldades culturais em relação a procura de conteúdo por conta própria, que é uma parte primordial desse ensino onde você não tem um professor cobrando e "ameaçando", mas sinceramente, o maior obstáculo é a falta de motivação. O sentimento de ser um peixe fora dágua ou intruso é o que faz com que pessoas desistam de seus sonhos e se conformem com a calmaria da mesmice temendo as tempestades da mudança.
     Para essas pessoas um recado. Se você nunca viver seu sonho, ele será apenas um sonho, mas no dia em que você olhar para trás e perceber que era possível, que não era tarde demais, você vai ganhar um belo vazio no peito, e aquele sonho se tornará um fantasma que vai te seguir até o fim dos seus dias, todos os dias pessoas superam adversidades muito maiores que as suas, se você quiser algo o suficiente para se sacrificar por isso, você será capaz, se você pode fazer uma faculdade presencial, faça, se você só pode fazer uma faculdade a distância, faça essa, só não fique parado esperando o tempo passar, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

Fontes:

http://www.ead.com.br/ead/educacao-a-distancia-para-deficientes-conheca-seus-pros-e-contras.html

http://noticias.universia.pt/educacao/noticia/2015/05/08/1124716/descubra-pros-contras-educaco-online.html