Expressando opiniões próprias sobre assuntos relevantes e provocando a reflexão sobre situações cotidianas em textos que procuram fazer sentido através de uma linguagem simples, mas que pode te levar a um grande aprofundamento.
sábado, 18 de junho de 2016
Com que touca eu vou?
terça-feira, 22 de março de 2016
Geração Desconstrução
Rolha de poço, loira burra, macaco, macumbeiro, bicha, favelada, piranha. Se você nasceu durante, ou antes, dos anos 90 já escutou todas essas expressões. Talvez uma delas já tenha sido direcionada a você.
Acontece que estamos vivendo em uma geração diferente. Gordofobia, Racismo, Machismo, Xenofobia, Preconceito Linguístico, Social, Cultural, são conceitos que não eram divulgados nessa época. Eu disse NÃO ERAM DIVULGADOS, não disse que não existiam, obviamente. Eu mesmo fui chamado de baleia por boa parte da infância. Sinceramente, sabia que existiam coisas piores das quais ser chamado e geralmente reclamar só fazia as coisas piorarem, então, eu aceitei quieto e segui minha vida. Não tenho condições técnicas de analisar as consequências disso em minha forma atual de ver o mundo ou a mim mesmo, mas provavelmente é diferente da forma de alguém que não sofreu qualquer agressão.
Hoje, estamos na era da informação, onde cada espirro das “celebridades” é divulgado mundialmente, cada início e término de namoro ou saída de casa sem vestimentas tidas como “adequadas”. Se é assim para as coisas fúteis, precisa ser para coisas primordiais como direitos humanos e civilidade. Vejo muitas pessoas reclamando nas redes sociais e apelidando essa de Geração “MiMiMi”. Apontando seus “adeptos” como reclamões incansáveis que nunca estão satisfeitos com nada. Alegando que no tempo deles era diferente. E era, mas as coisas sempre mudam.
Quando eu era mais novo, ser Nerd era motivo de vergonha, hoje é cult. Nós cantávamos “Au au au, vai descer quem mora mal” quando nossos amigos desciam do ônibus no passeio (mesmo que morassem apenas uma rua antes de nós), hoje estaríamos todos presos. Nós achávamos demais quando aparecia um pedacinho de seio na Sessão da Tarde, hoje você vê pornografia pra todo lado, querendo ou não. Naquele tempo levar dois reais para a escola fazia de você um Playboy, bem, ainda faz se você for universitário, mas essa quantia não compra mais o que já comprou.
O ponto em que eu quero chegar aqui é: somos as mesmas pessoas, vivendo no mesmo mundo, mas agora com voz. Uma voz que deve estar resguardada por uma amplitude de conhecimentos, mas, basicamente voz é o que temos.
Se a alguns anos você comprasse um produto e este apresentasse um defeito suas opções eram ir na loja ou procurar o PROCON. Hoje em dia você pode falar diretamente com o fabricante e, acredite, isso pode resolver os seus problemas, afinal, que marca quer ficar mal falada na grande rede? Nenhuma! A sua opinião é um poder que as marcas temem, principalmente se você souber como expressá-la. Que o digam os YouTubers que estão ganhando a vida simplesmente expressando opiniões em vídeos, atitude que parece ter entrado para a cultura mundial de forma definitiva.
Ser discriminado por um professor, policial ou funcionário de loja pode resultar na demissão e até prisão do mesmo, isso apenas com o auxílio de uma simples câmera de celular. Essa é uma nova etapa no desenvolvimento humano. Obviamente o nível ideal será aquele em que ninguém descriminar ninguém, mas até lá, nos contentamos em ver punidos os que levam a diante essa cultura de ódio e segregação.
A internet é um espaço democrático onde a pessoa com acúmulo de tecido adiposo pode enaltecer a beleza de suas curvas; a negra pode se apoderar da cultura afro e conclamar seu protagonismo; assim como a feminista pode exigir um tratamento igualitário para si em relação aos homens que exercem a mesmo função que ela em seu emprego, mas inexplicavelmente recebem mais. Essas pessoas sabem que o fato de algo ter se tornado “normal” não a torna boa e estão lutando a sua maneira para que as coisas mudem. Lutando contra esses preconceitos com os quais vivemos a tanto tempo que passaram a ser confundidos com opinião.
Entretanto, as postagens e textos gigantes nas redes sociais não podem ser tidos como meio único de divulgação. Eles devem se traduzir em atos concretos também no nosso cotidiano. Devem se transformar em conversas em filas de supermercado, pautas de reuniões de família e amigos. Pois só se pode combater aquilo que se conhece, só se pode decidir se algo é certo ou errado depois de debater amplamente esse assunto e desconstruir preconceitos naturalizados pela reincidência, mas essa é apenas a minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos
Ajude na divulgação da página compartilhando esse texto, e conheça nossa página do Facebook clicando no link.
sábado, 14 de novembro de 2015
Voltando Para Casa - Parte III (ou Pó, Maconha e Haxixe!)
No caminho vou no contra-fluxo da multidão, são universitários, trabalhadores e universitários/trabalhadores em sua maioria, voltando para suas casas depois de um dia produtivo. Tiro as chaves do bolso um quarteirão antes da minha rua, parecer um morador é imprescindível, pois meu rosto ainda é pouco conhecido. Ao chegar no pé da escadaria ouço uma pergunta sendo gritada do alto do morro: "Pó, maconha ou haxixe?". Subo de cabeça baixa sem fazer movimentos bruscos e ignorando o que ouvi. Ao atravessar o portão percebo que o vendedor não desanima e segue oferecendo seus produtos a quem quer que passe: "Pó, pó, pó! Pó, maconha e haxixeeee!" ele grita, como um camelô qualquer em seu ponto de venda.
Me sinto sortudo por não precisar passar perto dele para chegar em casa, mas admito minha curiosidade. Gostaria de ser invisível (ou mais corajoso) por alguns minutos para passar entre aqueles jovens e olhar atentamente o rosto de cada um. Queria saber que idade eles têm, suas aparências e o que sonham.
Quando finalmente pisei dentro de casa, comecei a me questionar: Esse "mercado a céu aberto" é muito diferente dos leilões de escravos, que há 250 anos os ofereciam nas praças públicas como uma mercadoria? Ou seria essa apenas uma continuação daquela cena? Não seriam esses jovens bisnetos e tataranetos daqueles escravos que, ao serem “libertos” em 1888, acabaram vendo-se presos a uma situação de extrema pobreza, abandono e preconceito de uma sociedade que se negava a pagar pelo trabalho de alguém que a alguns anos nem gente era? Não seriam esses jovens a descendência daquele povo de pele escura que em busca de um pedaço de chão para chamar de seu subiu os morros? Jovens herdeiros do analfabetismo, do medo e do sentimento de inferioridade, que agora encontram no tráfico uma oportunidade de alcançarem os padrões de vida inalcançáveis que a novela das nove mostra. Menores infratores que querem ter as roupas de marca, o celular, o tênis e a pele branca do garoto de classe média que faz cooper no "calçadão" de Icaraí. Alguns dizem: "Mas se ele trabalhar e juntar dinheiro ele vai poder comprar ", "Também existe branco pobre e bandido, isso não é desculpa" ou ainda "Brancos e negros têm a mesma capacidade intelectual, se o garoto negro e pobre estudar e o branco não, o negro passará no vestibular e o branco não".
Respeito os argumentos, mas não preciso concordar, até porque os dados não concordam e, segundo os dados, 54,9% da população do Brasil é parda ou negra e, mesmo assim, apenas 8,8% dos graduados em curso superior são negros. Querem que eu acredite que os outros negros são preguiçosos e não tiveram força de vontade para estudar? Certo! Eu vou dizer o que eles NÃO tiveram: uma escola que os ajudasse a desenvolver seu potencial, merenda, professores bem remunerados (que não precisassem fazer greve) e, principalmente, eles não tiveram fé em sí mesmos.
Que as favelas são as atuais senzalas, não é difícil perceber, afinal, de onde vem a mão de obra que enriquece os burgueses, donos dos meios de produção? E o que é o tráfico se não uma armadilha fantasiada de quilombo, que promete liberdade, mas acaba aprisionando mais? Promete aos jovens dinheiro e poder, mas os faz reféns das comunidades, do onde não podem sair se não presos ou ensacados.
E enquanto isso os porteiros, motoristas de ônibus, PMs, vendedores de água e lixeiros, moradores de comunidades e de bairros pobres, garantem a manutenção da qualidade de vida dos empresários, juízes e deputados, esperam pelas migalhas que o governo mandará para poderem subsistir. Seriam então as cotas raciais a solução definitiva para a desigualdade na educação brasileira? De forma alguma, mas é melhor do que nada! Porque tem sido a forma de inserir os negros em um serviço público ao qual eles não estavam tendo acesso. Jovens infratores devem ficar sem punição por seu crimes? Claro que não! Mas não seria mais lógico olhar para esses jovens, dando-lhes o auxílio necessário, antes que eles entrassem para a vida do crime? E, se entrarem, que a intenção das instituições não seja punir por punir e sim educar, dar uma nova perspectiva, mostrar que existem outras opções e que elas são alcançáveis.
Aquele jovem na boca de fumo poderia ser eu, se eu não tivesse recebido de minha família (porque do governo não recebi nada!) todo o incentivo e estrutura necessários. Se eu não tivesse visto tantos jovens morrerem e percebido que essa vida de crime não valia a pena. Se eu não tivesse recebido uma formação cristã que me ensina a fugir de tudo aquilo que me aprisiona e que a verdadeira liberdade eu só encontro em Jesus. Mas, quando eu vejo (ou ouço) um traficante e me omito de meu papel de mostrar para ele que existe um outro caminho, que tipo de cristão eu estou sendo? Quando vejo um mendigo e atravesso a rua, eu estou sendo mais humano que ele? Quando vejo um grupo de jovens negros e acredito que eles sejam dignos do meu medo, que tipo de pessoa eu sou? Sou fruto daquilo que a sociedade me ensina. Eu, um negro, que aprendi desde pequeno que os negros nas novelas constituem sempre o núcleo pobre, são perigosos, de cabelo “duro” e nariz largo demais.
Eu, que durante uma parte da infância, ao ouvir a típica pergunta: "O que você quer ser quando crescer?" cheguei a responder algumas vezes "Branco". Agora busco uma metanóia que me ajude a me libertar das imposições sociais e esteriótipos desse país. Tento vencer pelo meu próprio esforço (deixando bem claro que não defendo a meritocracia), contrariando as estatísticas. Tento ser um jovem negro, universitário que não estará entre os outros negros que são 77% das vítimas de homicídio. E enquanto isso, aquele jovem continuará no topo da escadaria, esperando os filhos dos empresários, juízes e deputados que sobem o morro para comprarem pó. “Pó, maconha e haxixe."
sábado, 15 de agosto de 2015
Preconceito vestuário.
-Mulher jovem usando terninho azul marinho com aparência de uniforme, cabelo preso em um rabo de cavalo e bolsa de tamanho médio, saindo da estação das barcas: recepcionista que trabalho no Rio.
-Moça com saia longa e estampa indiana, camiseta preta lisa, enorme bolsa de pano, cabelos secos e com bastante frizz, três dreadlocks pendendo na parte de trás, passando em frente as barcas e indo para a direita: estudante da área de humanas da UFF a caminho do terminal.
-Adolescente com boné de aba reta, camisa pólo listrada, bermuda tactel e sandália Kenner indo na direção do terminal: está indo para São Gonçalo.
-Casal. Ambos bem vestidos, de mãos dadas conversando animadamente. As 19h, passando em frente ao bicicletário das barcas no sentido BayMarket: saíram do trabalho e se encontraram para irem ao cinema.
-Homem adulto, barba mal feita e roupas sujas, sentado no chão ao lado de um pedaço de tecido cheio de peças de artesanato. A quinze metros de distância percebo que ele aborda os transeuntes que passam os olhos pelo tecido ou qualquer um que passe a menos de três metros. Contornar para passar a sete metros.
Bem, agora você sabe o que acontece na minha cabeça enquanto eu estou andando na rua, ou ao menos tem uma ideia. As coisas são mais rápidas, a resposta precisa ser imediata. São pessoas distribuindo panfletos, fazendo pesquisas, oferecendo cursos, vendendo doces, conversando distraídas carregando bolsas enormes, tem os tipos suspeitos e os que ME olham como se eu fosse um tipo suspeito. Tudo exige atenção.
Sou um tanto quanto metódico analisando as pessoas, chamam isso de pré-conceito, mas todos nós fazemos suposições diante de algumas circunstâncias e como todos, as vezes acerto, mas as vezes erro feio. Normalmente os erros são culpa da falta de senso das pessoas. Quando você vê um jovem com uniforme escolar imagina que ele está indo ou voltando do colégio, é um pensamento lógico. Quando você vê alguém passando com um capacete próprio para motocicletas na mão, você imagina que essa pessoa tem uma moto, nada de estranho nisso. Ver alguém passando com um violão na mão confere automaticamente a pessoa o título de músico, e com o resto da roupa identificamos o estilo musical do mesmo, se é pagode, roque ou gospel. Bem, já ví jovens uniformizados curtindo uma praia em horário escolar, já ví uma moça pegar ônibus com um capacete de moto debaixo do braço e eu mesmo já andei por ai com um violão debaixo do braço sem saber tocar nem uma unica nota. Ou seja, nem todo pré-conceito se autocumpre. E como já dito anteriormente: as vezes eu erro feio!
Ultimamente quem mais tem me feito errar são as mulheres que usam roupa de ginástica, EM QUALQUER LUGAR. Confesso que isso me irrita um pouco, vou no supermercado, tem mulher com roupa de malhar, passo por uma faculdade de direito, tem mulher com roupa de malhar, vou no cinema... acho que deu pra entender. Tudo na vida tem uma hora e local apropriado, nisso, se enclui a escolha dos tipos de roupas que se veste para determinadas ocasiões. Não se deve ir para a igreja com roupas decotadas ou transparentes, isso tira o foco do centro da celebração e pode levar outros a pecar, não se vai para a praia de terno e gravata e nem de bermuda tactel para um casamento.
A forma como uma pessoa se veste não define a natureza dela, mas reflete o tipo de escolhas que ela fez na vida, vivemos tempos complexos, mais do que nunca, não sabemos quem é quem de verdade, suas roupas podem ser o único recurso que alguém vai ter a disposição para decidir te ajudar ou não, te pedir ajuda ou não, querer estar contigo ou não. Sei que parece hipocrisia se vestir pensando no que os outros vão pensar, mas se o que os outros pensam não fosse um problema poderíamos todos andar nús, os índios fizeram isso por centenas de anos e não tiveram problemas com isso, mas os portugueses tinham! Os outros ditam muitas regras em nossa vida, mesmo que não percebamos. Se você se sente confortável da forma como se veste, se as pessoas que te vêem tem uma noção real daquilo que você é, então você está bem vestido(a), mas isso é apenas a Minha Humilde Opinião.
ASS: Bruno Santos
domingo, 21 de junho de 2015
Uma pedra no caminho
Um dia a alguns anos atrás, milhares de anos para ser mais preciso, uma pessoa ( provavelmente em um momento de crise) se pegou pensando na razão para ter nascido. A maior parte das pessoas acredita que esse alguém tem nacionalidade grega, na falta de uma teoria melhor essa seguiu se propagando, afinal, se os gregos não se importam por terem um compatriota tão desocupado que não pôde pensar em nada melhor pra fazer da vida além de pensar na vida, quem iria discutir?
Por fim, esse sujeito que passou horas pensando ficou com fome e foi fazer uma boquinha na casa de um amigo que morava por perto, depois de se satisfazer expôs sua questão, acreditando que duas pessoas pensariam melhor no assunto, mas ao invés de somar forças somaram apenas suas próprias dúvidas tornando a questão ainda mais complexa. Agora a pergunta era: qual o sentido da existência? Afim de acabarem de uma vez por todas com a dúvida os amigos foram até o conselho dos anciãos da cidade, que davam as respostas para as perguntas mais complexas como "que horas são?", "vai chover hoje?" e a mais desafiadora que tinha aparecido até aquele dia, "de onde vêm os bebês?". Após ouvirem a pergunta e deliberarem por alguns instantes os sábios chegaram a uma conclusão que acabou não sendo tão conclusiva, já que cada um dos membros do conselho havia inventado uma teoria diferente, na verdade nenhum deles sabia a resposta, mas ninguém queria ficar por baixo.
As várias respostas foram divulgadas e recebidas pelo povo com alegria, já que agora tinham descoberto um motivo bem mais nobre para fazer aquilo que vinham fazendo por toda a vida, fosse respirar, comer, guerrear, buscar conhecimento, agradar uma força superior ou qualquer outra ramificação que surgiu a partir das tais respostas. E assim começou a busca do homem pelo sentido da vida, pela razão de sua existência. Busca que percorreu todo o lugar por onde um homem convicto já passou. Por vezes dois homens convictos de pontos de vista diferentes se cruzavam, mas aquele que tivesse a resposta mais convincente ou o maior exército acabava convencendo o outro, juntamente de seu povo caso este sobrevivesse, e assim ele seguia espalhando o sentido da vida ( ou só a própria opinião). Por vezes opiniões se uniam e davam origem a respostas bem mais complexas e fundamentadas. Essas costumavam sobreviver por mais tempo.
Por fim, chegamos ao nosso tempo, cerca de 2015 anos depois do dia no qual nasceu um homem chamado Jesus, que com suas palavras foi capaz de formar homens convictos o suficiente a ponto de fundarem a mais sólida instituição religiosa do planeta, em um tempo onde todos possuem o direito constitucional de expressarem e viverem suas crenças abertamente, sem temer represálias ou retaliações por parte do estado. E ainda hoje nós recebemos a notícia de que uma criança foi apedrejada por vestir trajes correspondentes a sua religião. Confesso que não acredito que o RETRÓGRADO que atirou aquela pedra tivesse a intenção de acertar específicamente a menina, ele simplesmente à jogou em um grupo de pessoas pensando em acertar alguém. Mas o que ele com certeza não pensou naquele momento foi que o país inteiro ficaria sabendo desse ato bárbaro, e mais ainda, que o país inteiro ficaria contra ele.
Na verdade se essa pedra tivesse acertado um dos adultos esse caso teria passado despercebido, pos a imprensa não teria interesse. Criança, bicho, mulher bonita, futebol e desgraça são as únicas coisas que vendem jornal nesse país, mas não necessariamente nessa ordem. E enquanto essa situação estiver chamando atenção ela será usada, mas quanto tempo será que isso dura? Em quanto tempo os brasileiros vão deixar de se interessar pelo caso? Digo que não perceberemos, assim como não percebemos as agressões que acontecem diariamente contra cristãos católicos, protestantes, cardecistas, mães de santo e até contra ateus, por que o jornal não quer mostrar isso. O jornal quer mostrar menores com armas brancas, homofobia e infrações à lei Maria da Penha. Essas são as bolas da vez.
Enquanto o agressor de crianças não é localizado, se é que vai ser, só posso esperar que ele reveja nas diretrizes de sua igreja, seja ela qual for, onde está escrito que pessoas de outra religião devem ser apedrejadas, espero que ele não encontre isso por lá e viva melhor sua religiosidade, pois ela não servirá para tornar o mundo um lugar melhor se não tornar a ele uma pessoa melhor antes, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos.
sábado, 9 de maio de 2015
Um Jovem Negro
Caminhando de volta para casa em um sábado a noite, corri para atravessar a rua tendo em vista que o sinal acabara de abrir e os carros começavam a se mover em minha direção. Para minha surpresa, fui recepcionado do outro lado por uma senhora idosa que, ao me ver, correu para se esconder atrás de um poste e com as costas contra a parede se pôs a me olhar com um terror nos olhos que me faria achar que ela estava vendo algum tipo de demônio montado nos meus ombros... mas eu sabia o que ela estava vendo: um garoto negro correndo em sua direção. Continuei caminhando, fingindo que não tinha percebido aquela reação. Trinta metros a minha frente, uma viatura ostentava suas ofuscantes luzes vermelhas com dois agentes em seu interior.
Lembrei de uma reportagem que havia chamado minha atenção mais cedo enquanto eu lia o jornal: um homem que, durante uma abordagem policial, havia sido alvejado com um tiro na bochecha, aparentemente por estar sem documentos. Me perguntei se a alta taxa de melanina presente na pele do abordado teria alguma relação com o desfexo dessa triste história. Não pude evitar que um "E se" passasse pela minha mente e, devidamente instalado, ele tratou de se multiplicar resultando nas seguintes perguntas: E se aquela senhora tivesse a mesma reação em frente a viatura? E se eu fosse abordado? E se os policiais simplesmente não fossem com a minha cara?
Já ví muitas mulheres apertarem as bolsas contra o peito ao me verem passar, já ví pessoas atravessarem a rua ao verem minha aproximação na direção oposta pela rua escura, já fui seguido por guardas em supermercados e revistado em lojas de departamentos. Não vou perguntar se tenho cara de bandido, pois não acho que caráter seja fisionômico. Se fosse os políticos precisariam apresentar seus históricos de cirurgias plásticas antes de se candidatarem e não precisariam abrir a boca na propaganda eleitoral, apenas se exibirem em ensaios fotográficos. Mas não é assim que funciona, somos mais do que sugere nossa aparência, somos o produto de um conjunto de fatores: sociais, econômicos, culturais, familiares, éticos e etc. Minha graduação acadêmica, profissão e fé não estão estampados na minha pele. Aquela senhora poderia estar com medo de um médico, advogado ou padre, mas ela não teve tempo para refletir sobre isso, ela estava ocupada se protegendo de um jovem negro.
Se um neto perguntasse à essa idosa se ela tem algum tipo de preconceito provavelmente ela responderia que não, assim como grande parte dos brasileiros, mas atos falam mais alto que respostas politicamente corretas. O Brasil tem mantido os afrodescendentes em situação desfavorável perante a sociedade a séculos. Somos a maior parte da população no país, mas temos uma representação mínima nos cargos de destaque das empresas, nos poderes legislativos, nos comerciais televisivos e novelas que não se ambientam em comunidades carentes. Fomos convencidos de que nosso cabelo duro é ruim, que nosso nariz deveria ser mais fino, que nossos olhos deveriam ser mais claros e que ser chamado de preto(a) é ofensivo. O plano dos escravistas para que o Brasil não se transforme em um Haiti continua funcionando.
Confesso que durante alguns minutos me culpei pela reação daquela mulher de cabelos brancos. Disse para mim mesmo que deveria ter atravessado na faixa, deveria ter corrido menos, deveria ter feito a barba pela manhã, mas desisti de por a culpa em mim. Também não pus nela, afinal, tem gente sendo morta por causa de dois reais, o medo se tornou um companheiro inseparável da população. Mas, se a culpa não é dela e nem minha, de quem é? Acho que esse medo (na verdade, preconceito) foi, e continua sendo, uma construção histórica, cultural, fruto dessa nossa sociedade dividida em classes, na qual a classe dominante lucra com a marginalização e discriminação da classe dominada. Fruto de uma sociedade que estigmatiza determinados grupos sociais, enquanto enaltece e privilegia outros. O preconceito é funcional a manutenção da nossa sociedade tal como ela é, e isso vai continuar assim para os meus filhos e netos. É triste, mas é a Minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos
Colaboração de Caroline Macedo.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Preconceito, o medo do diferente
O seres humanos são constantemente rotulados, seja pela forma de se vestir, pelo lugar onde moram, pelo tipo de música que ouvem, pelo programa de TV que assiste ou pelo simples fato de assistir ou não TV.
O motivo para isso é que existe na mente de cada Homem uma ideia pré-definida sobre aquilo que é normal. Fazendo com que tudo que se oponha ou diferencie daquela ideia seja tido como ruim, reprovável ou só estranho. As razões podem ser muitas, cultura, religião, nível social, nível de instrução, preferências pessoais, etc. Seja qual for o motivo, essas diferenças separam as pessoas em grupos, grupos que acreditam que são melhores, mais desenvolvidos, fortes, maduros, abençoados e várias outras coisas a mais que os membros dos outros grupos, em alguns casos relativamente simples, essas diferenças criam grandes obstáculos e em certas circunstâncias até ocasionam guerras.
Na verdade, o que se passa é o que já dizia a consagrada frase, "O homem teme tudo aquilo que não conhece". De certa forma, por algum tempo, esse sentimento manteve a espécie viva, o nosso medo é um mecanismo de defesa natural de autopreservação, fez com que o homo sapiens entendessem quais animais ao seu redor eram predadores, quais eram presas e quais eram domesticaveis, nos ajudando a evoluir e ampliar território. Mas hoje, esse medo do desconhecido apenas nos torna mais selvagens. Pertencemos todos a mesma raça, a raça humana, mesmo que cada um carregue suas peculiaridades, não deveria existir espaço para outro sentimento que não fosse o respeito.
Ainda assim, a jovem de vestes curtas parada na esquina de madrugada tem sua imagem ligada a de uma prostituta, o jovem que ouve funk sem fones de ouvido no ônibus é rotulado de marginal, o pastor é visto como ladrão, o padre como pedófilo, o velho como um peso morto que apenas espera pela sua morte, mas não, não é assim, e nós sabemos, as coisas podem fujir de seu padrão, tornando um pré-julgamento de uma situação ou imagem, quase uma receita para o erro. Existem negros que fazem esgrima, brancos que fazem rap, mulheres que trabalham em oficinas mecânicas e homens que trabalham de babás, idosos que participam de maratonas e crianças que tem problemas cardiacos.
Julgar uma pessoa apenas com um rápido vislumbre de sua aparência é tão errônio quanto julgar um livro pela capa. O ser humano está em constante construção. Ele tem a capacidade de mudar seus caminhos, suas escolhas e hábitos. Sendo assim, não podem ser definidos em sua totalidade por uma única característica, muito menos uma física. Mas essa, vocês já sabem, é apenas a Minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos
sábado, 3 de janeiro de 2015
Favela e Seus Complexos
O conjunto das experiências vividas, as pessoas que conheceu, os lugares por onde passou, desenvolvem no ser humano características que iram diferenciá-lo de todos os que não viveram o mesmo. Isso é o que cria a chamada identidade regional, que faz com que pessoas de um devido local apresentem um determinado "padrão" de comportamento. Pessoas de pavio curto, que falam alto em locais públicos, falam gírias em excesso ou chingam costumam ser associados ao estereótipo de favelado. Mas se quem mora na favela é favelado, quem mora em um complexo seria o que? Complexado? Faria sentido! Acredito que ambos possuem complexos, medos e inseguranças que vão muito além do que os "moradores do asfalto" são capazes de imaginar.
A cena do filme ''Era uma vez'' (direção de Breno Silveira, 2008), na qual um grupo chega à praia e dispersa os banhistas que lá já se encontravam, é um bom exemplo do que estou tentando dizer. A sociedade foi induzida a temer a favela e quem lá se encontra, colocando seus moradores a margem da sociedade. Em uma recente visita ao MAR (Museu de Arte do Rio) pude contemplar a bela exposição "DO VALONGO À FAVELA: Imaginário e Periferia", obras que não apenas encheram meus olhos, mas a minha mente, com fatos sobre os quais eu ainda não havia sido capaz de refletir com a devida profundidade. A história por trás do nascimento das primeiras favelas no Rio, as tentativas do governo de eliminá-las, as pessoas que viviam lá, o orgulho que elas tinham disso, a cultura que se criou ao redor de todas essas circunstâncias e o reflexo disso em tudo o que vivemos hoje.
Tendo crescido no bairro que hoje é mostrado nos jornais e noticiários como Complexo do Caramujo, que recentemente foi considerado o "morro" mais bem armado de Niterói, vejo como é esperado pouco dos que lá estão, fazendo com que o ingresso de um jovem de lá na faculdade seja visto com surpresa. Fico muito feliz quando vejo que um(a) amigo(a) ultrapassou essa barreira e foi capaz de vencer, com muito esforço, mesmo contra todas as estatísticas e expectativas depois de ter estudado em um colégio onde cantavam "Uh, lixeirão, entra burro e sai ladrão". O Caramujo na verdade nada mais é que um bairro localizado em uma área que constitui o chamado "mar de morros", que se caracteriza pela sucessão de vales e colinas de baixa altitude, bem como a ocupação de encostas pela escassez de áreas planas.
Cresci feliz, em um bairro que atendia a todas as minhas necessidades me repleto de ótimas pessoas, mas com o passar dos anos vi as coisas mudarem. Já não se podia chegar da rua a qualquer hora, não se podia ir a qualquer lugar, não se podia falar o que quisesse, em alguns momentos nem vestir o que quisesse. Eu vi locais que antes eram pontos de brincadeiras se tornarem pontos de vendas de drogas, eu vi rostos conhecidos na rua se tornarem rostos conhecidos das manchetes do Jornal São Gonçalo e O Fluminense, eu vi amigos queridos se tornarem amigos saudosos com um fim trágico.
Mas principalmente eu vi a esperança de um povo que acredita que os bons ainda são maioria, a fé de um povo que não deixa de ir trabalhar, estudar ou orar porque o bairro está perigoso. Eu já tive vergonha de dizer onde morava, já falei que era do Fonseca, já tive que escutar "Au au au, vai descer quem mora mal" depois de voltar de um passeio do colégio, já tive que escutar minha mãe me mandando calar a boca quando eu começava a falar do bairro no meio da rua. Mas eu era feliz. Acho que para as pessoas que cresceram na mesma época em outras comunidades tem sentimentos parecidos. Bezerra da Silva, no ano de 1992 já dizia em sua música Eu sou favela a frase:
"A favela nunca foi reduto de marginal.
Ela só tem gente humilde marginalizada,
E essa verdade não sai no jornal.
A favela é um problema social."
Ainda não posso declarar que sou um vitorioso na vida, ainda não posso voltar no bairro onde cresci e tentar servir de exemplo para os jovens de lá, mas espero chegar a isso algum dia. Não serei um jogador de futebol reconhecido internacionalmente, um ator global e nem um astro do rock, mas um cidadão de bem, trabalhador e pai de família, espero que isso seja o suficiente. Sei que me diferencio muito da maioria deles, na forma de falar, me vestir, pensar, no gosto musical e em muitos outros aspectos, mas hoje eu tenho um respeito maior por essas diferenças. Reconheço que suas características são o resultado de sua criação e sei que isso é cultural, mas eu ainda fico triste em ver as limitações impostas a eles, tanto por eles mesmos quanto pelos outros.
No dia 14 de julho de 2013 o pedreiro Amarildo de Souza foi assassinado por policiais da UPP da Rocinha. Ele, infelizmente, é mais um entre os muitos casos que retratam a violência contra os moradores de comunidades, que precisam suportar abusos de autoridades constantes, nos levando a não saber mais a quem devemos temer: se aos bandidos ou se a polícia. Não deveriam existir tiroteios ou operações violentas de invasão nestas comunidades, mas sim estratégias inteligentes que resultem em prisões e apreensões. Se for pra viver em um mundo onde eu posso ser baleado a qualquer instante em qualquer lugar que eu vá, então é melhor dar uma arma para cada cidadão e mandar que eles se virem... Mentira! Isso não seria melhor, mas é a impressão que se tem às vezes.
A UPP foi uma iniciativa boa, sim, mas apenas ela não é o suficiente! Um remédio que apenas ameniza a dor não resolve o problema, é preciso tratar os sintomas. Da mesma forma, é necessário dar melhores opções de educação e lazer para os jovens, assim, o tráfico e as próprias drogas serão vistos como empecilhos e não como uma oportunidade de renda ou fuga para a felicidade. É óbvio que os jovens que entram para o tráfico sabem que terão pouco tempo de vida, mas se essa é a única chance que eles enxergam para alcançar o tal padrão que eles assistem na TV, fica difícil esperar outra atitude que não aderir ao movimento. Mas ainda existe esperança.
Morar no morro não significa ser bandido, morar na favela não significa ser favelado, e um dia, morar no complexo não deixará ninguém complexado. Estamos prestes a eleger nosso próximo governador, que mais do que votar, nós possamos aprender a cobrar, afinal de contas, o governador nada mais é que um funcionário público que deve prestar um serviço a comunidade. Se eu tenho um empregado que ganha mais do que eu, acho que no mínimo eu vou querer que ele exerça um bom trabalho. Vamos mostrar o que nós queremos, mostrar que é o povo quem manda nesse país e que o nosso poder não termina depois do segundo turno das eleições. Sem mais, encerro essa exposição da Minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos
Com contribuição de: Caroline Macedo