quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Um Dedo de Prosa.


    O que faz de um homem, UM HOMEM? O que faz dele essa figura poderosa que vem liderando a sociedade patriarcal e machista há séculos? Que por gerações fez com que a mulher acreditasse que é o sexo mais fraco?
    Quando você vê um bebê recém nascido com roupinhas brancas, consegue dizer de cara se é menino ou menina? Ou precisa perguntar? Pêlos grossos no corpo, ombros largos, cintura quadrada, ausência de seios, são características do corpo masculino (ou da maioria). Mas não existem mulheres com essas características? Talvez não todas juntas, mas uma ou outra ao menos? Genes não são visíveis a olho nú. Quem pode apontar um XY ou XX na rua sem avaliar outros componentes físicos? Mais uma vez eu pergunto: "O que faz de um homem, UM HOMEM"? Bem, seja lá o que for, não tem nada a ver com um exame médico de rotina, nem mesmo o de próstata.
    "Os homens que querem ser rastreados devem realizar o PSA (antígeno prostático específico) no sangue. O toque retal também pode ser realizado como parte do rastreamento. O toque retal é menos eficaz que o PSA, mas às vezes pode detectar o câncer em homens com níveis de PSA normais, razão pela qual é realizado para o rastreamento do câncer. O exame de toque retal também é utilizado para determinar se o tumor pode vir a se disseminar para os tecidos vizinhos, e para detectar recidivas após o tratamento. No exame de toque retal o médico introduz um dedo, com luva lubrificada no reto para sentir a superfície da próstata que possa ser suspeita de câncer. Como a próstata está localizada na frente do reto, e a maioria dos cânceres de próstata começa na parte posterior da glândula, é possível sentir o tumor durante o exame de toque retal. Este não é doloroso."
     O ânus, esse pequeno orifício circular rugoso com finalidade excretora tem recebido uma importância que beira a idolatria, afinal, tem homens preferindo morrer que deixá-lo ser tocado. Estamos falando de biologia aqui e, biologicamente falando, a única função dessa parte do corpo é por para fora aquilo do que seu corpo não precisa mais, obviamente é um trabalho importante! Pergunte a qualquer pessoa com prisão de ventre. Ele é a etapa final do processo de nutrição que começou no momento em que você pôs a comida na sua boca. Mas, quando foi definido que ter essa parte do corpo tocada por um profissional capacitado desqualificaria um homem de sua condição?
    Uma mulher não se torna menos mulher quando precisa fazer o papanicolau, um exame extremamente invasivo e bem mais demorado que o de próstata, então, por quê a frescurinha? Eu sou jovem, ainda estou bem longe da idade com a qual esse exame é recomendado, e oro para que a medicina encontre outra forma segura e rápida de constatar esse maldito câncer o quanto antes toda vez que lembro que precisarei dele um dia. Entretanto, caso isso não ocorra, caso daqui a vinte anos esse bendito toque ainda seja necessário, não me esquivarei, não irei abrir mão de ter a oportunidade de passar mais tempo com as pessoas que eu gosto por causa de um bando de piadinhas.
    E duvido que um amigo de verdade vá rir do outro quando descobrir que ele tem um câncer em estado avançado na próstata. Assim como não riria se ele tivesse câncer em qualquer outra parte do corpo, então, não menospreze essa doença, não pense que isso só acontece com os outros ou que você é imune a ela porque nunca houve um caso na sua família. A prevenção é a única arma disponível. E se você ainda acha que seu ânus é de ouro, fique sabendo que caso essa doença seja descoberta tardiamente o tratamento exige exames periódicos mensais, ou seja, por fugir de um toque você vai ser obrigado a receber toques periódicos.

Ass: Bruno Santos.

Fonte:
http://www.oncoguia.org.br/mobile/conteudo/exames-de-imagem-para-o-diagnostico-do-cancer-de-prostata/1203/289/

sábado, 14 de novembro de 2015

Voltando Para Casa - Parte III (ou Pó, Maconha e Haxixe!)

    Mais uma vez estou voltando para casa. Não para a mesma casa, mas ainda para um lugar esquecido pelas autoridades (in)competentes que só se lembram que os pobres existem quando estes matam ou são mortos. Morrer garante um ano na memória popular, matar garante uma manchete e com "sorte" umas citações vez ou outra.
    No caminho vou no contra-fluxo da multidão, são universitários, trabalhadores e universitários/trabalhadores em sua maioria, voltando para suas casas depois de um dia produtivo. Tiro as chaves do bolso um quarteirão antes da minha rua, parecer um morador é imprescindível, pois meu rosto ainda é pouco conhecido. Ao chegar no pé da escadaria ouço uma pergunta sendo gritada do alto do morro: "Pó, maconha ou haxixe?". Subo de cabeça baixa sem fazer movimentos bruscos e ignorando o que ouvi. Ao atravessar o portão percebo que o vendedor não desanima e segue oferecendo seus produtos a quem quer que passe: "Pó, pó, pó! Pó, maconha e haxixeeee!" ele grita, como um camelô qualquer em seu ponto de venda.
    Me sinto sortudo por não precisar passar perto dele para chegar em casa, mas admito minha curiosidade. Gostaria de ser invisível (ou mais corajoso) por alguns minutos para passar entre aqueles jovens e olhar atentamente o rosto de cada um. Queria saber que idade eles têm, suas aparências e o que sonham.
   Quando finalmente pisei dentro de casa, comecei a me questionar: Esse "mercado a céu aberto" é muito diferente dos leilões de escravos, que há 250 anos os ofereciam nas praças públicas como uma mercadoria? Ou seria essa apenas uma continuação daquela cena? Não seriam esses jovens bisnetos e tataranetos daqueles escravos que, ao serem “libertos” em 1888, acabaram vendo-se presos a uma situação de extrema pobreza, abandono e preconceito de uma sociedade que se negava a pagar pelo trabalho de alguém que a alguns anos nem gente era? Não seriam esses jovens a descendência daquele povo de pele escura que em busca de um pedaço de chão para chamar de seu subiu os morros? Jovens herdeiros do analfabetismo, do medo e do sentimento de inferioridade, que agora encontram no tráfico uma oportunidade de alcançarem os padrões de vida inalcançáveis que a novela das nove mostra. Menores infratores que querem ter as roupas de marca, o celular, o tênis e a pele branca do garoto de classe média que faz cooper no "calçadão" de Icaraí. Alguns dizem: "Mas se ele trabalhar e juntar dinheiro ele vai poder comprar ", "Também existe branco pobre e bandido, isso não é desculpa" ou ainda "Brancos e negros têm a mesma capacidade intelectual, se o garoto negro e pobre estudar e o branco não, o negro passará no vestibular e o branco não".
    Respeito os argumentos, mas não preciso concordar, até porque os dados não concordam e, segundo os dados, 54,9% da população do Brasil é parda ou negra e, mesmo assim, apenas 8,8% dos graduados em curso superior são negros. Querem que eu acredite que os outros negros são preguiçosos e não tiveram força de vontade para estudar? Certo! Eu vou dizer o que eles NÃO tiveram: uma escola que os ajudasse a desenvolver seu potencial, merenda, professores bem remunerados (que não precisassem fazer greve) e, principalmente, eles não tiveram fé em sí mesmos.
     Que as favelas são as atuais senzalas, não é difícil perceber, afinal, de onde vem a mão de obra que enriquece os burgueses, donos dos meios de produção? E o que é o tráfico se não uma armadilha fantasiada de quilombo, que promete liberdade, mas acaba aprisionando mais? Promete aos jovens dinheiro e poder, mas os faz reféns das comunidades, do onde não podem sair se não presos ou ensacados.
     E enquanto isso os porteiros, motoristas de ônibus, PMs, vendedores de água e lixeiros, moradores de comunidades e de bairros pobres, garantem a manutenção da qualidade de vida dos empresários, juízes e deputados, esperam pelas migalhas que o governo mandará para poderem subsistir. Seriam então as cotas raciais a solução definitiva para a desigualdade na educação brasileira? De forma alguma, mas é melhor do que nada! Porque tem sido a forma de inserir os negros em um serviço público ao qual eles não estavam tendo acesso. Jovens infratores devem ficar sem punição por seu crimes? Claro que não! Mas não seria mais lógico olhar para esses jovens, dando-lhes o auxílio necessário, antes que eles entrassem para a vida do crime? E, se entrarem, que a intenção das instituições  não seja punir por punir e sim educar, dar uma nova perspectiva, mostrar que existem outras opções e que elas são alcançáveis.
     Aquele jovem na boca de fumo poderia ser eu, se eu não tivesse recebido de minha família (porque do governo não recebi nada!) todo o incentivo e estrutura necessários. Se eu não tivesse visto tantos jovens morrerem e percebido que essa vida de crime não valia a pena. Se eu não tivesse recebido uma formação cristã que me ensina a fugir de tudo aquilo que me aprisiona e que a verdadeira liberdade eu só encontro em Jesus. Mas, quando eu vejo (ou ouço) um traficante e me omito de meu papel de mostrar para ele que existe um outro caminho, que tipo de cristão eu estou sendo? Quando vejo um mendigo e atravesso a rua, eu estou sendo mais humano que ele? Quando vejo um grupo de jovens negros e acredito que eles sejam dignos do meu medo, que tipo de pessoa eu sou? Sou fruto daquilo que a sociedade me ensina. Eu, um negro, que aprendi desde pequeno que os negros nas novelas constituem sempre o núcleo pobre, são perigosos, de cabelo “duro” e nariz largo demais.
    Eu, que durante uma parte da infância, ao ouvir a típica pergunta: "O que você quer ser quando crescer?" cheguei a responder algumas vezes "Branco". Agora busco uma metanóia que me ajude a me libertar das imposições sociais e esteriótipos desse país. Tento vencer pelo meu próprio esforço (deixando bem claro que não defendo a meritocracia), contrariando as estatísticas. Tento ser um jovem negro, universitário que não estará entre os outros negros que são 77% das vítimas de homicídio. E enquanto isso, aquele jovem continuará no topo da escadaria, esperando os filhos dos empresários, juízes e deputados que sobem o morro para comprarem pó. “Pó, maconha e haxixe."
Ass: Bruno Santos
Textos Anteriores:
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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Juntando as Diferenças



     Brasil, um país com tanta miscigenação, onde é praticamente impossível encontrar uma pessoa sem vestígios de DNA Afrodescendentes, no entanto, um país tão preconceituoso, racista. E quando eu chamo o país de racista, não estou falando que os brancos ou pardos do país são racistas, estou falando realmente de todos, até os negros tem preconceitos entre sí, e não podemos negar. 
     Os casos com maior repercussão na mídia foram os do goleiro Aranha que foi chamado de "macaco" por uma torcida na qual existiam vários negros e atualmente, o caso da atriz Tais Araújo que recebeu comentários racistas na foto de seu perfil em uma rede social. Sendo eu um representante da classe (negro), já recebi muitos olhares desconfiados, e já ví muitas senhoras apertando as bolsas contra o peito ao me ver chegar, e mesmo assim, na minha primeira (e única até hoje) tentativa de assalto fui abordado por um rapaz branco de cabelos loiros. Isso porque o caráter das pessoas não se mostra pela cor da pele.
     Hoje em dia, não é difícil encontrar pessoas negras com traços de DNA europeu ou oriental, assim como facilmente vemos casais caucasianos com filhos de aparência mestiça devido sua ascendência. Um pais onde não se pode distinguir a etnia de uma pessoa apenas com o olhar, já deveria estar livre de qualquer tipo de preconceito há décadas, porém, o brasileiro ainda não foi capaz de rasgar o véu das aparências que faz questão de dividir seres humanos em grupos. E não pense que são apenas grupos raciais ou sociais.
     Os roqueiros, os flamenguistas, os nerds, etc. Não passam de títulos criados pela sociedade para identificar os diferentes grupos de pessoas que gostam de diferentes tipos de música, times ou outros aspectos da cultura pop, esses grupos criaram um palavreado próprio, um estilo de vestuário e até hábitos que se divergem, entretanto em nada tem diminuída sua dignidade ou seu valor como pessoa. O esteriótipo que alega que uma jovem que se diverte ouvindo funk é de classe média baixa e mora em uma comunidade ou favela é tão falso como o que diz que toda loira é burra ou que mulher dirige mal. Mas como o homem teme o que não conhece, tudo que se apresenta como diferente se torna algo ameaçador e que deve ser contido.
     Sendo assim, podemos chegar a conclusão que, todo o ser humano faz parte de um grupo, que é discriminado por outro grupo, que por sua vez discrimina outro, ou até outros. Desta forma envolvendo todo ser humano em uma teia de preconceito sem fim, tornando finalmente todos iguais. Um bando de sem noção que acha que pode ser melhor que alguém. Imagine que um homem comum é tido como estranho por um que acha que ser normal é desperdício, esse seria tido como pooser por um homem declaradamente estranho, que por sua vez seria tido como alguém perigoso para os religiosos, que mais tarde seriam hostilizados pelos ateus de quem o homem normal procura não se aproximar para evitar ser hostilizado.
     Todos temos defeitos e qualidades, estes são adquiridos, ao longo da vida podemos muda-los com força de vontade, mas características, como cor da pele, ou naturalidade são imutáveis, não é justo julgar alguém por algo que a pessoa não optou ter, não é justo que isso se sobreponha a todas as escolhas que a pessoa já fez. Escolher ser honesto, sincero e amigo tem mais peso do que ser paulista ou carioca, loira ou morena, corintiano ou santista, isso você não escolhe, mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos
Postado em 06/09/2014 Modificado em 03/11/2015


terça-feira, 27 de outubro de 2015

O Lado Bom.

     Ser blogueiro não é exatamente um Céu, principalmente quando você está em estado de anonimato e é comprometido. Não que fazer um blog seja complicado, qualquer um pode fazer um blog, mas fazer um com conteúdo é diferente.
     Quando se esta no anonimato você posta para sí mesmo e para alguns poucos amigos mais íntimos, sente que muitas pessoas que precisam daquelas palavras não as encontrarão, ou ainda que, mesmo que outro alguém mande um link, ele não será aberto. Ser comprometido significa mudar sua forma de ver o mundo, transformar tudo ao seu redor em um texto em potencial, seja a notícia que leu no jornal ou o "bom dia" recebido.
     Isso atrapalha porque te faz fazer coisas bobas como acordar mais cedo ou dormir mais tarde pra escrever um texto, ou os dois, mesmo sabendo da possibilidade dele nunca ser lido por ninguém e ainda deixar de estudar uma matéria que você precisa para pesquisar sobre o assunto de um texto, mas uma das coisas que mais atrapalha é usar o curto tempo no qual você poderia estar namorando mostrando seus textos para a namorada na esperança que ela corrija seus erros ortográficos e gramaticais te impedindo de ser tachado de analfabeto ou plagiador.
     Mas, ser blogueiro também tem seu lado bom, por exemplo, a possibilidade de usar um texto do seu blog para desejar um Feliz Aniversário para a sua namorada, dizer que ela é a sua maior inspiração e que se não fosse por ela nenhuma dessas linhas teria sido escrita. Poder dizer em público que ela é a melhor editora, produtora e conselheira que você poderia conseguir e que é grato por todas as mudanças que ela fez, não apenas naquilo que você já escreveu, mas em tudo que você já sentiu ou pensou um dia.
     Você pode usar um parágrafo inteiro para puxar o saco dela dizendo que ela é linda, inteligente, carinhosa, atenciosa, responsável, que ela te da muito orgulho por sua trajetória de vida e que você mal pode esperar para poder unir suas trajetórias e passar a ser um só com ela. Pode usar um espaço para pedir a Deus que abençoe todos os sonhos, projetos e ambições do seu coração lhe dando garra e coragem para vencer todos os obstáculos e chegando do outro lado do vale das dificuldades alguém com ainda mais fibra e com o coração ainda maius puro.
     Enfim, ser blogueiro tem seu lado bom, mas, esse lado bom é ainda melhor quando se tem Caroline Macedo ao seu lado. E essa é, sempre foi e continuará sendo a Minha (e apenas minha) Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Objetificação da mulher, primeira etapa da violência (Redação do Enem 2015)

     A violência é um resquício primitivo no ser humano moderno que o acompanha ao longo dos séculos e não parece estar próximo de ser abandonado, entretanto quando essa violência é manifestada por um homem contra uma mulher ela tem raízes diferentes das de sobrevivência ou proteção de um território/bem que os homens das cavernas possuíam.
     No Brasil essa violência teve seus primeiros registros com a chegada dos portugueses. Por não estarem habituados a ausência das roupas das indiana e terem ficado tanto tempo no mar sem sequer verem uma fêmea da própria espécie, acabaram encontrando nas índias uma chance de satisfazer seus desejos, e nesse momento consideraram o consentimento delas dispensável.
     Vendo que esses abusos atrapalhavam na relação entre os povos, os portugueses procuraram as escravas como uma alternativa. Por serem tidas como um patrimônio elas eram privadas do direito de dizer não e logo esta prática se tornou comum, mesmo entre os homens casados que deixavam suas esposas na Casa Grande para irem dormir na senzala. Com o passar dos anos não apenas a mulher negra, a famosa mulata, como também a mulher brasileira acabou se inserindo no imaginário, não apenas nacional, mas mundial, como um símbolo de sensualidade.
     Como herança disso, vivemos no país um quadro de super objetificação da mulher que não apenas é levada a expor seu corpo tal como se expõe peças de carne nas vitrines dos açougues, como também tem inserido em sí um sentimento de inferioridade em relação aos homens. Mesmo após tantos anos elas continuam tento seu intelecto subjugado em detrimento de sua aparência física e sofrendo variados e cruéis tipos de assédios, independentemente de já terem representantes entre os cientistas, presidentes e ganhadores do Prêmio Nobel.
     A Lei Maria da Penha foi um grande avanço do Brasil na proteção a suas mulheres, mas é preciso mais que punir, é preciso conscientizar, mostrar nas escolas as figuras femininas que fizeram história e provar que gênero humano tem igual valor em ambos os sexos.

Ass: Bruno Santos

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Natural, mas nem tanto.

   Um dia desses assisti uma matéria que falava sobre um país da América do Sul, que faz fronteira com o Brasil onde a maconha é liberada para venda em locais especializados e para plantio nas residências. Os produtores caseiros que cultivam para consumo próprio afirmavam que a qualidade da erva que eles adquirem é muito superior a que é vendida pelo tráfico, já que vem sem impurezas e apenas com flores selecionadas (o barato não vem das folhas e sim da flor da Canabis).
    Depois dessa matéria fui levado a uma reflexão: esse povo tem maior controle e entendimento sobre a qualidade das drogas que eles usam do que eu sobre a batata que eu como. Quando eu vou no mercado comprar legumes e encontro todos em suas respectivas posições no mostruário eu não tenho como saber de onde eles vieram, quanto tempo fizeram de viagem, a quanto tempo foram colhidos, quem produziu, que tipo de adubo ou agrotóxico foi utilizado. Nem sei se aquele vegetal é um trangênico, apesar das probabilidades gritarem que sim. Dai um produto que até então eu comia (gostando ou não) por achar que me faz bem, se torna um inimigo em potencial.
    Não é de hoje que nós estamos comendo veneno de inseto. Mas, faz bem pouco tempo que começamos a nos preocupar com as consequências desses hábitos alimentares. O avanço no acesso à informação contribuiu bastante para isso. Em 1999, uma pesquisa na Inglaterra constatou o aumento de 50% de alergia a produtos à base de soja. E se me permitem dizer algo curioso sobre a soja, as formigas com quem divido quarto se negam a consumir produtos a base dela. Se eu deixar um copo com uma gota de  água sobre a mesa elas atacam, mas se eu deixar um copo cheio de leite de soja elas nem se aproximam. Você realmente acha que não está comento/bebendo inseticida?
    Além do aumento de alergias, o consumo de alimentos transgênicos está aumentando a resistência de organismos aos antibióticos, devido a inserção de genes de bactérias com essa característica. Está também ocasionando o aumento das substâncias tóxicas em nosso organismo, já que existem plantas e micróbios que possuem essas substâncias para se defenderem de seus inimigos naturais, (sendo que na maioria das vezes, elas não fazem mal ao ser humano) no entanto, se o gene de uma dessas plantas ou micróbios for inserido em um alimento, é possível que o nível dessas toxinas aumente muito.
    E ainda, com a inserção de genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos, as pragas e as ervas-daninhas desenvolvem a mesma resistência, tornando-se "super-pragas" e "super-ervas".  Consequentemente, haverá necessidade de aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, o que representa maior quantidade de resíduos tóxicos nos alimentos que nós consumimos.
    Hoje em dia o controle sobre o que ingerimos é dificultado, tanto pela falta de conhecimento sobre a procedência quanto pelos altos custos de alimentos orgânicos, mas, manter hábitos de higiene no preparo dos alimentos pode fazer diferença. E apesar de tudo isso, acredite, entre parar de comer vegetais ou comer vegetais transgênicos, escolha comer, pois eles ainda contém nutrientes necessários ao seu corpo. Mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Fonte:
http://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/saiba-o-que-sao-os-alimentos-transgenicos-e-quais-os-seus-riscos

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Propaganda Enganosa

     Qual é a diferença entre enviar uma mensagem de texto do tipo sms ou mandar uma msg pelo wahtsapp? Bem, quando você envia um SMS, desde que a pessoa esteja em uma área com sinal e o aparelho esteja ligado e com memória na caixa de entrada, ela receberá sua mensagem. Independente da operadora emissora ser ou não igual a da receptora. Certo? Bem, teoricamente sim. E quando você envia uma mensagem pelo APP você precisa que o receptor esteja conectado a internet.
      Dependendo do tipo de mensagem enviada, se for uma imagem, vídeo ou arquivo de áudio pode ser necessário que o receptor tenha espaço na memória do aparelho também. Mas, ultimamente o Wahtsapp tem sido a primeira opção no compartilhamento de dados, afinal, é visivelmente mais barato. Me recordo que antes da existência do wahtsapp as únicas formas de dividir imagens eram envia-las por e-mail, facebook, publica-las no (ainda existente) orkut ou enviar pelo (sempre úti)l bluetooth. Ninguém enviava fotos por mensagem multimídia. Esse foi um recurso que nunca usei em meus antigos celulares.
     Agora o que me pergunto é: será interessante para as operadoras de telefonia móvel no Brasil que uma internet grátis (ou só barata) e de qualidade seja disponibilizada ao grande público? Eu acredito que não, e acredito também que os grandes empresários estejam usando toda sua influência para impedir que algo do tipo aconteça por aqui. No dia em que todos puderem usar um aplicativo gratuito de verdade, não esse engodo que usam contra nós hoje alegando que algo é gratuito entretanto cobrando por tachas extras por serviços não utilizados, o número de ligações normais serão ínfimos.
     As operadoras sabem disso, e talvez por este motivo e pela eminente chegada de seu fim estejam aproveitando para praticar atos que beiram a criminalidade. Como por exemplo alegarem dar a seus usuários acesso ilimitado as redes sociais sem consumo da franquia, entretando cobrando pelo acesso, mesmo quando o cliente usa tão somente as redes sociais ao longo do dia e digasse de passagem, após o consumo desta ínfima franquia é negado ao usuário o acesso a qualquer tipo de dado da internet.
     É uma completa falta de respeito pelos clientes, o que talvez não fosse uma novidade já que estamos falando do Brasil, onde deputados que são nossos servidores recebem salários exorbitantes e ainda se envolvem em esquemas de desvio da verba pública e recebimento de propinas, mas, parece errado que estejamos tão atrasados quanto a prestação de serviços por parte de empresas de telefonia quando nos recordamos (ou descobrimos) que o país recebeu um aparelho telefônico antes que este fosse adotado em outros países mais desenvolvidos. Isso porque o primeiro telefone do Brasil foi encomendado por Dom Pedro II pessoalmente a Graham Bell o inventor do aparato tido como o um dos marcos científicos mais importante do século XIX. O imperador se tornou amigo pessoal do professor francês durante uma visita aos EUA onde este morava.
     As operadoras dizem em suas propagandas que cobram pequenos preços pelas lligações independente de sua duração, mas, elas sempre caem depois de uma hora e quinze. Dizem que pegam em qualquer lugar, mas se começa a chover você fica incomunicável. Elas dizem que se importam/preocupam com seu bem estar, mas te deixar ouvindo músiquinhas ou de pé em filas enormes quando você mais precisa delas. Eu torço para que novas tecnologias surjam e nos ajudem a nos comunicarmos sem a dependência das operadoras de telefonia, pois, enquanto elas mandarem, nós não seremos clie tes e sim escravos, mas essa é apenas a minha humilde opinião.

Ass: Bruno Santos

sábado, 10 de outubro de 2015

Ta na Cara

     Você já refletiu sobre como pequenos atos podem transformar o mundo? Sobre como uma atitude (talvez idiota) de uma pessoa simples pode causar uma avalanche de transformações sociais? Se amarrar em uma árvore, encarar um tanque de guerra a pé, queimar sutiãs, colocar flores nos canos das armas dos policiais que apenas aguardam ordens para lhe fuzilarem. Não são atitudes exatamente geniais, mas, de alguma forma causaram um impacto, seja regional ou mundial. Talvez um ato simples de alguém que cansou dos padrões estabelecidos, algo aparentemente sem importância esconda um sentido bem maior, algo que só será entendido no futuro, seja libertar um cão do cativeiro, pintar seu cabelo de vermelho ou deixar a barba crescer.
     Vivemos em um mundo onde parecer vale mais do que fazer. Existem padrões que devem ser seguidos e não segui-los pode resultar na exclusão, seja no meio empresarial, acadêmico, familiar ou até religioso. Mas, o empresarial me impressiona de forma mais intensa, principalmente nessa época de crise pela qual o país vem passando, perceba: o funcionário é contratado pela empresa, ele se adequa aos padrões estabelecidos por ela, chega no horário, sai no horário, trabalha duro com ética e responsabilidade, mantém suas roupas alinhadas e sua barba aparada, até que um dia, depois de 2, 7 ou 15 anos a empresa simplesmente percebe que não precisa mais dele e o demite. Sabe por quê? Porque para a empresa ele não é nada além de um número. Uma série de dígitos que pode dar lucro ou gerar custo. E é isso o que importa.
     Não importa se o funcionário chegava uma hora antes e saia duas horas depois para dar conta da demanda, se acumulava duas funções, se trabalhava nos fins de semana ou mesmo que estivesse doente, a empresa irá demiti-lo assim que ele for visto como um estorvo. E isso pode acontecer a qualquer momento. Então, de que valem todos os sacrifícios feitos? As noites em claro, os cursos de atualização/especialização pagos com o próprio bolso? Se você tem o desejo pessoal de ter filhos, fazer uma tatuagem, fazer faculdade de uma área completamente diferente da área onde trabalha ou simplesmente deixar a barba crescer, não deveria deixar de fazer pela empresa. Talvez você possa deixar de fazer essas coisas por algum outro motivo, mas, não para deixar satisfeita uma instituição capitalista que não vê pessoas entre suas paredes, mas, apenas dois tipos de máquinas, as que ficam na empresa e as que vão embora ao final do expediente.
     Nessa perspectiva,  cada demonstração de autenticidade é um protesto silencioso, em prol da vontade própria em detrimento à vontade de uma instituição sobre o corpo de seus funcionários. Se a produtividade se mantém inabalável, a pontualidade permanece, o respeito pelos superiores idem,  isso não compromete o rendimento ou a higiene do trabalho, então, o que muda? Por quê a presença desse(a) funcionário(a) passa a "ser notada" pelos colegas de trabalho de forma diferente? Por quê agora recebe apelidos, ouve comentários e nota cochichos quando chega em um ambiente? É porque está desafiando o sistema! Está se permitindo ser ele(a) mesmo(a)! 
     O mesmo vale para o seu cabelo black power roxo, para a sua calça estampada, para o seu piercing ou pra sua tatuagem (deixando claro que eu não incentivo o uso de piercings ou tatuagens , mas, reconheço o direito de cada um de usar ou não). Eles influenciam no seu trabalho de forma negativa? Você se sentiria melhor consigo mesmo(a) se tivesse liberdade para usar o que quer? Então você deveria poder usar! Lembre, se a empresa se preocupar mais com o que você parece que com o que você faz, qualquer coisa será motivo para te demitir, seja hoje ou daqui a 20 anos, e ai você se dará conta do tempo que perdeu. Não espere pelo fim do expediente, ou pela aposentadoria, para ser feliz! Lembrando, claro, que essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Votos do Namoro

     Você já assistiu à um casamento católico? Mas, um casamento católico de verdade, não um desses de novela no qual sempre entra alguém no meio para impedir a cerimônia. Estou falando de um casamento que começa em um namoro onde os noivos se conheceram verdadeiramente e não ao corpo um do outro, que teve convivência familiar e projeções para o futuro da construção de uma nova família e acordo de ambas as partes sobre tudo isso. Estou falando de um casamento que começa com a certeza de não haver plano B. Eles serão um do outro, até que a morte os separe, e talvez, mesmo depois. 
     Bem, esse é o verdadeiro matrimônio católico, um casamento que não tem nulidades. E caso você ainda tenha dúvidas sobre essa palavra, uma breve explicação: O CASAMENTO CATÓLICO É PARA SEMPRE, desde que as promessas feitas e os compromissos firmados sejam verdadeiros. 
Para melhor exemplificar vamos às três principais perguntas feitas pelo sacerdote, aos noivos, durante a cerimônia: 

A primeira é : Noivo e noiva, viestes aqui para unir-vos em matrimônio. Por isso, eu vos pergunto perante a Igreja: É de livre e espontânea vontade que o fazeis?” E os noivos devem responder convictamente: Sim!

Depois o padre pergunta: “Abraçando o matrimônio, ides prometer amor e fidelidade um ao outro. É por toda a vida que o prometeis?” Noivos: Sim!

E por fim o sacerdote pergunta: “Estais dispostos a receber com amor os filhos que Deus vos confiar, educando-os na lei de Cristo e da Igreja?” Noivos: Sim!¹.

     Caso esses noivos tenham se casado por obrigação/interesse, sejam infiéis antes do casamento/planejem ser depois, caso sejam estéreis em segredo ou ainda tenham escondido de seu par seu desejo de não ter filhos esse casamento futuramente pode vir a ser considerado inválido e então receber a nulidade de uma autoridade eclesiástica. 
     Para que isso não precise acontecer é primordial viver bem a fase do namoro. É nela que se inicia o casamento e a família, em um relacionamento sério e maduro, em que se busca conhecer o outro, suas qualidades, seus defeitos, seus anseios, desejos, sonhos, sua história, família, seus problemas, etc., desejando assim viver com o outro e para o outro, fazendo-o crescer. Um casal estará pronto para o casamento quando ambos não tiverem dúvidas dessa escolha, e mais ainda, quando não tiverem dúvidas sobre a pessoa do outro. É preciso conhecer bem o outro! 
     O Professor Felipe Aquino, em seu livro Namoro diz ‘’Amar é uma decisão e nenhuma decisão é tomada apenas com o coração, a decisão é tomada também com a razão’’. Não podemos, portanto, assumir um compromisso definitivo, tal como o matrimônio levados apenas pela emoção, sem antes pensarmos seriamente no relacionamento enquanto namorados, que assim como o matrimônio possui certas ‘’exigências’’, e porque não dizer, alguns ‘’votos específicos’’. Obviamente, por não ser um sacramento o namoro não é indissolúvel, o que significa tanto que ele pode dar certo como não, seguindo essa lógica é importante aproveitar ao máximo essa oportunidade de saber se a outra pessoa é a adequada para que você passe o resto da sua vida.
     Caso você perceba que não, que bênção, você se livrou de um casamento infeliz, caso sim, teste mais um pouco, a vida inteira é tempo demais (ao menos é o que eu te desejo), é melhor não arriscar. Uma boa forma de estabelecer metas a um namoro é criar votos. Fazer um roteiro com as coisas que vocês como casal consideram importante e se empenharem para cumprir, se como namorados vocês forem fiéis, a chance de serem como esposo e esposa é bem maior. A seguir um exemplo de votos que podem ser trocados entre namorados: 

          "Eu NOME prometo fazer desse namoro uma experiência agradável ao coração de Deus, não por ser perfeita, mas por buscar a perfeição sempre. Ser fiel a este compromisso e a tudo que ele representa. Respeitar seu corpo como o templo do Espírito Santo que ele é, sabendo que durante um namoro devem se unir as almas e não os corpos. Respeitar seus pais e as regras estipuladas por eles, seja em casa ou na rua. Não por empecilhos ao seu convívio com pessoas que lhe sejam queridas, desde que essas não lhe tragam algum tipo de risco ou prejuízo material, físico ou moral. Ser prudente em meus ciúmes. Buscar sanar com brevidade possíveis desentendimentos ou brigas que venham a ocorrer, entrando em acordo sobre a responsabilidade de cada um no acontecido, mantendo assim uma comunicação aberta e sincera. Te impulsionar e incentivar para a realização dos seus sonhos ajudando em tudo que estiver ao meu alcance. Te aproximar de Deus através dessa relação e de nossas práticas como casal.

     São estes votos do período do namoro que darão o fundamento para as quatro características fundamentais do amor conjugal, que é amor humano, total, fiel e fecundo.  É durante o namoro que nos preparamos para o sim definitivo no altar do Senhor, e para que esta resposta seja firme e consciente devemos desde então construirmos um relacionamento saudável, maduro e feliz, que irá desabrochar em um casamento igual. Mas essa, é apenas a nossa Humilde Opinião. 

Ass: Caroline Macedo e Bruno Santos

¹(Fonte: Carta Encíclica Humanae Vitae, de Sua Santidade Papa Paulo VI)

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/07/29/o-sentido-do-casamento/

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Tempo que (não) Sobra

     Os dias estão passando mais rapidamente. Você já percebeu? Você se despede da família e dos amigos em uma noite de Ano Novo e quando se da conta já está fazendo planos para o Carnaval. Mal se recuperou das noites não dormidas do Carnaval e já está tendo que juntar dinheiro para os ovos de Páscoa. Acaba de sair do regime pós páscoa e lá vem de novo o Natal com suas comidas deliciosas. E novamente, lá se vai mais um ano.
     Algumas pessoas dizem que o movimento das placas tectônicas alterou o eixo de rotação terrestre, outras que asteróides que tem caído estão dando impulso fazendo com que a Terra gire mais rápido. Quer saber a minha teoria? Não estamos vivendo os fins de semana. Vamos voltar ao exemplo do primeiro parágrafo. Estamos no primeiro dia do ano novo, você acabou de pegar um calendário, qual a primeira coisa que você vai olhar??? Se você não for um narcisista ansioso para saber em que dia cairá seu aniversário a resposta será OS FERIADOS. Sim, isso porque nós temos vivido em função dos feriados, claro que os brasileiros mais que qualquer outro povo, mas essa é uma constatação global.
     Dia de finados, "vamos fazer churrasco!", Independência do Brasil, "vamos para a praia!", acho que é só de sacanagem que nesses dias sempre chove. Mas, com sol ou não, esses dias tem recebido uma importância exagerada na nossa cultura. Era para que fosse apenas mais um dia livre na semana. Nós já não temos dois? Resposta: Não! Não temos mais, nós vendemos nosso sábado. Apesar de algumas pessoas não terem opção (afinal, como nós  teriamos eletricidade, internet, TV a cabo e etcetera durante os fins de semana se ninguém estivesse trabalhando?), existem muitas que tem e escolhem trabalhar no sábado e existem ainda as que aproveitam esse dia para realizar atividades como fazer as compras da semana, fazer o cabelo, as unhas, frequentar aquele curso de línguas ou fazer aquela faxina.
     E ainda transformamos o domingo (etimologicamente dominus = Dia do Senhor) em um "meio dia para o Senhor e o resto pra a casa, para adiantar os trabalhos da escola e etc" e esse "etc" engloba muita coisa. Deixo claro desde já que não escrevi esse texto para criticar as pessoas que realizam uma atividade qualquer durante o fim de semana, o que eu quero é que essas pessoas entendam que elas já correm para resolverem seus problemas durante cinco dias da semana e que não vão morrer caso reservem para sí alguma paz em ao menos um dos outros dois dias.
     No que diz respeito a não trabalhar no sábado, os judeus possuem minha admiração, eles realmente levam essa história a sério para eles "o sábado serve para recordar que a necessidade de ganhar a vida não deve nos tornar cegos ante a necessidade de viver" o que é uma filosofia que os cristãos poderiam muito bem aplicar aos domingos. Fazem alguns meses que eu venho observando meu próprio comportamento em relação ao sábado. Um dia que eu já começo a esperar no domingo a noite, mas para o qual eu não dou valor quando vivo. Acho que posso me comparar com um professor que após meses esperando pela estréia de um filme no cinema acaba passando a sessão inteira dando bronca nos jovens sentados no fundo e ao final da exibição nada viu senão o trailer.
     No meu caso o trailer do sábado consiste em não precisar acordar cedo. Algo que para algumas pessoas já é o ponto alto dos fins de semana, mas que para mim não é tão atrativo já que considero o ato de dormir uma grande perda de tempo e que se eu fosse capaz de ter qualidade de vida e saúde sem dormir nunca (o que eu não tenho) eu passaria o resto da minha vida em claro. Mas, mais do que acordar tarde, acho que o que realmente faz bem é o fato de ter opção: se é segunda-feira de manhã e está chovendo eu sei que o trânsito estará mais parado do que uma corrida de caramujo, então sou obrigado a sair da cama rápido e me arrumar o quanto antes, pos tenho o COMPROMISSO de estar no trabalho no horário. Se é sábado de manhã e eu não tenho compromisso nenhum, mas eu ESCOLHO sair da cama para poder aproveitar mais horas do dia, eu vou fazer aquilo com muito mais disposição, mesmo que tenha levantado no mesmo horário que na segunda.
     Jesus não criticou o habito dos judeus de guardar o sábado, o que ele criticou foi que a tradição de guardar o sábado como dia do Senhor se sobrepusesse ao ato de ver ao Senhor no outro. Que a hipocrisia impedisse um homem paraplégico de carregar sua cama quando Deus havia permitido que ele o fizesse e que o ato de fazer algo no sábado imprecionasse mais que um paraplégico andando. Não estou sugerindo que você largue seu emprego que te faz trabalhar no fim de semana ou que não pegue elevadores nesses dias porque apertar os botões é considerado um trabalho. O que eu estou sugerindo é que você viva esses dias com intensidade.
     Você tem uma família com quem passa pouco tempo durante a semana, filhos que ficam em creches, você tem livros que comprou e não leu ainda, você tem filmes que não vê a muito tempo, uma bicicleta enferrujando no quintal ou naquele quartinho da bagunça, você tem um violão que não tira da capa a anos? Deixe de ter! Que tal usar esse dia de descanso para reunir os amigos? Desde que você não passe o tempo todo na cozinha enquanto eles conversam na sala, óbvio, uma opção é por todos para cozinharem ou pedir pronto, mais uma vez, o povo que trabalha no fim de semana nos salvando. O fato é que nós temos cinco dias para trabalhar e dois para o descanso, já estamos em desvantagem, não precisamos nos sabotar ainda mais.
     Um adeno para finalizar, o trabalho para o Senhor é lindo, é ótimo que se tenha um ministério, uma missão ou pastoral para servir e se o sábado e o domingo são os únicos dias em que você pode se doar, se doe, mas encontre nessas 48 horas, ao menos duas para você e não esqueça "Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação"(Gênesis 2.3). Mas, essa foi apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

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Fontes:

http://tryte.com.br/colecaojudaismo/livro1/l1cap26.php

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2013/01/21/por-que-a-igreja-guarda-o-domingo-e-nao-o-sabado/