sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Tempo que (não) Sobra

     Os dias estão passando mais rapidamente. Você já percebeu? Você se despede da família e dos amigos em uma noite de Ano Novo e quando se da conta já está fazendo planos para o Carnaval. Mal se recuperou das noites não dormidas do Carnaval e já está tendo que juntar dinheiro para os ovos de Páscoa. Acaba de sair do regime pós páscoa e lá vem de novo o Natal com suas comidas deliciosas. E novamente, lá se vai mais um ano.
     Algumas pessoas dizem que o movimento das placas tectônicas alterou o eixo de rotação terrestre, outras que asteróides que tem caído estão dando impulso fazendo com que a Terra gire mais rápido. Quer saber a minha teoria? Não estamos vivendo os fins de semana. Vamos voltar ao exemplo do primeiro parágrafo. Estamos no primeiro dia do ano novo, você acabou de pegar um calendário, qual a primeira coisa que você vai olhar??? Se você não for um narcisista ansioso para saber em que dia cairá seu aniversário a resposta será OS FERIADOS. Sim, isso porque nós temos vivido em função dos feriados, claro que os brasileiros mais que qualquer outro povo, mas essa é uma constatação global.
     Dia de finados, "vamos fazer churrasco!", Independência do Brasil, "vamos para a praia!", acho que é só de sacanagem que nesses dias sempre chove. Mas, com sol ou não, esses dias tem recebido uma importância exagerada na nossa cultura. Era para que fosse apenas mais um dia livre na semana. Nós já não temos dois? Resposta: Não! Não temos mais, nós vendemos nosso sábado. Apesar de algumas pessoas não terem opção (afinal, como nós  teriamos eletricidade, internet, TV a cabo e etcetera durante os fins de semana se ninguém estivesse trabalhando?), existem muitas que tem e escolhem trabalhar no sábado e existem ainda as que aproveitam esse dia para realizar atividades como fazer as compras da semana, fazer o cabelo, as unhas, frequentar aquele curso de línguas ou fazer aquela faxina.
     E ainda transformamos o domingo (etimologicamente dominus = Dia do Senhor) em um "meio dia para o Senhor e o resto pra a casa, para adiantar os trabalhos da escola e etc" e esse "etc" engloba muita coisa. Deixo claro desde já que não escrevi esse texto para criticar as pessoas que realizam uma atividade qualquer durante o fim de semana, o que eu quero é que essas pessoas entendam que elas já correm para resolverem seus problemas durante cinco dias da semana e que não vão morrer caso reservem para sí alguma paz em ao menos um dos outros dois dias.
     No que diz respeito a não trabalhar no sábado, os judeus possuem minha admiração, eles realmente levam essa história a sério para eles "o sábado serve para recordar que a necessidade de ganhar a vida não deve nos tornar cegos ante a necessidade de viver" o que é uma filosofia que os cristãos poderiam muito bem aplicar aos domingos. Fazem alguns meses que eu venho observando meu próprio comportamento em relação ao sábado. Um dia que eu já começo a esperar no domingo a noite, mas para o qual eu não dou valor quando vivo. Acho que posso me comparar com um professor que após meses esperando pela estréia de um filme no cinema acaba passando a sessão inteira dando bronca nos jovens sentados no fundo e ao final da exibição nada viu senão o trailer.
     No meu caso o trailer do sábado consiste em não precisar acordar cedo. Algo que para algumas pessoas já é o ponto alto dos fins de semana, mas que para mim não é tão atrativo já que considero o ato de dormir uma grande perda de tempo e que se eu fosse capaz de ter qualidade de vida e saúde sem dormir nunca (o que eu não tenho) eu passaria o resto da minha vida em claro. Mas, mais do que acordar tarde, acho que o que realmente faz bem é o fato de ter opção: se é segunda-feira de manhã e está chovendo eu sei que o trânsito estará mais parado do que uma corrida de caramujo, então sou obrigado a sair da cama rápido e me arrumar o quanto antes, pos tenho o COMPROMISSO de estar no trabalho no horário. Se é sábado de manhã e eu não tenho compromisso nenhum, mas eu ESCOLHO sair da cama para poder aproveitar mais horas do dia, eu vou fazer aquilo com muito mais disposição, mesmo que tenha levantado no mesmo horário que na segunda.
     Jesus não criticou o habito dos judeus de guardar o sábado, o que ele criticou foi que a tradição de guardar o sábado como dia do Senhor se sobrepusesse ao ato de ver ao Senhor no outro. Que a hipocrisia impedisse um homem paraplégico de carregar sua cama quando Deus havia permitido que ele o fizesse e que o ato de fazer algo no sábado imprecionasse mais que um paraplégico andando. Não estou sugerindo que você largue seu emprego que te faz trabalhar no fim de semana ou que não pegue elevadores nesses dias porque apertar os botões é considerado um trabalho. O que eu estou sugerindo é que você viva esses dias com intensidade.
     Você tem uma família com quem passa pouco tempo durante a semana, filhos que ficam em creches, você tem livros que comprou e não leu ainda, você tem filmes que não vê a muito tempo, uma bicicleta enferrujando no quintal ou naquele quartinho da bagunça, você tem um violão que não tira da capa a anos? Deixe de ter! Que tal usar esse dia de descanso para reunir os amigos? Desde que você não passe o tempo todo na cozinha enquanto eles conversam na sala, óbvio, uma opção é por todos para cozinharem ou pedir pronto, mais uma vez, o povo que trabalha no fim de semana nos salvando. O fato é que nós temos cinco dias para trabalhar e dois para o descanso, já estamos em desvantagem, não precisamos nos sabotar ainda mais.
     Um adeno para finalizar, o trabalho para o Senhor é lindo, é ótimo que se tenha um ministério, uma missão ou pastoral para servir e se o sábado e o domingo são os únicos dias em que você pode se doar, se doe, mas encontre nessas 48 horas, ao menos duas para você e não esqueça "Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação"(Gênesis 2.3). Mas, essa foi apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

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Fontes:

http://tryte.com.br/colecaojudaismo/livro1/l1cap26.php

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2013/01/21/por-que-a-igreja-guarda-o-domingo-e-nao-o-sabado/

sábado, 29 de agosto de 2015

A Caixa do Nada

     Há cerca de 16 anos minha mãe me levou para um exame de audiometria, porque segundo as reclamações dela, eram frequentes as vezes em que ela me chamava mais de uma vez sem que eu expressasse qualquer tipo de reação. Normalmente ela escolhia me chamar na hora dos desenhos na TV.
     Na ocasião do exame fui instruído a tocar os fones em meus ouvidos cada vez que escutasse um som, eu escutei todos os sons e inclusive o que falavam com minha mãe do outro lado do vidro, mas achei que seria uma boa ideia disfarçar e fingir não escutar alguns, assim minha mãe não acharia que me levou ao médico à toa e teria uma explicação para o que a incomodava. Felizmente eu disfarçava mal e não fiz nenhum tipo de tratamento desnecessário para o problema de audição que eu nunca tive. Entretanto o martírio da minha mãe continuou, ela gritava meu nome três, às vezes cinco vezes dentro de casa sem que eu nem sequer piscasse. Com o tempo, cheguei à conclusão de que eu era distraído.
     Hoje, sei que a resposta era bem mais simples, eu sou HOMEM. A mente do homem se assemelha a uma planilha de excel ou um gráfico, ela tem divisões catalogadas por assuntos, o que o torna simples de entender, mas não facilita muito a convivência com as mulheres. A hora de ver desenhos é a hora de ver desenhos, nesse momento o mundo ao redor deixa de existir, não importa se a casa está pegando fogo ou sendo inundada. Quando ele está com fome ele procura o que comer, come e vai para a próxima atividade, quando ele está com sono ele arruma a cama e se deita, UMA coisa de cada vez e cada coisa em sua hora.
     As mulheres têm dificuldade de compreender essa "limitação" masculina pois suas mentes lembram uma imagem de "Onde está Wally" ou um quebra-cabeças onde todas as peças se encaixam. Essa característica se reflete principalmente na forma como as mulheres se comunicam, elas podem estar falando sobre abacate, daí no meio da frase exclamarem um "falando nisso", e começarem a falar sobre cães, outra mulher vai apenas seguir o fluxo do assunto, um homem vai entrar em curto, pois para ele os dois assuntos não possuem ligação alguma, eles estão em abas completamente alheias da planilha, essa aleatoriedade nos faz perder o chão. Ao contrário dos homens as mulheres são multifacetadas, elas acordam com fome, mas enquanto preparam o café da manhã colocam o feijão na pressão, lavam roupa e varrem o quintal, quando ela fica com sono ela vai de cômodo em cômodo da casa verificando se tem algo errado, se a porta da frente está bem trancada, se tem um pano debaixo da porta impedindo os bichos de entrarem, se a comida está na geladeira e se tudo que vão precisar no dia seguinte já está perfeitamente arrumado, daí quando elas finalmente se deitam, não conseguem dormir com o sentimento de terem esquecido algo. Mentes complexas.
      O Pr. Claudio Duarte compara essas subdivisões do cérebro do homem com caixas e chama atenção para uma em especial, onde os homens costumam investir bastante tempo: "a caixa do nada". Esse é o lugar para onde a mente dos homens vai quando eles não estão pensando em nada. Se você não for homem não vai entender muito bem, mas quando você estiver falando com um homem e perceber que ele está imóvel, com o olhar vidrado em um ponto fixo e conseguir tirá-lo desse estado de transe perguntando "o que você está pensando" e ele responder, "nada", você já sabe onde ele estava. Muitas mulheres se preocupam com isso, pois no vocabulário feminino o "nada", significa: "algo que você vai descobrir na hora certa", "algo que você deveria saber", " algo que você vai se arrepender se perguntar de novo", enfim, "nada" é "algo". Mas, quando um homem diz "nada", ele REALMENTE quer dizer "nada". No máximo um "nada verdadeiramente relevante".
     Como eu disse anteriormente, a mente dos homens é como uma planilha de excel, só que o Windows é 96 e o processador não é dos melhores, então a caixa do nada é como uma área de transferência, um local onde as idéias se organizam quando existe uma brecha de tempo ou enquanto outra atividade mais simples está sendo exercida, tal como ver TV. O momento de fazer o n° 2 é um convite à caixa do nada, dirigir (seja um avião ou bicicleta), lavar louça, etc. Não recomendo entrar lá enquanto estiver cozinhando ou cortando o cabelo, já tive experiências desagradáveis nessas situações. O motivo pelo qual as mulheres nos acham retardados por ficarmos vários minutos olhando para o nada é que quando elas precisam organizar as idéias, elas falam. Falam com a mãe, com a tia, com as amigas, com as vizinhas, com estranhos, em casos mais extremos podem até falar sozinhas. Não importa, elas precisam despejar todo aquele fluxo mental que nós apenas observamos como fiscais da Matrix.
     Já ouvi muitos homens dizendo que não conseguem compreender as mulheres, e vice versa. Digo que não compreendo como a gravidade sempre puxa as coisas para baixo, mas isso nunca me impediu de cair ou de ficar preso ao chão. Eu sugiro que usem a mesma lógica dos jogos de videogame: não busque entender seu "adversário", apenas observe os padrões de comportamento e se adapte a situação para passar de nível. Depois de alguma convivência entre o casal, um sabe o que irrita ou alegra o outro, sabe identificar o significado de cada olhar ou som emitido e assim como nos jogos, aprende quando deve recuar, esperar ou avançar. Obviamente, os homens jogam no nível hard, que tem uma chefona chamada TPM, todo mês, um período no qual nem as próprias mulheres são capazes de prever seus movimentos, mas nós sobrevivemos com os macetes certos.
     Homens e mulheres são muito diferentes e essas diferenças tornam o convívio entre ambos um tanto quanto complexo. É necessário usar de alteridade para que esse relacionamento seja aprazível. Mas se eu e você estamos aqui hoje é porque a união entre esses dois opostos é perfeitamente possível e pode, inclusive, dar bons frutos. Mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Links relacionados:

Pastor Cláudio Duarte - O Homem e a caixa do nada (http://m.youtube.com/watch?v=y_--xIGflt8)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Transmimento de Conheceção pela Lonjura.


     No século passado as cartas dominavam, elas traziam as boas e más notícias, comunicavam sobre casamentos, nascimentos e batizados. Elas avisavam sobre os filhos que estavam voltando e sobre aqueles que não voltariam jamais, muitos conhecimentos eram transmitidos através das cartas, a partir do ano de 1950 se chegou ao ponto de oferecerem cursos por correspondência.
      Eu que nasci na década de noventa, enviei algumas cartas, e via sempre os folhetos que ofereciam cursos como corte e costura, música, eletricista, mecânico, bombeiro hidráulico, fotógrafo, entre outros. Sempre achei aquilo interessante, mas nunca levei muito a sério, mesmo com minha tenra idade, não achava seguro depender da eficiência dos correios para receber algo pelo que eu paguei. Talvez eu me sentisse mais seguro comprando o método na banca de jornal. As experiências que tive com compras a distância posteriormente vieram a confirmar todos os meus medos.
     A partir dos anos 2000 comecei a ouvir um rumor sobre algo chamado internet, seja lá o que fosse, estaria longe da minha realidade até que alguns anos depois minha pequena escola municipal no alto do Morro do Céu recebesse um laboratório de informática. A professora nos ensinou a ligar e desligar a máquina, o nome dos periféricos de entrada e saída e nos pôs em duplas para jogar uns joguinhos educativos que "ensinavam" matemática. Em 2004 eu viria a fazer meu primeiro curso de informática, foi quando fiz meu primeiro e-mail, que foi pelo hotmail, o que me concedia acesso ao MSN, não que eu tivesse com quem conversar na época, mas eu tinha MSN, isso era status. Dois anos depois eu faria minha conta no Orkut e sem nunca ter tocado uma câmera digital, pediria a uma amiga para tirar minha foto e postar no próprio mural para que eu pudesse copiar e usar como perfil, espero que isso não tenha causado problemas para ela.
     Hoje as coisas são diferentes, crianças de três anos tem acesso ã internet, estudantes deixam de entregar trabalhos no colégio alegando que ficaram sem internet, cada suspiro que damos é publicado. Conheço jovens de 15 anos que acreditam que a única função dos correios seja entregar contas. E o ensino a distância continua, mas agora utilizando essa ferramenta. É possível inclusive cursar uma faculdade on-line. Mas, será que esse é um método confiável? Será que esse curso tem a mesma qualidade de um presencial? Um certificado de conclusão de um curso a distância teria o mesmo valor que o certificado do presencial para o mercado de trabalho?
     Apesar do que muitos pensam, o ensino via internet requer dedicação igual ou superior à necessária para os cursos presenciais. Para administrar o ritmo dos cursos on-line o aluno precisa ter um sentido de organização e de administração de tempo bastante apurado, afinal, neste sistema ele é quem decide o quê, quando e como estudar. Tornando, portanto, esse método de ensino inviável para quem não possui auto disciplina ou foco. Entretanto, existem pessoas a quem ele tem aberto as portas do ensino superior de uma forma que ainda não tínhamos visto no país. São donas de casa, aposentados, portadores de necessidades especiais, trabalhadores por escala, pessoas que já tinham deixado de lado o sonho do ensino superior, mas agora correm atrás do prejuízo.
     Um dos grandes tabus sobre a validade do ensino a distância é a ausência do convívio social com outros alunos e a troca de experiências, as quais, segundo muitos professores e universitários, são responsáveis por desenvolverem nos alunos uma bagagem que é impossível estando apenas com um tutor no chat da plataforma universitária. Nas se você pensar bem, vivemos na hera da conectividade, ninguém no nosso planeta está longe de mais, desde que tenha uma boa conexão. Se pessoas se conhecem, namoram e casam pela internet, não seria a distância que os impediria de trocar suas experiências e conhecimentos na faculdade on-line. Sem contar que vários cursos oferecem tutorias presenciais afim de promover interação dos alunos e existe ainda a possibilidade de se criar grupos de estudos independentes para uma ou várias matérias.
     Ainda existem muitos desafios, a qualidade e preço da internet no Brasil, o layout confuso que algumas faculdades oferecem aos seus alunos on-line, materiais didáticos pouco aprofundados, dificuldades culturais em relação a procura de conteúdo por conta própria, que é uma parte primordial desse ensino onde você não tem um professor cobrando e "ameaçando", mas sinceramente, o maior obstáculo é a falta de motivação. O sentimento de ser um peixe fora dágua ou intruso é o que faz com que pessoas desistam de seus sonhos e se conformem com a calmaria da mesmice temendo as tempestades da mudança.
     Para essas pessoas um recado. Se você nunca viver seu sonho, ele será apenas um sonho, mas no dia em que você olhar para trás e perceber que era possível, que não era tarde demais, você vai ganhar um belo vazio no peito, e aquele sonho se tornará um fantasma que vai te seguir até o fim dos seus dias, todos os dias pessoas superam adversidades muito maiores que as suas, se você quiser algo o suficiente para se sacrificar por isso, você será capaz, se você pode fazer uma faculdade presencial, faça, se você só pode fazer uma faculdade a distância, faça essa, só não fique parado esperando o tempo passar, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

Fontes:

http://www.ead.com.br/ead/educacao-a-distancia-para-deficientes-conheca-seus-pros-e-contras.html

http://noticias.universia.pt/educacao/noticia/2015/05/08/1124716/descubra-pros-contras-educaco-online.html

sábado, 15 de agosto de 2015

Preconceito vestuário.

     -Mulher jovem usando terninho azul marinho com aparência de uniforme, cabelo preso em um rabo de cavalo e bolsa de tamanho médio, saindo da estação das barcas: recepcionista que trabalho no Rio.
     -Moça com saia longa e estampa indiana, camiseta preta lisa, enorme bolsa de pano, cabelos secos e com bastante frizz, três dreadlocks pendendo na parte de trás, passando em frente as barcas e indo para a direita: estudante da área de humanas da UFF a caminho do terminal.
     -Adolescente com boné de aba reta, camisa pólo listrada, bermuda tactel e sandália Kenner indo na direção do terminal: está indo para São Gonçalo.
     -Casal. Ambos bem vestidos, de mãos dadas conversando animadamente. As 19h, passando em frente ao bicicletário das barcas no sentido BayMarket: saíram do trabalho e se encontraram para irem ao cinema.
     -Homem adulto, barba mal feita e roupas sujas, sentado no chão ao lado de um pedaço de tecido cheio de peças de artesanato. A quinze metros de distância percebo que ele aborda os transeuntes que passam os olhos pelo tecido ou qualquer um que passe a menos de três metros. Contornar para passar a sete metros.
     Bem, agora você sabe o que acontece na minha cabeça enquanto eu estou andando na rua, ou ao menos tem uma ideia. As coisas são mais rápidas, a resposta precisa ser imediata. São pessoas distribuindo panfletos, fazendo pesquisas, oferecendo cursos, vendendo doces, conversando distraídas carregando bolsas enormes, tem os tipos suspeitos e os que ME olham como se eu fosse um tipo suspeito. Tudo exige atenção.
      Sou um tanto quanto metódico analisando as pessoas, chamam isso de pré-conceito, mas todos nós fazemos suposições diante de algumas circunstâncias e como todos, as vezes acerto, mas as vezes erro feio. Normalmente os erros são culpa da falta de senso das pessoas. Quando você vê um jovem com uniforme escolar imagina que ele está indo ou voltando do colégio, é um pensamento lógico. Quando você vê alguém passando com um capacete próprio para motocicletas na mão, você imagina que essa pessoa tem uma moto, nada de estranho nisso. Ver alguém passando com um violão na mão confere automaticamente a pessoa o título de músico, e com o resto da roupa identificamos o estilo musical do mesmo, se é pagode, roque ou gospel. Bem, já ví jovens uniformizados curtindo uma praia em horário escolar, já ví uma moça pegar ônibus com um capacete de moto debaixo do braço e eu mesmo já andei por ai com um violão debaixo do braço sem saber tocar nem uma unica nota. Ou seja, nem todo pré-conceito se autocumpre. E como já dito anteriormente: as vezes eu erro feio!
     Ultimamente quem mais tem me feito errar são as mulheres que usam roupa de ginástica, EM QUALQUER LUGAR. Confesso que isso me irrita um pouco, vou no supermercado, tem mulher com roupa de malhar, passo por uma faculdade de direito, tem mulher com roupa de malhar, vou no cinema... acho que deu pra entender. Tudo na vida tem uma hora e local apropriado, nisso, se enclui a escolha dos tipos de roupas que se veste para determinadas ocasiões. Não se deve ir para a igreja com roupas decotadas ou transparentes, isso tira o foco do centro da celebração e pode levar outros a pecar, não se vai para a praia de terno e gravata e nem de bermuda tactel para um casamento.
     A forma como uma pessoa se veste não define a natureza dela, mas reflete o tipo de escolhas que ela fez na vida, vivemos tempos complexos, mais do que nunca, não sabemos quem é quem de verdade, suas roupas podem ser o único recurso que alguém vai ter a disposição para decidir te ajudar ou não, te pedir ajuda ou não, querer estar contigo ou não. Sei que parece hipocrisia se vestir pensando no que os outros vão pensar, mas se o que os outros pensam não fosse um problema poderíamos todos andar nús, os índios fizeram isso por centenas de anos e não tiveram problemas com isso, mas os portugueses tinham! Os outros ditam muitas regras em nossa vida, mesmo que não percebamos. Se você se sente confortável da forma como se veste, se as pessoas que te vêem tem uma noção real daquilo que você é, então você está bem vestido(a), mas isso é apenas a Minha Humilde Opinião.

ASS: Bruno Santos

sábado, 1 de agosto de 2015

A irmã.

     Sentado em frente a TV, "zapeando" pelos canais, após ter sido afugentado por um jogo de futebol, me deparo com uma matéria sobre um vídeo viral no qual um menininho de dez anos se debulha em lágrimas ao receber a notícia da gravidez de sua mãe. Aparentemente esse acréscimo à família era aguardado fervorosamente por ele. Detive minha atenção enquanto a história se desenrolava, mas desliguei o aparelho e resolvi ir dormir quando ao ser questionado sobre o motivo de preferir uma irmã o jovem afirmou que sua mãe precisava que alguém ajudasse nas tarefas do lar enquanto ele joga bola.
     Dez anos e já é machista! Por culpa dele? Acho que não. Por culpa dos pais? Em parte, mas cada um só pode dar aquilo que recebeu. O Brasil é um país machista, onde mesmo sendo a maior parte da população as mulheres ocupam uma parcela mínima dos cargos na câmara e no senado, elas são quase nulas nos cargos de liderança nas empresas, mesmo sendo comprovadamente mais bem formadas academicamente, e ainda hoje elas recebem salários mais baixos. Historicamente falando essa discriminação começou na Grécia antiga, lá a mulher era considerada uma criatura parecida com o homem, porém inferior, elas eram tidas como imperfeitas pois acreditavam que seus órgãos sexuais estavam no lugar errado, escondidos dentro do abdome.
     Antes disso, as mulheres não eram representadas como inferiores, pelo contrário, em algumas culturas eram divinizadas por sua esplêndida capacidade de conceber. Suas funções de preparação de alimentos ou cuidados com as crianças não pareciam menos importantes, tinham a mesma dignidade do caçador ou lenhador, mas em algum momento as coisas mudaram. Os homens assumiram o poder e puseram as mulheres em um plano inferior. Aos poucos elas foram subjugadas, lhes foram impostas convenções sociais, padrões de comportamentos, de vestuário e, os mais cruéis, os padrões de beleza. Esses malditos padrões que mudam constantemente e se tornam a cada mudança mais inalcançáveis. Não que isso seja tão surpreendente, afinal, esse é o objetivo deles: reduzir o número de adeptos a fim de dar aos seguidores dessas tendências o status de elite.       
     Houve um tempo em que fazer três refeições diárias era sinônimo de riqueza. Adivinha qual era o padrão de beleza na época? Sim, sobrepeso. As rechonchudas mandavam. E na época em que para ter os cabelos cacheados era necessário passar horas esquentando um ferro no fogo e pericia suficiente para não queimar as madeixas, a chapinha era pros fracos, quanto mais bem definidos os cachos mais status. Hoje o que vivemos é a ditadura da magreza, a luta constante contra o peso, milhares de dietas "milagrosas", horas na academia e finalmente a bulimia. Tudo para alcançar um corpo fora do próprio biotipo e consequentemente adoecer, ou uma "receita" para viver insatisfeita consigo mesma.
  Saltos altos, depilações com cera quente, roupas que precisam de atenção constante e eventuais puxadas para não revelarem mais do que o desejado ... com certeza não é nada fácil ser mulher. Talvez isso seja culpa do medo do homem que ao identificar um ser capaz de gerar vida, aguentar altos níveis de dor e sangrar por dias sem morrer, julgou que deveria ser muito perigoso. Ou temendo que a mulher percebesse o quanto era indispensável e tentasse o subjugar, encontrou uma forma dela ficar ocupada enquanto ele filosofava sobre isso, tradição seguida até hoje inclusive por garotinhos como o do começo desse texto. Mulheres tem um papel muito importante na sociedade, mas podem ter outros também, elas merecem, por toda a força e garra que demonstram, e isso não é feminismo, isso é a percepção de que o homem e a mulher são iguais em dignidade e inteligência. E mesmo que tenham habilidades diferentes têm direito as mesmas oportunidades, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião."

Ass: Bruno Santos

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Extra!!!


     "Mulher é alvejada por uma bala perdida enquanto ia comprar pão e morre". O repórter coloca um microfone em frente a boca do jovem viúvo e pergunta: Como você está se sentindo? "Criança que estava brincando em frente ao portão de casa desaparece por cinco dias e é encontrada morta em um valão do outro lado da cidade". Dão um close na lágrima que desliza na face da mãe e questionam: Qual é o seu sentimento nesse momento? "Homem tem seu comércio assaltado pela quinta vez em menos de um mês". O entrevistador lança uma interrogação para a sombra de voz distorcida que não quer se identificar: O que você espera da justiça nesse momento?
     A MINHA pergunta para esses profissionais é: vocês realmente estudaram quatro anos para isso? Fazer perguntas óbvias para pessoas fragilizadas? Isso chega a ser uma agressão. Uma falta de respeito com os sentimentos alheios. Se bem que hoje em dia parece não ser necessário ter qualquer estudo para se autodenominar jornalista em nossas emissoras. Impedir que mudem de canal com promessas de cenas fortes, piadinhas infames e sensacionalismo barato tem sido o suficiente. E os jornais impressos não estão muito melhores que isso.
     Manchetes com gírias esdrúxulas, erros de português, páginas que pingam sangue e mulheres seminuas não faltam. Vendo suas vendas diminuindo a cada dia com a ascenção da internet e a velocidade das notícias aumentando na mesma proporção, medidas desesperadas têm sido tomadas pela indústria publicitária. O risco de extinção do jornal impresso vem se tornando algo mais próximo da realidade, com isso, o direito da liberdade de expressão, do qual foram privados os jornalistas durante a Ditadura, tem sido extrapolado. O resultado: ofensas gratuitas, más interpretações, invasões de privacidade e manipulação de informações.
     O jornalismo saiu dos trilhos, se tornou fonte de desinformação e futilidade, serve aos propósitos de grupos específicos e esconde aquilo que não lhe parece conveniente. E o povo, como em um teatro de marionetes, vai para onde é mandado. Um exemplo disso foram as manifestações de 2013, que organizadas 100% pela internet, a princípio não foram registradas pelos canais de TV, que ao constatarem sua magnitude trataram de denegrir a imagem dos manifestantes, usando para isso meia dúzia de vândalos que conseguiram mais destaque do que as centenas de pessoas que pediam paz, justiça, igualdade social, um Brasil melhor e etc. Como resultado, em uma breve pesquisa, foi divulgado que os populares eram contra os protestos, mas eles continuaram, e cresceram  através das redes sociais, longe das influências midiáticas, logo a imprensa se viu contra a parede e o movimento teve que ser mostrado em sua totalidade.
     O povo é maioria, nós conhecemos nosso bairro, conhecemos nossos vizinhos, hoje em dia todos temos smartphones e acesso à internet, podemos consultar várias fontes de informação antes de simplesmente aceitar algo como verdade absoluta, então, por que não fazemos isso? Não criticamos ou tentamos enchergar além daquilo que os engravatados nos empurram. Está na hora de usarmos o método cartesiano (metodologia criada pelo filósofo René Descartes que consistia em duvidar de todo conhecimento pré-estabelecido para então encontrar o verdadeiro conhecimento) e pensarmos no conteúdo que nos é oferecido desse prisma crítico: “nunca aceitar coisa alguma por verdadeira, sem que a conhecesse evidentemente como tal: quer dizer, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e não aceitar nada, senão o que se apresentasse tão clara e distintamente, que não houvesse nenhuma ocasião de o colocar em dúvida".
     Usando essa filosofia evitariamos que trabalhadores tivessem suas fotos publicadas nos jornais como se fossem chefes do tráfico, impediriamos que uma mãe que não sabia que o filho era alérgico a lactose fosse linchada acusada de pôr maconha na mamadeira da criança e não teríamos jovens atletas, pobres e negros, presos acusados de estarem participando de arrastões. E caso tenha passado pela sua mente que isso não é culpa só da mídia, mas da sociedade preconceituosa, não esqueça que a falta de informação é o primeiro passo para um pré-conceito errado, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Invasão


     Elas estão por todos os lados, são rápidas, leves, não respeitam as leis de trânsito e se multiplicam a cada dia. Descrição de uma invasão? Sim, mas as coisas não são tão ruins quanto parecem. Na minha época elas eram o pedido unânime em todas as listas de natal, aniversário e dia das crianças. Um "brinquedo" unissex para variar, em um tempo em que meninos jogavam bola, meninas brincavam de casinha. As vezes os grupos se uniam em prol de um pique de qualidade, fosse o pega, esconde ou parede, mas não tinha nada melhor que sair pelo portão depois da sessão da tarde (quando o sol estava mais baixo) para poder ir até o final da rua e voltar até a frente do portão encima de uma bicicleta, aquilo era ser feliz.
     Só que agora a coisa ficou séria, não estamos mais falando de um brinquedo, mas de um meio de transporte, talvez o mais usado no mundo, no Brasil já são sessenta milhões em uso, a maioria é usada para ida e volta do trabalho por pessoas, ou que moram perto de seus trabalhos, ou que cansaram de perder horas no trânsito gastando combustível e vendo suas vidas passarem pelos espelhos retrovisores. Obviamente não damos aos nossos ciclistas o mesmo incentivo ou a mesma estrutura que existe em outros países, como por exemplo a França onde funcionários recebem 25 centavos de euro por quilometro percorrido de bicicleta no percurso trabalho-casa (e só para registrar, em Paris existem ciclovias desde 1862), ou na Alemanha onde o governo pretende trocar carros e caminhões por bicicletas de carga a fim de diminuir os congestionamentos e níveis de poluição, ou ainda como no Reino Unido onde foi criado um programa chamado Cycle to Work que da descontos nos impostos de quem usa a bicicleta para ir trabalhar.
     No Brasil, as bicicletas tem em seu valor de mercado 40,5% só de impostos, para compararmos, sobre o preço final de um carro a mesma taxa é de 32%, parece que querem compensar o preço do combustível que NÃO será consumido. Dessa forma a magrela levará mais pessoas à falência, sim, pois o homem que registrou sua patente em 12 de Janeiro de 1818, o Barão Drais, foi ridicularizado na sociedade Parisiense e se tornou um falido. Talvez tenha sido um castigo por se apropriar do que não lhe pertencia, já que Leonardo Da Vinci já tinha esquematizado em desenhos protótipos bem rústicos desse velocípede (do latim, velocidade movida a pé).
     A questão é que mesmo já fazendo parte do cotidiano, a bicicleta ainda está buscando autoafirmação em meio a uma cidade que parece ter sido feita mais para carros que para pessoas. Só entende isso quem já sentiu o vento que um ônibus faz quando passa a meio metro do guidom, quem foi xingado depois de quase ser atropelado por alguém que está protegido por centenas de quilos de metal e um cinto de segurança sendo apenas um corpo em um quadro de alumínio ou quem teve que sair da ciclofaixa para desviar de alguém que confundiu aquela linha vermelha no chão com um estacionamento. Eu entendo, pois já passei por tudo isso essa semana, e ainda é terça.
     Mas, tem outras coisas que eu também já fiz, como andar na contramão, sobre a calçada, atravessar cruzamentos, faixas de pedestres e outras coisas que não me lembro agora, mas, sobre as quais eu não poderei ser responsabilizado, até porque as bicicletas não tem placa, então, onde vão me achar? Só que isso tem seu lado ruim, por exemplo, quando ela é roubada é a sua bicicleta vira só mais uma em meio a milhares dentro de um depósito. Eu ando de bicicleta, não por me preocupar com o meio ambiente ou querer ficar em forma, não que eu não tenha essas preocupações, só não foram os motivos determinantes, o estopim que me fez entrar com tudo nesse mundo de selins e guidões foi o exorbitante preço da passagem de ônibus, eu tenho esse direito, e gostaria que mais pessoas enxergassem essa possibilidade para suas vidas, não ficar mais esperando ônibus para viajar de pé, no calor, sendo espremido por pessoas com conceitos duvidosos de higiene e ainda pagando caro por isso. Bicicleta é liberdade, é autonomia e de quebra ajuda mesmo quem não usa. Um carro a menos no congestionamento, uma pessoa de pé a menos para aquecer o ônibus e um ar mais respirável.
     Do meu ponto de vista o ciclismo é um bom caminho a ser seguido, e deveria receber mais apoio, mais ciclovias que não desapareçam no meio do caminho te deixando desamparado em meio ao fluxo intenso, mais bicicletários que fiquem perto de uma sombra, são poucos, e principalmente mais conscientização para que NÓS, que pedalamos, aprendamos que precisamos nos manter no lado direito das vias, no sentido do fluxo, usando equipamentos de segurança e sinalizando nossos movimentos. Assim todos sairão ganhando, quem pedala e quem não, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.
   
Ass: Bruno Santos

domingo, 21 de junho de 2015

Uma pedra no caminho


     Um dia a alguns anos atrás, milhares de anos para ser mais preciso, uma pessoa ( provavelmente em um momento de crise) se pegou pensando na razão para ter nascido. A maior parte das pessoas acredita que esse alguém tem nacionalidade grega, na falta de uma teoria melhor essa seguiu se propagando, afinal, se os gregos não se importam por terem um compatriota tão desocupado que não pôde pensar em nada melhor pra fazer da vida além de pensar na vida, quem iria discutir?
     Por fim, esse sujeito que passou horas pensando ficou com fome e foi fazer uma boquinha na casa de um amigo que morava por perto, depois de se satisfazer expôs sua questão, acreditando que duas pessoas pensariam melhor no assunto, mas ao invés de somar forças somaram apenas suas próprias dúvidas tornando a questão ainda mais complexa. Agora a pergunta era: qual o sentido da existência? Afim de acabarem de uma vez por todas com a dúvida os amigos foram até o conselho dos anciãos da cidade, que davam as respostas para as perguntas mais complexas como "que horas são?", "vai chover hoje?" e a mais desafiadora que tinha aparecido até aquele dia, "de onde vêm os bebês?". Após ouvirem a pergunta e deliberarem por alguns instantes os sábios chegaram a uma conclusão que acabou não sendo tão conclusiva, já que cada um dos membros do conselho havia inventado uma teoria diferente, na verdade nenhum deles sabia a resposta, mas ninguém queria ficar por baixo.
     As várias respostas foram divulgadas e recebidas pelo povo com alegria, já que agora tinham descoberto um motivo bem mais nobre para fazer aquilo que vinham fazendo por toda a vida, fosse respirar, comer, guerrear, buscar conhecimento, agradar uma força superior ou qualquer outra ramificação que surgiu a partir das tais respostas. E assim começou a busca do homem pelo sentido da vida, pela razão de sua existência. Busca que percorreu todo o lugar por onde um homem convicto já passou. Por vezes dois homens convictos de pontos de vista diferentes se cruzavam, mas aquele que tivesse a resposta mais convincente ou o maior exército acabava convencendo o outro, juntamente de seu povo caso este sobrevivesse, e assim ele seguia espalhando o sentido da vida ( ou só a própria opinião). Por vezes opiniões se uniam e davam origem a respostas bem mais complexas e fundamentadas. Essas costumavam sobreviver por mais tempo.
     Por fim, chegamos ao nosso tempo, cerca de 2015 anos depois do dia no qual nasceu um homem chamado Jesus, que com suas palavras foi capaz de formar homens convictos o suficiente a ponto de fundarem a mais sólida instituição religiosa do planeta, em um tempo onde todos possuem o direito constitucional de expressarem e viverem suas crenças abertamente, sem temer represálias ou retaliações por parte do estado. E ainda hoje nós recebemos a notícia de que uma criança foi apedrejada por vestir trajes correspondentes a sua religião. Confesso que não acredito que o RETRÓGRADO que atirou aquela pedra tivesse a intenção de acertar específicamente a menina, ele simplesmente à jogou em um grupo de pessoas pensando em acertar alguém. Mas o que ele com certeza não pensou naquele momento foi que o país inteiro ficaria sabendo desse ato bárbaro, e mais ainda, que o país inteiro ficaria contra ele.
     Na verdade se essa pedra tivesse acertado um dos adultos esse caso teria passado despercebido, pos a imprensa não teria interesse. Criança, bicho, mulher bonita, futebol e desgraça são as únicas coisas que vendem jornal nesse país, mas não necessariamente nessa ordem. E enquanto essa situação estiver chamando atenção ela será usada, mas quanto tempo será que isso dura? Em quanto tempo os brasileiros vão deixar de se interessar pelo caso? Digo que não perceberemos, assim como não percebemos as agressões que acontecem diariamente contra cristãos católicos, protestantes, cardecistas, mães de santo e até contra ateus, por que o jornal não quer mostrar isso. O jornal quer mostrar menores com armas brancas, homofobia e infrações à lei Maria da Penha. Essas são as bolas da vez.
     Enquanto o agressor de crianças não é localizado, se é que vai ser, só posso esperar que ele reveja nas diretrizes de sua igreja, seja ela qual for, onde está escrito que pessoas de outra religião devem ser apedrejadas, espero que ele não encontre isso por lá e viva melhor sua religiosidade, pois ela não servirá para tornar o mundo um lugar melhor se não tornar a ele uma pessoa melhor antes, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

sábado, 13 de junho de 2015

Minha Casa Minha Vida

     Gostaria de propor a você, leitor(a) uma suposição, necessito que você entre nessa comigo e seja meu personagem, estamos juntos? Bem, então vamos lá. Imagine-se com sua família atual, as pessoas que vivem na mesma casa que você, a menos que você viva só, nesse caso precisarei de um pouco mais da sua imaginação. Bem, estando você com esse grupo de pessoas, sejam seus pais e irmãos ou seu par romântico e filhos, etcetera, imagine-se em uma situação na qual foi extremamente necessária uma mudança, seja por questões financeiras, naturais ou de saúde, ou até mesmo tudo isso junto, a questão é que vocês precisam sair de onde moram e não possuem amigos ou parentes a quem recorrer. Até aqui tudo bem?
     Continuando essa situação hipotética você e sua família encontram um terreno desabitado que passam a ocupar, o lugar lhes possibilita o aproveitamento de oportunidades de emprego, já que fica perto da cidade, possui comércio ativo na redondeza e uma vizinhança humilde que como os seus, quer apenas viver com dignidade. Os anos passam, a vida se ajeita, aos poucos as casas rústicas de madeira se tornam de alvenaria, as crianças são matriculadas em colégios, as cartas chegam no endereço com normalidade, os móveis são entregues pelas lojas e a vida vai se desenvolvendo. Até que, em um belo e ensolarado dia do mês de maio, ao acordar para cumprir com suas tarefas corriqueiras você se depara com uma movimentação incomum na rua, tenta descobrir do que se trata e recebe a notícia de que o dono do terreno onde você vive a anos achou uma utilidade para ele e a sua casa será posta abaixo por operários mal encarados e impacientes que preferiam ter demolido tudo de uma vez, de preferência com todos dentro para não ter que passar pela situação que lhe é apresentada no momento. Você se apressa para retirar o máximo de coisas possíveis lá de dentro, mas precisa assistir enquanto seus sonhos de viver com dignidade são destroçados por máquinas pesadas.
     Essa situação, que lhe foi proposta como hipotética, parece real até demais para os moradores da comunidade do Metrô-Mangueira, que surgiu em meados da década de 80 como ocupação espontânea dos operários que, atuando na linha dois do metrô, não tinham para onde voltar após o trabalho. Essas moradias foram derrubadas para dar lugar a estruturas que serão usadas por estrangeiros durante as Olimpíadas de 2016, pessoas que vão ficar aqui por alguns dias deixando para trás o dinheiro de seu turismo. Mas, será que esses dias de turismo darão mais lucro que uma vida inteira de impostos pagos desde o nascimento por um brasileiro? Será que esses atletas são realmente mais merecedores deste espaço que os moradores? As pessoas que virão fazer turismo no Rio em 2016 serão informadas desses estragos ou tudo continuará sendo posto para debaixo do tapete para que o estado siga sendo mostrado como o cartão postal que não é?
     Não que o estado do Rio não seja um lugar lindo, seja pelas suas praias, pelos resquícios de Mata Atlântica que ainda luta contra o concreto ou até mesmo pelas construções imperiais em seu centro histórico, que dicasse de passagem foram construídas sobre os destroços de curtiços que ocupavam o centro da cidade em circunstâncias bem parecidas com as do Metrô-Mangueira. O que não é bonito é que as centenas de fiscais da defesa civil, bombeiros, engenheiros e acessores vejam alguém montando um barraco em um terreno baldio e não pensem em notificar o dono do mesmo ou a prefeitura. Que depois de anos por lá, já pagando água, luz e telefone essas pessoas sejam humilhadas como foras da lei e massacradas por um poder que nos últimos anos pareceu não se importar com o que ela fazia ou deixava de fazer.
     Uso aqui o exemplo do Morro do Bumba que foi a baixo com as chuvas, matando e desabrigando várias pessoas em Niterói. Gerações que viviam lá sem seren encomodadas, mas que foram culpadas pelos orgãos públicos por terem ocupado uma área instável que anteriormente foi um lixão. Acredito que o prefeito já sabia o que tinha lá embaixo, sabia que o terreno poderia ceder um dia, mas deixou que casas fossem construídas. Por que arriscar as vidas dessas famílias, das quais muitas até hoje não tiveram apoio para encontrar uma moradia definitiva? Existem 515 mil famílias sem moradia no Estado do Rio de Janeiro, 220 mil só na cidade do Rio, pessoas invisíveis para o Governador do Estado, porque ele vai trabalhar de helicóptero, porque ele não pedala na orla da Lagoa e nem precisa pegar um ônibus no Jardim Botânico. Mas existem pessoas tentando sobreviver a mercê de uma sociedade que não as reconhece como iguais.
     Vítimas? Das circunstâncias, da falta de recursos, da falta de apoio,do preconceito, do descaso e Deus sabe de mais o que. Muitas dessas pessoas já passaram por abrigos, mas foram convidadas a se retirarem ou preferiram voltar para as ruas. Algo não está certo. Existem membros da classe média recebendo bolsa família e comprando apartamento pelo Minha Casa Minha Vida pra fazer especulação imobiliária, enquanto o povo que precisa está tendo a casa demolida. Essa é a política de moradia desse governo e essa é a cara do Rio que os "gringos" não querem fotografar, talvez eles devessem, a seleção alemã fez mais pelo Brasil durante a copa do que quatro anos de governo da Dilma, poderíamos fazer uma campanha #voltaalemanha, assim um evento mundial finalmente daria algum retorno real para o povo ao invéz do prejuizo que tem sido até agora, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

ASS: Bruno Santos.

Fonte: Jornal Brasil de Fato 3-10/6/2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Arapuca


"Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares" (Efésios, Capítulo: 6,12).

     Eu já fui uma criança um dia, acrítica, que não pensava a respeito dos conceitos do senso comum que a todo momento me eram empurrados. Todas as simpatias, as brincadeiras, músicas, etc. Hoje eu sou grande e tenho responsabilidade por tudo o que produzo e reproduzo, por isso tomo cuidados e escrevo esse texto com o objetivo de lhe ajudar a fazer o mesmo. A princípio ele terá mais perguntas do que respostas e você irá perceber uma realidade que não está tão longe de você!
     Quantas vezes em frente a TV ou do computador você não se viu repetindo uma frase de invocação durante um desenho animado ou um filme? Quantos personagens dos quais você gosta possuem características que você provavelmente repudiaria na vida real? Em algum momento alguém se perguntou por que a fonte dos poderes de He-Man é uma "caveira cinza" ou por que Goku e seus amigos invocam um dragão que realiza desejos? Havia notado que os símbolos nas antenas dos Teletubbies correspondem às relíquias da morte presentes nos filmes do bruxinho Harry Potter? Já notou como nos filmes de terror em geral, mas em especial os com possessões, a figura de Deus é colocada como indiferente, como um mero expectador que não exerce nenhum tipo de influência seja, para salvar ou punir? Percebendo, ou não, essas questões estão lá, a todo momento sendo implantadas lentamente nos subconscientes, geração após geração, e isso já surgiu efeitos, acredite!

     Quantas vezes você teve medo de ir à Igreja por conta da violência? E quantas vezes deixou de ir lá, seja pela chuva que caía ou pelo excesso de sol, mas reflita, deixou de ir trabalhar por algum desses fatores? Para os jovens que namoram, quantas vezes saíram do trabalho/curso/faculdade cansados, prontos para se deitarem e dormirem por uma semana inteira, mas diante de um pedido de sua cara-metade foram a seu encontro e passaram horas juntos? Me digam então, por quê parece tão impossível fazer meia hora de adoração em um dia da semana? Quantas vezes você começou um final de semana com o objetivo de se dedicar aos estudos, mas com o simples ato de abrir uma rede social para dar uma olhadinha acabou perdendo quatro horas fazendo absolutamente NADA?

     Nada é o que parece! É preciso estar atento a todo momento, pois os ataques são contínuos e muitas vezes estão disfarçados de coisas inocentes. Uma música com bela melodia pode te levar a bendizer um deus pagão ou te apontar a traição como uma coisa comum a qual todos recorrem para esquecer dos problemas domésticos, uma novela pode te fazer achar que a família é uma instituição ultrapassada ou que sexo é uma fonte de prazer que não precisa estar ligada a algum tipo de compromisso, só precisa ser em grande quantidade para te fazer feliz consigo mesmo e com o mundo, mas você sabe que não é assim, essas concepções não são naturais em você, estão sendo introduzidas, a cada momento, dia após dia.

     Existe uma ideia sendo divulgada, a de que as coisas mudaram, se mordenizaram e que essa compreensão irá resolver todos os conflitos. Acontece que o que era errado a cinco mil anos atrás ainda é errado hoje, soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça não são estilos de vida saudáveis hoje, assim como não eram naquela época. Então, o que todos dizem que mudou? Eu digo: a abertura nos corações para a presença de Deus está cada vez menor. E no lugar em que o Senhor não pode entrar, você já sabe quem manda. Né?! Recentemente foram divulgadas na internet várias tentativas de se comunicar com Charlie, um "espírito mexicano" que não tem nada melhor para fazer do que ficar movendo lápis por aí para responder perguntas, quase como um "Posso ajudar" de bolso. Eu realmente não queria falar sobre isso, já que sempre existiu esse tipo de jogo de comunicação entre planos e sempre haverá um adolescente idiota o bastante para tentar, seja com lápis, copos, espelhos ou sacrifício de pequenos animais. O que eu realmente quero expor aqui é exatamente como isso se tornou algo banal. EU NÃO DEVERIA ACHAR ISSO NORMAL, mas já acho.

     Não desejo te tornar um(a) paranóico(a) com medo de sair de casa ou de ligar a TV, mas se você tiver mais cuidado com o que assiste, com os assuntos das suas conversas, com as pequenas mentiras que conta por conveniência, com seus olhares e pensamentos, sem dúvidas as artimanhas do mundo irão se tornar cada vez mais claras para você. Lembre-se, a porta não sofreu reformas, ela continua estreita, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

"Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos, Capítulo: 6,23).

Ass: Bruno Santos