domingo, 21 de junho de 2015

Uma pedra no caminho


     Um dia a alguns anos atrás, milhares de anos para ser mais preciso, uma pessoa ( provavelmente em um momento de crise) se pegou pensando na razão para ter nascido. A maior parte das pessoas acredita que esse alguém tem nacionalidade grega, na falta de uma teoria melhor essa seguiu se propagando, afinal, se os gregos não se importam por terem um compatriota tão desocupado que não pôde pensar em nada melhor pra fazer da vida além de pensar na vida, quem iria discutir?
     Por fim, esse sujeito que passou horas pensando ficou com fome e foi fazer uma boquinha na casa de um amigo que morava por perto, depois de se satisfazer expôs sua questão, acreditando que duas pessoas pensariam melhor no assunto, mas ao invés de somar forças somaram apenas suas próprias dúvidas tornando a questão ainda mais complexa. Agora a pergunta era: qual o sentido da existência? Afim de acabarem de uma vez por todas com a dúvida os amigos foram até o conselho dos anciãos da cidade, que davam as respostas para as perguntas mais complexas como "que horas são?", "vai chover hoje?" e a mais desafiadora que tinha aparecido até aquele dia, "de onde vêm os bebês?". Após ouvirem a pergunta e deliberarem por alguns instantes os sábios chegaram a uma conclusão que acabou não sendo tão conclusiva, já que cada um dos membros do conselho havia inventado uma teoria diferente, na verdade nenhum deles sabia a resposta, mas ninguém queria ficar por baixo.
     As várias respostas foram divulgadas e recebidas pelo povo com alegria, já que agora tinham descoberto um motivo bem mais nobre para fazer aquilo que vinham fazendo por toda a vida, fosse respirar, comer, guerrear, buscar conhecimento, agradar uma força superior ou qualquer outra ramificação que surgiu a partir das tais respostas. E assim começou a busca do homem pelo sentido da vida, pela razão de sua existência. Busca que percorreu todo o lugar por onde um homem convicto já passou. Por vezes dois homens convictos de pontos de vista diferentes se cruzavam, mas aquele que tivesse a resposta mais convincente ou o maior exército acabava convencendo o outro, juntamente de seu povo caso este sobrevivesse, e assim ele seguia espalhando o sentido da vida ( ou só a própria opinião). Por vezes opiniões se uniam e davam origem a respostas bem mais complexas e fundamentadas. Essas costumavam sobreviver por mais tempo.
     Por fim, chegamos ao nosso tempo, cerca de 2015 anos depois do dia no qual nasceu um homem chamado Jesus, que com suas palavras foi capaz de formar homens convictos o suficiente a ponto de fundarem a mais sólida instituição religiosa do planeta, em um tempo onde todos possuem o direito constitucional de expressarem e viverem suas crenças abertamente, sem temer represálias ou retaliações por parte do estado. E ainda hoje nós recebemos a notícia de que uma criança foi apedrejada por vestir trajes correspondentes a sua religião. Confesso que não acredito que o RETRÓGRADO que atirou aquela pedra tivesse a intenção de acertar específicamente a menina, ele simplesmente à jogou em um grupo de pessoas pensando em acertar alguém. Mas o que ele com certeza não pensou naquele momento foi que o país inteiro ficaria sabendo desse ato bárbaro, e mais ainda, que o país inteiro ficaria contra ele.
     Na verdade se essa pedra tivesse acertado um dos adultos esse caso teria passado despercebido, pos a imprensa não teria interesse. Criança, bicho, mulher bonita, futebol e desgraça são as únicas coisas que vendem jornal nesse país, mas não necessariamente nessa ordem. E enquanto essa situação estiver chamando atenção ela será usada, mas quanto tempo será que isso dura? Em quanto tempo os brasileiros vão deixar de se interessar pelo caso? Digo que não perceberemos, assim como não percebemos as agressões que acontecem diariamente contra cristãos católicos, protestantes, cardecistas, mães de santo e até contra ateus, por que o jornal não quer mostrar isso. O jornal quer mostrar menores com armas brancas, homofobia e infrações à lei Maria da Penha. Essas são as bolas da vez.
     Enquanto o agressor de crianças não é localizado, se é que vai ser, só posso esperar que ele reveja nas diretrizes de sua igreja, seja ela qual for, onde está escrito que pessoas de outra religião devem ser apedrejadas, espero que ele não encontre isso por lá e viva melhor sua religiosidade, pois ela não servirá para tornar o mundo um lugar melhor se não tornar a ele uma pessoa melhor antes, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

sábado, 13 de junho de 2015

Minha Casa Minha Vida

     Gostaria de propor a você, leitor(a) uma suposição, necessito que você entre nessa comigo e seja meu personagem, estamos juntos? Bem, então vamos lá. Imagine-se com sua família atual, as pessoas que vivem na mesma casa que você, a menos que você viva só, nesse caso precisarei de um pouco mais da sua imaginação. Bem, estando você com esse grupo de pessoas, sejam seus pais e irmãos ou seu par romântico e filhos, etcetera, imagine-se em uma situação na qual foi extremamente necessária uma mudança, seja por questões financeiras, naturais ou de saúde, ou até mesmo tudo isso junto, a questão é que vocês precisam sair de onde moram e não possuem amigos ou parentes a quem recorrer. Até aqui tudo bem?
     Continuando essa situação hipotética você e sua família encontram um terreno desabitado que passam a ocupar, o lugar lhes possibilita o aproveitamento de oportunidades de emprego, já que fica perto da cidade, possui comércio ativo na redondeza e uma vizinhança humilde que como os seus, quer apenas viver com dignidade. Os anos passam, a vida se ajeita, aos poucos as casas rústicas de madeira se tornam de alvenaria, as crianças são matriculadas em colégios, as cartas chegam no endereço com normalidade, os móveis são entregues pelas lojas e a vida vai se desenvolvendo. Até que, em um belo e ensolarado dia do mês de maio, ao acordar para cumprir com suas tarefas corriqueiras você se depara com uma movimentação incomum na rua, tenta descobrir do que se trata e recebe a notícia de que o dono do terreno onde você vive a anos achou uma utilidade para ele e a sua casa será posta abaixo por operários mal encarados e impacientes que preferiam ter demolido tudo de uma vez, de preferência com todos dentro para não ter que passar pela situação que lhe é apresentada no momento. Você se apressa para retirar o máximo de coisas possíveis lá de dentro, mas precisa assistir enquanto seus sonhos de viver com dignidade são destroçados por máquinas pesadas.
     Essa situação, que lhe foi proposta como hipotética, parece real até demais para os moradores da comunidade do Metrô-Mangueira, que surgiu em meados da década de 80 como ocupação espontânea dos operários que, atuando na linha dois do metrô, não tinham para onde voltar após o trabalho. Essas moradias foram derrubadas para dar lugar a estruturas que serão usadas por estrangeiros durante as Olimpíadas de 2016, pessoas que vão ficar aqui por alguns dias deixando para trás o dinheiro de seu turismo. Mas, será que esses dias de turismo darão mais lucro que uma vida inteira de impostos pagos desde o nascimento por um brasileiro? Será que esses atletas são realmente mais merecedores deste espaço que os moradores? As pessoas que virão fazer turismo no Rio em 2016 serão informadas desses estragos ou tudo continuará sendo posto para debaixo do tapete para que o estado siga sendo mostrado como o cartão postal que não é?
     Não que o estado do Rio não seja um lugar lindo, seja pelas suas praias, pelos resquícios de Mata Atlântica que ainda luta contra o concreto ou até mesmo pelas construções imperiais em seu centro histórico, que dicasse de passagem foram construídas sobre os destroços de curtiços que ocupavam o centro da cidade em circunstâncias bem parecidas com as do Metrô-Mangueira. O que não é bonito é que as centenas de fiscais da defesa civil, bombeiros, engenheiros e acessores vejam alguém montando um barraco em um terreno baldio e não pensem em notificar o dono do mesmo ou a prefeitura. Que depois de anos por lá, já pagando água, luz e telefone essas pessoas sejam humilhadas como foras da lei e massacradas por um poder que nos últimos anos pareceu não se importar com o que ela fazia ou deixava de fazer.
     Uso aqui o exemplo do Morro do Bumba que foi a baixo com as chuvas, matando e desabrigando várias pessoas em Niterói. Gerações que viviam lá sem seren encomodadas, mas que foram culpadas pelos orgãos públicos por terem ocupado uma área instável que anteriormente foi um lixão. Acredito que o prefeito já sabia o que tinha lá embaixo, sabia que o terreno poderia ceder um dia, mas deixou que casas fossem construídas. Por que arriscar as vidas dessas famílias, das quais muitas até hoje não tiveram apoio para encontrar uma moradia definitiva? Existem 515 mil famílias sem moradia no Estado do Rio de Janeiro, 220 mil só na cidade do Rio, pessoas invisíveis para o Governador do Estado, porque ele vai trabalhar de helicóptero, porque ele não pedala na orla da Lagoa e nem precisa pegar um ônibus no Jardim Botânico. Mas existem pessoas tentando sobreviver a mercê de uma sociedade que não as reconhece como iguais.
     Vítimas? Das circunstâncias, da falta de recursos, da falta de apoio,do preconceito, do descaso e Deus sabe de mais o que. Muitas dessas pessoas já passaram por abrigos, mas foram convidadas a se retirarem ou preferiram voltar para as ruas. Algo não está certo. Existem membros da classe média recebendo bolsa família e comprando apartamento pelo Minha Casa Minha Vida pra fazer especulação imobiliária, enquanto o povo que precisa está tendo a casa demolida. Essa é a política de moradia desse governo e essa é a cara do Rio que os "gringos" não querem fotografar, talvez eles devessem, a seleção alemã fez mais pelo Brasil durante a copa do que quatro anos de governo da Dilma, poderíamos fazer uma campanha #voltaalemanha, assim um evento mundial finalmente daria algum retorno real para o povo ao invéz do prejuizo que tem sido até agora, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

ASS: Bruno Santos.

Fonte: Jornal Brasil de Fato 3-10/6/2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Arapuca


"Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares" (Efésios, Capítulo: 6,12).

     Eu já fui uma criança um dia, acrítica, que não pensava a respeito dos conceitos do senso comum que a todo momento me eram empurrados. Todas as simpatias, as brincadeiras, músicas, etc. Hoje eu sou grande e tenho responsabilidade por tudo o que produzo e reproduzo, por isso tomo cuidados e escrevo esse texto com o objetivo de lhe ajudar a fazer o mesmo. A princípio ele terá mais perguntas do que respostas e você irá perceber uma realidade que não está tão longe de você!
     Quantas vezes em frente a TV ou do computador você não se viu repetindo uma frase de invocação durante um desenho animado ou um filme? Quantos personagens dos quais você gosta possuem características que você provavelmente repudiaria na vida real? Em algum momento alguém se perguntou por que a fonte dos poderes de He-Man é uma "caveira cinza" ou por que Goku e seus amigos invocam um dragão que realiza desejos? Havia notado que os símbolos nas antenas dos Teletubbies correspondem às relíquias da morte presentes nos filmes do bruxinho Harry Potter? Já notou como nos filmes de terror em geral, mas em especial os com possessões, a figura de Deus é colocada como indiferente, como um mero expectador que não exerce nenhum tipo de influência seja, para salvar ou punir? Percebendo, ou não, essas questões estão lá, a todo momento sendo implantadas lentamente nos subconscientes, geração após geração, e isso já surgiu efeitos, acredite!

     Quantas vezes você teve medo de ir à Igreja por conta da violência? E quantas vezes deixou de ir lá, seja pela chuva que caía ou pelo excesso de sol, mas reflita, deixou de ir trabalhar por algum desses fatores? Para os jovens que namoram, quantas vezes saíram do trabalho/curso/faculdade cansados, prontos para se deitarem e dormirem por uma semana inteira, mas diante de um pedido de sua cara-metade foram a seu encontro e passaram horas juntos? Me digam então, por quê parece tão impossível fazer meia hora de adoração em um dia da semana? Quantas vezes você começou um final de semana com o objetivo de se dedicar aos estudos, mas com o simples ato de abrir uma rede social para dar uma olhadinha acabou perdendo quatro horas fazendo absolutamente NADA?

     Nada é o que parece! É preciso estar atento a todo momento, pois os ataques são contínuos e muitas vezes estão disfarçados de coisas inocentes. Uma música com bela melodia pode te levar a bendizer um deus pagão ou te apontar a traição como uma coisa comum a qual todos recorrem para esquecer dos problemas domésticos, uma novela pode te fazer achar que a família é uma instituição ultrapassada ou que sexo é uma fonte de prazer que não precisa estar ligada a algum tipo de compromisso, só precisa ser em grande quantidade para te fazer feliz consigo mesmo e com o mundo, mas você sabe que não é assim, essas concepções não são naturais em você, estão sendo introduzidas, a cada momento, dia após dia.

     Existe uma ideia sendo divulgada, a de que as coisas mudaram, se mordenizaram e que essa compreensão irá resolver todos os conflitos. Acontece que o que era errado a cinco mil anos atrás ainda é errado hoje, soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça não são estilos de vida saudáveis hoje, assim como não eram naquela época. Então, o que todos dizem que mudou? Eu digo: a abertura nos corações para a presença de Deus está cada vez menor. E no lugar em que o Senhor não pode entrar, você já sabe quem manda. Né?! Recentemente foram divulgadas na internet várias tentativas de se comunicar com Charlie, um "espírito mexicano" que não tem nada melhor para fazer do que ficar movendo lápis por aí para responder perguntas, quase como um "Posso ajudar" de bolso. Eu realmente não queria falar sobre isso, já que sempre existiu esse tipo de jogo de comunicação entre planos e sempre haverá um adolescente idiota o bastante para tentar, seja com lápis, copos, espelhos ou sacrifício de pequenos animais. O que eu realmente quero expor aqui é exatamente como isso se tornou algo banal. EU NÃO DEVERIA ACHAR ISSO NORMAL, mas já acho.

     Não desejo te tornar um(a) paranóico(a) com medo de sair de casa ou de ligar a TV, mas se você tiver mais cuidado com o que assiste, com os assuntos das suas conversas, com as pequenas mentiras que conta por conveniência, com seus olhares e pensamentos, sem dúvidas as artimanhas do mundo irão se tornar cada vez mais claras para você. Lembre-se, a porta não sofreu reformas, ela continua estreita, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

"Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos, Capítulo: 6,23).

Ass: Bruno Santos

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Assassino de Bolso


     Em 29 de agosto será o Dia Nacional de Combate ao Fumo, sendo adepto desta causa, trago algumas informações sobre esse personagem tão controverso da nossa sociedade. O cigarro é um instrumento de suicídio lento e doloroso, se você fizer uma pesquisa verá que a cerveja em quantidades controladas tem benefícios para a saúde, o vinho idem, até a maconha que é uma droga viciante que degrada o celebro e altera o comportamento dos usuários pode ser usado para fins medicinais em alguns casos, mas o cigarro não, é só um veneno que faz com que as pessoas fiquem fedidas por fora e podres por dentro. Ele é uma das principais causas evitáveis de mortes prematuras em todo o mundo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, 4 milhões de pessoas morrem por ano devido a doenças causadas diretamente pelos derivados do tabaco, até 2025 dez milhões de mortes serão causadas ao ano por ele.

     O tabaco se tornou conhecido do resto do mundo quando os navegadores europeus, chegando no continente americano, encontraram os nativos imersos em rituais nos quais se intorpeciam inalando a fumaça da planta que foi considerada medicinal, sendo levada para o continente europeu predominou na forma de tabaco fumado dando inicio a industrialização do cachimbo. Na Inglaterra e França o hábito de fumar foi tão amplamente difundido, que logo vagões de fumar foram introduzidos em trens, e salas de fumar em clubs e hotéis. Até mesmo roupas apropriadas para a prática foram criadas, o smoking é um exemplar. No século XIX surge o cigarro propriamente dito. O difusor do tabaco na Europa foi Jean Nicot (Nicot, Nicotina, sacou?), na época a cura de mais de 60 doenças foram atribuídas ao tabaco, as propriedades terapêuticas do tabaco foram aceitas sem restrição pela população em geral e até pelos médicos. Entretanto as denúncias sobre seus efeitos colaterais não demoraram a aparecer.

     Entretanto mostrar que ele era um vilão não seria uma tarefa fácil, o fumar foi assumido como uma forma de afirmação na sociedade, status e até mesmo sensualidade. Artistas famosas, carros, ideias de poder ligadas ao fumo eram muito comum nos comercais. Isso porque, acreditava-se, que quanto antes convencer que “fumar é bom”, melhor para as vendas, pois garantirá um adulto que fuma. Pode-se considerar que o ato de fumar está, muitas vezes, mais ligado ao ritual que envolve o ato de fumar do que à própria nicotina.

      Felizmente o tempo passou e o acesso a informação propiciou um maior conhecimento sobre os efeitos dessa droga, inclusive para os fumantes passivos, a fumaça do cigarro prejudica diretamente o funcionamento da circulação coração-pulmão. Com o passar do tempo os alvéolos pulmonares vão sendo cimentados pelos componentes da fumaça do cigarro, deixando de fazer sua função. O organismo então passa a ter menor oxigenação dos tecidos, resultando em maior facilidade de cansaço para o fumante. O cigarro também causa inúmeros danos ao coração e pulmão, tal como infarto e câncer.

     Além da já famosa Nicotina o cigarro ainda conta entre seus ingredientes com acroleína, fenóis, peróxido de nitrogénio, ácido cianídrico, amoníaco, alcatrão e outros agentes cancerígenos. E o pior não é pensar no quanto 35 milhões de brasileiros são idiotas o suficiente para por tudo isso para dentro de seu organismo e ainda por cima pagar por isso, o pior é saber que quem fica perto de uma pessoa dessas é mais prejudicado que a própria pessoa, até porque a pessoa que fuma tem a "proteção" do filtro. Acho que o único momento em que um fumante é querido POR SER FUMANTE é quando chega a hora de acender a vela de aniversário e ninguém encontra os fósforos.

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Cigarro

http://www.antidrogas.com.br/mostraartigo.php?c=33&msg=Aspectos%20Hist%F3ricos%20do%20Tabaco

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Biografia


     Eu sou um filho de pais separados, negro, que fez todo o ensino fundamental em colégio público, que começou a trabalhar com dezesseis anos para deixar de ser um peso e poder ajudar em casa comprando para mim aquilo que minha mãe sofria por não poder comprar. Durante o ensino médio tive dificuldades devido a discrepância no nível de ensino que encontrei no Liceu Nilo Peçanha, eu tive revisões de matérias que nunca tinha visto na vida, o que, como você deve imaginar, não ajuda muito. Nesse contexto de vida, a faculdade era, para mim, equivalente a viagem à Disney para o menino de rua, seria legal, mas não tanto quanto minha próxima refeição. Eu cogitava algumas possibilidades, mas não me prendia muito a elas, o que eu queria mesmo era terminar logo o ensino médio para poder procurar um emprego de carteira assinada.
     Depois de repetir o segundo ano eu decidi me matricular em um supletivo particular, hoje eu digo que esse é o maior arrependimento da minha vida, mas talvez eu mude de idéia um dia, ainda tenho uma vida inteira de coisas das quais poderei me arrepender, o fato é que, lá eu não aprendi nada, não fiz amigos e ainda perdi o direito às cotas para alunos de colégios públicos, que teria sido muito bem vinda digasse de passagem. Resumindo, não tive um retorno positivo do meu investimento, não que eu tenha  percebido na época. Tudo que eu sabia era que com meu comprovante de conclusão do ensino médio eu poderia procurar um emprego de carteira assinada. Foi o que eu fiz, e encontrei.
     Muitos anos depois, mais precisamente hoje, após muitas cabeçadas, cobranças, conselhos e vislumbres de perspectivas que eu não poderia ter sem viver tudo que vivi, passei a cogitar a possibilidade de cursar uma faculdade. Não tenho ainda paixão por um curso, não sonho com o exercício de uma profissão, mas me anima a idéia de ESTAR em uma faculdade, vendo líderes se formando com novos pensamentos e atitudes, percebendo as mudanças na sociedade, observando as pressões exercidas, bebendo da fonte das revoluções. Ainda tenho tantas perguntas quanto quando tinha dezesseis anos, talvez mais, só o que não tenho mais é o medo.
     O medo de perder tempo, pos hoje sei que a verdadeira perda é a que se perde sentindo o medo. Eu tinha medo de me empenhar em algo que poderia não dar certo, de me dedicar a um projeto sem um retorno garantido, de mostrar meus sentimentos e vê-los sendo usados contra mim, de ser eu mesmo durante o processo de descobrir quem eu era, medo de decepcionar quem acreditava em mim, medo de agradar quem desacreditava de mim, medo de mostrar que tinha medo, medo de acordar um dia, olhar pro passado e perceber que não fez nada de relevante e que minha passagem pelo mundo seria ignorada pelos livros escolares. Medo.
     Esse texto não tem um objetivo pré-definido, talvez ele seja apenas um desabafo ou a minha tentativa de dar algo meu para que alguém se lembre que eu existi algum dia, que tive meu jeito de ser definido por esta história de vida juntamente a outros fatores que não cabe acrescentar aqui no momento, talvez ele seja apenas um grito no meio do deserto tentando ajudar os peregrinos a vencerem suas limitações e abrirem mão de seus medos, mas quem sou eu para gritar ao outros que abandonem seus medos? Ainda tenho todos os medos que descrevi no parágrafo anterior.

Ass: Bruno Santos.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um Retrato da Educação no Brasil

     Venho através deste artigo, expressar algumas opiniões sobre um problema que assola nosso país. A princípio deixo claro que não tenho ligação com nenhum partido ou movimento político, sendo eu um mero cidadão, um jovem nascido em São Gonçalo e criado em Niterói, ambas cidades do Estado do Rio de Janeiro, do qual não pretendo sair apesar da crescente onda de violência que vem massacrando a região. Minha motivação para esta carta veio da reflexão sobre um fato curioso que se passa em nosso país: os alunos das faculdades públicas são em sua maioria da classe média e média alta da sociedade, enquanto os que recorrem ao ensino particular são em sua maioria membros da classe média baixa. Não sei se isso acontece em outros países, mas sei que aqui é uma realidade irrefutável aqui.
     Os pobres não conseguem entrar para a faculdade pública! Primeiramente porque grande parte dos cursos, se não são de horário integral, tem horários que dificultam a possibilidade de conseguir um emprego, algo do que pessoas pobres precisam para ter como comer e se vestir. Em segundo o fato do ensino fundamental e médio da educação pública serem precários dificulta tanto a entrada quanto a permanência de um jovem em um curso superior, e se me permite dizer a "solução" que o governo deu para esse problema, as cotas, é uma das maiores enganações, uma improvisação que está se tornando permanente. Eu sou negro e tenho tanta capacidade para aprender quanto qualquer outro jovem de 24 anos, o que eu não tive foi uma base de ensino forte suficiente para passar em um vestibular sem um curso preparatório, o qual não tenho tempo de fazer por precisar trabalhar.
     Então, que tal ao invés de dar migalhas ao povo não começarmos a realmente mudar as coisas? Não adianta querer imitar atitudes que deram certo em países de primeiro mundo quando a educação do nosso país é de terceiro. Liberar a maconha não vai resolver o problema do tráfico e liberar o aborto não vai extinguir as clínicas clandestinas. Diminuir a menoridade penal não vai resolver o problema da criminalidade infantil sem uma reformulação na FEBEM, nos presídios, nas leis referentes ao cumprimento integral da pena e registros e é claro na EDUCAÇÃO.
     Eu estou postando esse texto para que outras pessoas possam ter acesso a esse pensamento e quem sabe levar esta realidade aos nossos governantes, e mais que isso, para que essa atenção com a educação possa ser cobrada por cada cidadão, em prol de um mundo onde o "mim" não conjugue verbo, os "porquês" sejam usados da forma correta, onde as pessoas tenham mais livros que filmes piratas e mais preocupação com a programação teatral da cidade que com os campeonatos de futebol. Pôs eu acredito em um mundo onde as pessoas se vistam e saibam que os outros são mais que parceiros sexuais em potencial, mas pessoas com sentimentos, sonhos e uma história de vida. Um lugar onde as músicas tenham refrões que façam sentido e danças que não denigram a imagem da mulher e nem a deixem aleijada futuramente.
     Esse mundo pode começar agora, pode começar no Brasil, basta que haja o devido investimento e reconhecimento na área que realmente pode iniciá-la e no profissional que esta encarregado de levá-la, se possível recebendo um salário digno sem precisar apanhar de policiais e com segurança para não apanhar de jovens revoltados, espero que essas palavras possam ser acolhidas e postas em prática, afinal elas são apenas a Minha Humilde Opinião.
.

Ass: Bruno Santos

sábado, 9 de maio de 2015

Um Jovem Negro

     Caminhando de volta para casa em um sábado a noite, corri para atravessar a rua tendo em vista que o sinal acabara de abrir e os carros começavam a se mover em minha direção. Para minha surpresa, fui recepcionado do outro lado por uma senhora idosa que, ao me ver, correu para se esconder atrás de um poste e com as costas contra a parede se pôs a me olhar com um terror nos olhos que me faria achar que ela estava vendo algum tipo de demônio montado nos meus ombros... mas eu sabia o que ela estava vendo: um garoto negro correndo em sua direção. Continuei caminhando, fingindo que não tinha percebido aquela reação. Trinta metros a minha frente, uma viatura ostentava suas ofuscantes luzes vermelhas com dois agentes em seu interior.
     Lembrei de uma reportagem que havia chamado minha atenção mais cedo enquanto eu lia o jornal: um homem que, durante uma abordagem policial, havia sido alvejado com um tiro na bochecha, aparentemente por estar sem documentos. Me perguntei se a alta taxa de melanina presente na pele do abordado teria alguma relação com o desfexo dessa triste história. Não pude evitar que um "E se" passasse pela minha mente e, devidamente instalado, ele tratou de se multiplicar resultando nas seguintes perguntas: E se aquela senhora tivesse a mesma reação em frente a viatura? E se eu fosse abordado? E se os policiais simplesmente não fossem com a minha cara?
     Já ví muitas mulheres apertarem as bolsas contra o peito ao me verem passar, já ví pessoas atravessarem a rua ao verem minha aproximação na direção oposta pela rua escura, já fui seguido por guardas em supermercados e revistado em lojas de departamentos. Não vou perguntar se tenho cara de bandido, pois não acho que caráter seja fisionômico. Se fosse os políticos precisariam apresentar seus históricos de cirurgias plásticas antes de se candidatarem e não precisariam abrir a boca na propaganda eleitoral, apenas se exibirem em ensaios fotográficos. Mas não é assim que funciona, somos mais do que sugere nossa aparência, somos o produto de um conjunto de fatores: sociais, econômicos, culturais, familiares, éticos e etc. Minha graduação acadêmica, profissão e fé não estão estampados na minha pele. Aquela senhora poderia estar com medo de um médico, advogado ou padre, mas ela não teve tempo para refletir sobre isso, ela estava ocupada se protegendo de um jovem negro.
     Se um neto perguntasse à essa idosa se ela tem algum tipo de preconceito provavelmente ela responderia que não, assim como  grande parte dos brasileiros, mas atos falam mais alto que respostas politicamente corretas. O Brasil tem mantido os afrodescendentes em situação desfavorável perante a sociedade a séculos. Somos a maior parte da população no país, mas temos uma representação mínima nos cargos de destaque das empresas, nos poderes legislativos, nos comerciais televisivos e novelas que não se ambientam em comunidades carentes. Fomos convencidos de que nosso cabelo duro é ruim, que nosso nariz deveria ser mais fino, que nossos olhos deveriam ser mais claros e que ser chamado de preto(a) é ofensivo. O plano dos escravistas para que o Brasil não se transforme em um Haiti continua funcionando.
     Confesso que durante alguns minutos me culpei pela reação daquela mulher de cabelos brancos. Disse para mim mesmo que deveria ter atravessado na faixa, deveria ter corrido menos, deveria ter feito a barba pela manhã, mas desisti de por a culpa em mim. Também não pus nela, afinal, tem gente sendo morta por causa de dois reais, o medo se tornou um companheiro inseparável da população. Mas, se a culpa não é dela e nem minha, de quem é? Acho que esse medo (na verdade, preconceito) foi, e continua sendo, uma construção histórica, cultural, fruto dessa nossa sociedade dividida em classes, na qual a classe dominante lucra com a marginalização e discriminação da classe dominada.  Fruto de uma sociedade que estigmatiza determinados grupos sociais, enquanto enaltece e privilegia outros. O preconceito é funcional a manutenção da nossa sociedade tal como ela é, e isso vai continuar assim para os meus filhos e netos. É triste, mas é a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Colaboração de Caroline Macedo.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Jovem Brasil

     O Brasil é um país jovem, e assim como qualquer jovem, ele se espelha em ícones, personagens em evidência que mostram um estilo de vida interessante e sedutor, estilo de vida que a grande maioria dos jovens não podem sustentar. Da mesma forma, o Brasil, se espelhando em países de primeiro mundo e busca soluções para seus problemas, mesmo sabendo que não possui estrutura monetária ou cultural para isso, o exemplo mais recente desta tentativa é a regulamentação da maioridade penal.
    Um país onde um pai de família fica preso durante vários anos por ter roubado comida enquanto um deputado que desviou milhões dos cofres públicos goza da liberdade com incontáveis regalias não pode se declarar um dos mais justos. Muito menos acreditar que jogar um jovem de dezesseis anos em uma das já superlotadas penitenciárias, junto com criminosos renomados, resolverá o problema da violência, dos roubos ou mesmo do tráfico por parte destes. O fato principal pelo qual isso não dará certo é que quem comete um crime nunca acha que vai ser preso, se eles achassem não cometeriam. Seja menor ou maior de idade, o que impulsiona o infrator é o sentimento da impunidade. Obviamente não podemos ignorar os fatores socioculturais que levam alguém a cometer um ato ilícito como fome, vícios, problemas psicológicos, etc. Mas convenhamos, se a punição fosse uma certeza, quem se arriscaria?
    Essa crença sobre a capacidade de reabilitação da cadeia já deveria ter sido revista a décadas, mas ao que parece, tem muita gente ganhando dinheiro com esse sistema para deixa-lo ser substituído por um que funcione. E ainda existe muito mais para ser ganho com a privatização das penitenciárias, que irá transformar detentos em mão de obra barata, sem carga horária, sem impostos e que dará aos empresários fama de bonzinhos que dão oportunidades de emprego para pessoas mal vistas pela sociedade. E nem vou citar o fato da grande maioria dos presidiários serem afrodescendentes pertencentes às camadas desfavorecidas economicamente. Colocar um jovem que roubou para sustentar seu vício na mesma cela que traficantes, assassinos e estupradores não tornará este jovem um cidadão mais consciente, pelo contrário, o tornará um adulto revoltado, que odeia o sistema, a polícia e qualquer tipo de autoridade.
     Se o objetivo final desse processo é educar os jovens para a cidadania, este ensino deve caminhar paralelamente a educação que este jovem recebe em seu dia-a-dia, e deve ser anterior ao surgimento de desvios ético/morais, deve ser tão natural quanto o "ABC" ou o "2+2=4". E isso não pode tirar das famílias a responsabilidade sobre a formação moral dos jovens, mas se faz necessário que o Estado forneça recursos, meios materiais de auxílio nesta difícil tarefa. E não me refiro a assistencialismo, mas aos nossos direitos básicos, a fornecer colégios de horário integral com formação profissional e preparo para vestibulares, transporte, moradia, saúde e saneamento básico. Este é o caminho que devemos tomar, "Menos cadeias, mais escolas", afinal, "Cadeia é um lugar muito caro para tornar as pessoas piores", mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião."

Ass: Bruno Santos.

Fontes: Marcelo Freixo

terça-feira, 28 de abril de 2015

Geração Fast-food

     O mundo moderno pede velocidade, velocidade na locomoção, na alimentação, na troca de informações e até nos relacionamentos humanos, não temos um minuto a perder, pos o mundo inteiro pode mudar em um minuto, nessa febre de não perder nada, acabamos perdendo coisas das quais não nos damos conta.
     Somos a geração "fast-food", queremos praticidade, queremos ter o mundo na palma de nossas mãos, queremos conhecer o mundo inteiro pela janela do computador, mas esquecemos de buscar a qualidade, de dar a mão para quem caminha ao nosso lado e nem sequer olhamos pela janela do nosso próprio quarto. Temos a medicina cada vez mais avançada e crianças cada vez mais doentes pos, sem contato com a natureza, o nosso organismo não cria os anticorpos necessários e não pode se dar aos luxos que eram comuns aos nossos avós como andar descalço na lama, comer fruta direto do pé e beber água do poço. Temos a tecnologia mais avançada até nos brinquedos e crianças com cada vez menos capacidade de pensar fora da caixa, de criar e de imaginar. Temos um conhecimento maior sobre nossos corpos, desenvolvemos novos esportes e novas formas de nos exercitar, mas estamos cada vez mais obesos, cardíacos e hipertensos.
     Chegamos a um novo patamar da filosofia, iluminados pelas ideologias de liberdade, igualdade e fraternidade, mas nos encontramos em contatos cada vez mais superficiais uns com os outros. Somos estranhos morando dentro de nossas próprias casas, mas dividimos nossos pensamentos mais íntimos com o mundo através das redes sociais. Não conhecemos nossos vizinhos, mas sabemos o que aquela estrela de cinema que mora em outro continente comeu no café da manhã. Estamos ganhando dinheiro de formas que não eram possíveis antes, e gastando dinheiro em coisas com cada vez menos sentido. O Homem da Idade Média temia a existência de dragões e outras feras, o Homem moderno teme o fim do mês, teme o desemprego e a falha na rede. Os jovens já temeram uma convocação para o exército, mas hoje o que eles temem é um compromisso estável. Preferem regredir à pré-história e viver de galho em galho.Não sabem mais concertar o que está quebrado, preferem trocar.
     A raça humana buscava compreender Deus, seus caminhos, projetos, seu amor. Depois de alguns anos de silêncio nos convencemos de que ele não diria mais nada e que nós deveríamos nos virar com o que tínhamos, e assim como a vizinha que critica o amarelado das roupas no varal sem lembrar de limpar as próprias janelas, esquecemos de tirar a cera de nossos ouvidos para escutarmos a voz que nos grita a cada instante. Essa geração é capaz de grandes coisas, mas nenhuma irá preencher seu interior como as pequenas, as pequenas contemplações, as pequenas descobertas, como os pequenos momentos e a pequena fração de segundos de um sorriso que fazem as 24 horas do dia valerem apena.
     Espero que algo do que foi escrito aqui tenha feito sentido para você, mas caso não tenha, não se preocupe, eu te invejo, e esse emaranhado de idéias soltas nada mais é que a Minha Humilde Opinião sobre a nossa geração.

Ass: Bruno Santos

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Preconceito, o medo do diferente


     O seres humanos são constantemente rotulados, seja pela forma de se vestir, pelo lugar onde moram, pelo tipo de música que ouvem, pelo programa de TV que assiste ou pelo simples fato de assistir ou não TV.
     O motivo para isso é que existe na mente de cada Homem uma ideia pré-definida sobre aquilo que é normal. Fazendo com que tudo que se oponha ou diferencie daquela ideia seja tido como ruim, reprovável ou só estranho. As razões podem ser muitas, cultura, religião, nível social, nível de instrução, preferências pessoais, etc. Seja qual for o motivo, essas diferenças separam as pessoas em grupos, grupos que acreditam que são melhores, mais desenvolvidos, fortes, maduros, abençoados e várias outras coisas a mais que os membros dos outros grupos, em alguns casos relativamente simples, essas diferenças criam grandes obstáculos e em certas circunstâncias até ocasionam guerras.
     Na verdade, o que se passa é o que já dizia a consagrada frase, "O homem teme tudo aquilo que não conhece". De certa forma, por algum tempo, esse sentimento manteve a espécie viva, o nosso medo é um mecanismo de defesa natural de autopreservação, fez com que o homo sapiens entendessem quais animais ao seu redor eram predadores, quais eram presas e quais eram domesticaveis, nos ajudando a evoluir e ampliar território. Mas hoje, esse medo do desconhecido apenas nos torna mais selvagens. Pertencemos todos a mesma raça, a raça humana, mesmo que cada um carregue suas peculiaridades, não deveria existir espaço para outro sentimento que não fosse o respeito.
     Ainda assim, a jovem de vestes curtas parada na esquina de madrugada tem sua imagem ligada a de uma prostituta, o jovem que ouve funk sem fones de ouvido no ônibus é rotulado de marginal, o pastor é visto como ladrão, o padre como pedófilo, o velho como um peso morto que apenas espera pela sua morte, mas não, não é assim, e nós sabemos, as coisas podem fujir de seu padrão, tornando um pré-julgamento de uma situação ou imagem, quase uma receita para o erro. Existem negros que fazem esgrima, brancos que fazem rap, mulheres que trabalham em oficinas mecânicas e homens que trabalham de babás, idosos que participam de maratonas e crianças que tem problemas cardiacos.
     Julgar uma pessoa apenas com um rápido vislumbre de sua aparência é tão errônio quanto julgar um livro pela capa. O ser humano está em constante construção. Ele tem a capacidade de mudar seus caminhos, suas escolhas e hábitos. Sendo assim, não podem ser definidos em sua totalidade por uma única característica, muito menos uma física. Mas essa, vocês já sabem, é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos