quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A Procura da Felicidade

Qual a razão de você se declarar uma pessoa feliz hoje?

"Ter meu pai vivo para conhecer os netos."
Clarisse - 35 anos - Jornalista

"Ter conseguido meu carro e minha casa com meu próprio esforço."
Adriano - 29 anos - Advogado

"Ter mais um dia de vida."
Florindo - 93 anos - Aposentado

"Ter a Tati do meu lado."
Roberto - 17 anos - Estudante

"Meus 100.000 seguidores no YouTube."
Caio - 25 anos - Vloguer

"Não ser alérgica a chocolate."
Kamilla - 23 anos - Modelo

"Humm... Acho que tudo ué. É tudo bom. Menos jiló, jiló não é bom."
Ana - 3 anos - Princesa

"Meu filho tá na faculdade mermo tendo uma mãe analfabeta. Ele é um menino bom que me ajuda muito (lágrimas)"
Jurema - 41 anos - Doméstica

"Poder dar orgulho para a minha mãe depois de tudo que ela passou para que eu pudesse estudar. Saber que eu vou conseguir dar uma vida melhor para ela."
Julio - 19 anos - Universitário

    A felicidade é uma reação química que ocorre quando temos em nossa corrente sanguínea substâncias como Serotonina, Dopamina, Endorfinas e Oxitocina. Para algumas pessoas a comida certa libera esses estímulos, para outras TER comida já é suficiente. 
    Como disse um dia o Duque de Lévis: "Tudo é relativo, salvo o infinito". O que é felicidade para uns, não representa nada para outros e vice versa. Entretanto, existem situações que geram felicidade em quase todas as pessoas, como alcançar um objetivo ou ver seu esforço recompensado.
    É a busca por esse sentimento que impulsiona as pessoas a continuarem vivas. Pessoas sem objetivos, sem sonhos a alcançar se tornam infelizes, vazias, podendo inclusive desenvolver um quadro de depressão. Alcançar metas é ótimo, é o momento do deleite pela vitória, mas logo após chega o momento de traçar uma nova meta, de reciclar seu conceito de felicidade, aprimorá-lo.
    Como cada pessoa é única os sonhos variam muito, assim como a idade na qual os mesmos aparecem. O que muda também são as condições de cada pessoa para viver seus sonhos. Um sonho que parece bobo para uma pessoa pode parecer incrível para outra, sonhos inalcançáveis podem ser rotina na vida de pessoas de outra realidade.
    Minha família não tem nenhum médico ou advogado, ao menos nenhum juntando todas as gerações que eu conheço. Conheço um pai que tem duas filhas, uma médica e uma advogada. Agora veja, na minha família, ter o ensino superior, em qualquer curso, já é considerado uma grande vitória. Mas, para esse pai, ter filhas formadas é o mínimo que ele poderia esperar pelo padrão de vida que ele as ofereceu.
    As duas famílias ficam felizes quando vêem um membro se formar, mas com intensidades diferentes. Por isso, digo que não existe sonho pequeno ou grande existem sonhos que ficam nos sonhos e sonhos que se tornam metas. Quando você visualiza seu objetivo, as etapas que precisa cumprir para chegar até ele, percebe que elas estão ao seu alcance e começa a trilhar o caminho, você está vencendo.
    Está vencendo a sí mesmo, com seus traumas e medos, está vencendo a sociedade, formada por pessoas que desistiram dos próprios sonhos e que insistem em falar que você também deve desistir dos seus e está vencendo o sistema, que colabora de todas as formas para que as pessoas se confirmem com o que tem. Ser agradecido pelo que possui não significa se conformar. Devemos agradecer? Sim, mas jamais nos conformar.
   Somos filhos e filhas de um Rei, não merecemos nada que seja menos que o melhor. Mas, só conquistaremos se formos capazes de acreditar nisso a ponto de lutar por essa verdade. Sonhar é o combustível para se manter vivo, realizar os sonhos é o combustível para continuar sonhando. Mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Nota: Todas as respostas do começo do texto são ficcionais, não houve uma entrevista, qualquer semelhança com a realidade é uma coincidência.

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terça-feira, 2 de agosto de 2016

O Poder do Branco



     Ninguém preenche um cheque e o entrega em branco para outra pessoa, isso é perigoso, pode culminar em serias consequências. Ninguém vai a um restaurante desconhecido olha para o garçon e diz: Meu querido, me surpreenda! Seja lá o que ele trouxer, terá de ser pago. Você não vai querer correr o risco que seja algo que você não queira, pois dar a outro autonomia para escolher por você não te isênta da responsabilidade e por mais que você ache que é indiferente fazer ou não a escolha já que qualquer das opções dadas não seriam a escolha ideal, pense que ainda pode ter uma menos pior.

     Bem, caso o assunto deste texto ainda não tenha ficado claro para você eu vou direto ao ponto: o que você tem feito com o seu voto? Tem aplicado e investido em algo que valha a pena ou tem entregado nas mãos de outros para que façam o que bem enterem? Em uma entrevista o então Ministro, Marco Aurélio Mello,  declarou que o voto nulo é a melhor forma de "Dar uma de avestruz, enfiando a cabeça na areia e deixar o vendaval passar, é a melhor forma de comprometer negativamente o futuro do país". 
     E caso você já esteja sentindo no ar, sim, esta seria a parte do texto em que eu voltaria vários séculos na história do mundo para falar sobre paises que foram governados por crianças só por terem nascido na família certa, falaria de tiranos que exploravam o povo como propriedades suas nos feldos e sobre toda a luta que nossos conterrâneos travaram para nos dar o direito ao voto, ressaltando os mais "recentes" com esse direito que são as mulheres e os jovens, mas eu não vou fazer isso, eu vou te dar um outro argumento prá te convencer a não votar nulo.
     Não serve para nada do que você imaginou, "Afirma-se, por exemplo, que os pleitos (para cargos majoritários ou proporcionais) seriam cancelados caso houvesse mais de 50% de votos nulos. Isso é conversa fiada, avisa o TSE. No caso da eleição para deputados federais, estaduais e senadores, pode haver maioria folgada de votos nulos, que, ainda assim, os deputados tomarão posse. Mesmo se tiverem meia dúzia de votos. A Constituição garante que servem somente os votos válidos (excluindo-se os nulos e brancos) e ponto final".

     É isso mesmo, toda essa história que votar nulo para mudar o pais só coloca o poder de escolha  na mão da minoria, pessoas menos capacitadas e facilmente influenciáveis por propagandas bonitas e palavras difíceis, ou pessoas que se beneficiam com a eleição de seus respectivos candidatos.
     Traduzindo para uma escala menor, afim de facilitar um exemplo para este ser de Humanas que vos fala: em uma eleição na qual três candidatos concorrem pelos votos de cem pessoas o candidato 1 recebeu 46 votos, o candidato 2 recebeu 36 e o 3 recebeu 18, nesse caso haveria segundo turno pos um candidato precisa de 51% dos votos para ser eleito. Agora se o candidato 1 recebesse 36 votos, o 2 recebesse 14, e o três não recebesse nenhum porque 50% dos eleitores votou nulo, o candidato 1 seria Eleito com seus 36 votos, pos os votos nulos não são contados na apuração e não fazem a menor diferença.
    E caso você AINDA esteja confuso com esse papo de nulo, veja bem, ele é um voto opcionalmente inválido, é diferente de um voto anulado como por exemplo o caso do macaco Tião, habitante do zoológico do Rio de Janeiro, que foi lançado pelos eleitores na época da cedula de papel como candidato a prefeito e terminou em 3o lugar, com 400 mil votos, ou o caso do bode Cheiroso um famoso candidato que em Jaboatão (PE), recebeu 400 votos para vereador e de bodes com o mesmo nome que já venceram em Olinda (PE) e Minas Gerais. Nesses casos os votos foram anulados, pos os candidatos não concorriam pelo STE, estes votos são diferentes dos votos nulos ou em branco ( que diga-se de passagem são exatamente a mesma coisa já que em 1997 foi alterada a lei que dava ao candadito com mais votos o domínio sobre os votos brancos).
     Outro mito sobre voto nulo é que ele serve como protesto, o voto nulo tem pouco valor como protesto, já que os políticos brasileiros não se importam com a opinião do eleitor. Anular é uma atitude alienada, de quem não se importa com o rumo do país. Retirar-se da discussão é fácil, porém perigoso, a forma mais segura de garantir um pais mais justo é fazendo uma escolha consciente e acompanhando o candidato escolhido e principalmente se dando conta de um fato que nós sempre esquecemos, o presidente da república nada mais é que um funcionário público, assim como os deputados, governadores e vereadores, eles foram colocados em cargos de liderança, mas com a finalidade de nos servir, se você contrata um funcionário você precisa cobrar o trabalho bem feito (principalmente com o altíssimo salário que ele recebe).

     Então, saia um pouco da rede social e vá pesquisar sobre o passado dos candidatos, seus projetos, partidos e círculos de amizades, hoje temos um acesso a informação que nossos pais nunca tiveram, vamos tentar usar para algo útil. Vá cobrar o hospital, a creche, a diminuição de tarifas que o prefeito prometeu quando era candidato. Reclamar da rua esburacada no facebook só funciona se você tiver o prefeito na sua lista de amigos, mas você sabe, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos

Fontes de pesquisa para este texto:
Revista Super Interessante Setembro de 2006.

Vídeo: Voto Nulo - Intendeu ou quer que eu desenhe (youtube)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Embriagados de "amor".

    Algumas semanas atrás eu e minha namorada pegamos um ônibus por volta das 6:40h de um sábado. Conversávamos distraídos quando um casal se levantou atrás de nós, dando a impressão de que saltaria no próximo ponto.
    Até então, nada de estranho, entretanto o casal não desceu naquele ponto, não desceu no próximo e nem no seguinte. Foi aí que se tornou impossível ignorá-los, principalmente levando em conta que a garota quase caiu em meu colo algumas vezes.
    Reparando bem, percebi que a menina estava alcoolizada e por isso se balançava a cada aceleração do coletivo. Ela estava sendo levada para casa pelo rapaz que parecia estar achando graça do fato dela não ter muita certeza de onde morava, mas também parecia estar um pouco preocupado já que, ele mesmo, parecia não saber onde estava.
    Vamos supor que este casal se conheceu na noite de sexta ou na madrugada de sábado, os dois estavam bêbados ao final do evento e ele se ofereceu para levá-la em casa. Teoria perfeitamente viável. Na verdade, parecia bem provável diante do comportamento de ambos e do nível de intimidade que eles demonstravam NÃO ter.
    Diante disso, me peguei pensando em quantos casais não adentram em relacionamentos estando embriagados por suas ilusões e carências. Muitas vezes procurando ser guiados por pessoas que também não sabem aonde estão se metendo. Apenas cegos guiando cegos.
    Muitas vezes só é necessário um corpo bonito, um bom papo, uma gentileza, e de repente já foram criados mil castelos imaginários. Mil projeções sobre como a pessoa é perfeita e te fará feliz. Se sonha com uma vida inteira  ao lado de pessoas com quem talvez nem se possa contar no dia seguinte.
    Muitos namoros, inclusive, se iniciam enquanto as partes ainda se encontram mergulhadas neste torpor. Veem o outro não como é, mas da forma como o imaginam e caso sejam capazes de enxergar os defeitos do outro, se consideram "os escolhidos" para gerar a mudança necessária apenas com sua presença, assim como nos filmes.
    O problema é que NA VIDA REAL não existem príncipes ou princesas encantados. Ninguém é normal quando visto de perto e um relacionamento só pode dar certo se as pessoas obtiverem um conhecimento verdadeiro sobre si mesmos e sobre seus pares. Daí então, é necessário refletir conscientemente sobre as diferenças e semelhanças do casal para ponderar sobre a viabilidade da união.
    Uma menina pode ser capaz de amar seu namorado apesar de seus atributos físicos questionáveis, mas será que ela suportaria ouvir o ronco estrondoso dele pelo resto da vida? Um menino pode tolerar a falta de interesse de sua namorada pelas músicas e filmes de que ele gosta, mas conseguiria manter um relacionamento se ela não suportar a família dele?
    Mais ou menos importantes, existem muitos fatores a serem ponderados quando se está conhecendo uma pessoa com quem se deseja viver um namoro. As vezes leva mais tempo para se descobrir aqueles defeitos escondidos por trás da bela maquiagem que é um sorriso. E esse é o motivo pelo qual muitos casamentos terminam em meses depois de anos de namoro, é que os namorados se dedicaram muito a conhecer seus corpos, mas pouco a conhecer suas almas e seu caráter. A parte mais importante, que não se deteriora com o tempo.
    Que possamos deixar Deus agir sobre nossa afetividade, para que sejamos capazes de enxergar além das aparências e das oportunidades. E acima de tudo, saibamos esperar o melhor que Ele tem para nós, sem nos contentarmos com os "brindes" do mundo. Pois, como está escrito no versículo 9 do segundo capítulo da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios, "Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam", mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Fonte:

Livro: Mitos Sobre o Matrimônio: o "Príncipe Encantado" - Robson Oliveira
http://ecclesiae.com.br/mitos-sobre-o-matrimonio-o-principe-encantado

sábado, 16 de julho de 2016

Mãe é Mãe.

   A família é a primeira porção da sociedade da qual tomamos conhecimento. É com ela que descobrimos as noções de hierarquia, o valor de uma alimentação saudável, da higiene, que existem leis e que seu não cumprimento gera punições e etc.
    Com todos os seus defeitos, qualidades e esquisitices, os pais ainda são a referência de vida dos filhos. Seja do que fazer ou do que NÃO fazer. Entretanto, tenho percebido uma tentativa de desvalorização do papel dos pais. Eles têm sido mostrados como desnecessários e até mesmo como empecilhos.
    Veja os heróis, aqueles que as crianças enxergam como exemplos: Spider-man, Batman, Harry Potter, todos os Cavaleiros do Zodíaco, o Naruto e o Goku são apenas alguns exemplos de órfãos que parecem ter se dado muito bem sem uma supervisão materna/ paterna. Os valores que eles conhecem foram adquiridos por osmose, com os amigos ou com pessoas que eles escolheram admirar.
     É quase como se uma ideia estivesse sendo vendida: os pais te limitam, eles te protegem demais, escute seus amigos, só eles acreditam e confiam em você de verdade. Entretanto, em meio a toda essa mentalidade mundana, um exemplo maior nos foi dado. Alguém que para legitimar o verdadeiro valor da família e provar sua beleza, escolheu crescer em uma mesmo sem precisar. Jesus de Nazaré.
     Ele poderia ter vindo dos céus cheio de glória e majestade, falado aos homens com autoridade divina, mas escolheu nascer pequeno e indefeso. Ser cuidado, alimentado, ensinado a falar e andar. Receber lições sobre hierarquia, leis, higiene, o valor da alimentação saudável e acredite, isso fez toda a diferença.
     Por isso, se tem algo que eu não compreendo é como a terra que Jesus pisou é considerada terra santa, as palavras que ele disse são consideradas santas, mas existe tanta resistência em assumir que o ventre que o trouxe ao mundo também é santo. Que a família que o acolheu é sagrada. Os discípulos de Jesus não foram escolhidos por acaso, por quê a mãe dele seria? Realmente acham que ele ficou sentado do alto dos céus com o dedo apontado pra Terra e dizendo "Uni-duni-tê"?
     Jesus disse "Eu saí de Deus. É dele que eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele quem me enviou" (João 8,42), e se Jesus provém do Pai, como poderia não cumprir os mandamentos do Pai? Como poderia deixar de honrar pai e mãe? Escutar sua intercessão é uma forma de honraria. E a intercessão de certa mãe durante um certo casamento foi capaz de apressar o Tempo de Deus, nunca mudar sua vontade, mas levá-lo a adiantar seus planos.
     Hã quem diga: essas pessoas estão mortas, elas não podem pedir mais nada a Deus. Estes provavelmente esqueceram das palavras do Senhor, pois "Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte" (João 8,51). E, se houve no novo testamento alguém que soube ser obediente a Deus, esses foram Maria e José.
     Maria viu a possibilidade de ser apedrejada como adúltera por aparecer grávida sem ter coabitado com José, mas confiou na providência divina, aceitou sua missão e ficou repleta do Espírito Santo. José, abriu mão de seus planos e sonhos para manter o salvador seguro, estava alerta a voz do mensageiro do Senhor para deixar o que quer que conquistasse e seguir em frente sem olhar para trás. Como alguém pode ousar dizer que estas são pessoas comuns? Quem se lançaria nos projetos de Deus sem pensar duas vezes?
     Cresci em uma família protestante e por isso tive muita resistência a imagem de Maria durante muitos anos, mas aos poucos, estou dando a ela mais espaço na minha vida. Se um dia Eric Clapton se oferecesse para me dar uma aula de guitarra eu não negaria. Se o Frank Miller quisesse me dar uma aula de desenho, eu daria uns pulos de alegria. Então, acho que seria uma grande burrice da minha parte escolher permanecer órfão quando A Mãe de Deus está se oferecendo para me adotar.
     Uma consideração final para fins de conhecimento: Eu sou o Bruno Santos, mas também sou o Bruno irmão de Nayana, o Bruno filho da Lenira, o Bruno da Carol, Bruno do ministério de Música, Bruno de Niterói, etc. Se até EU posso ter um monte de títulos sendo a mesma pessoa, qual a dificuldade para entender que Maria é uma só? Maria de Nazaré, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora de Guadalupe e etc, nada mais são que títulos diferentes dados para a mesma pessoa.
     Uma pessoa que amou a Deus e exultou seu nome através da própria vida:

"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre." (São Lucas 1,46-55)

Ass: Bruno Santos

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terça-feira, 5 de julho de 2016

Domingo de Manhã (Por: Caroline Macedo)


   Domingo. 7h30 da manhã. Rua deserta. Eu e meu namorado saímos juntos para uma atividade que faz parte da nossa rotina semanal. Disse rotina, o que não torna a atividade menos importante. Íamos participar da Santa Missa. 

  Ao fechar o portão percebi que minha sobrinha, que nos olhava da porta da sala, fazia repetidamente um sinal de “não” com o dedo indicador. Achei que fosse pelo fato de estarmos indo sair sem ela, depois do que aconteceu pensei que certamente era um aviso de Deus, o sinal de um livramento. 

  Depois de trancarmos o portão e darmos algumas poucas passadas pela calçada, ouvimos o barulho de uma moto se aproximando, o que rompeu o silêncio da rua e abafou o som da nossa conversa. Nela haviam dois sujeitos. Um deles começou a gritar “Passa o iPhone, passa o iPhone!!” 

   Olhei para o meu namorado e numa atitude quase involuntária comecei a tirar a bolsa do meu ombro, pensando que junto com ela não ia um iPhone, mas meu humilde MotoG2, comprado com o meu primeiro salário. Faltava pouco para eu entregar a bolsa, quando senti uma mão na minha cintura, o que me fez avançar algumas passadas. Sim, meu namorado fez isso! “Reagiu” a uma tentativa de assalto. Uma tentativa de assalto realizada por dois marmanjos desarmados, as 7h30 da manhã de um domingo, praticamente na porta da minha casa. 

  Eu nunca havia passado por uma situação capaz de me deixar em estado de pânico como esta me deixou. Se já passei, não me recordo. O fato é que mais do que em pânico, esta situação me deixou revoltada, magoada, por quase ter sido assaltada as 7h30 da manhã de um domingo, praticamente na porta da minha casa !! 

   Eu saio de casa durante a semana todo dia bem cedo para trabalhar, do trabalho vou para a Faculdade e sou liberada quase as 22h da noite. Pego  um ônibus, vou pro Terminal Rodoviário, pego outro ônibus e aí sim chego em casa. Eu imaginava que isso pudesse acontecer comigo no Centro de Niterói, no Campus da UFF ou em qualquer outro lugar. Mas jamais, jamais, quase na porta da minha casa às 7h30 da manhã de um domingo. 

   Sei que pode estar soando terrivelmente chato essa repetição de informações, mas repito para enfatizar a gravidade do fato.  

   Sou grata a Deus por naquela manhã Ele ter preservado a minha vida e a vida do meu namorado. Por Ele ter também preservado os bens materiais que conquistamos com o suor do nosso trabalho (o que não é tão importante, claro). Mas sinto muito, muito, por naquela manhã aqueles dois rapazes terem levado consigo o resquício de segurança que ainda havia em mim.

  A segurança que já senti quando ia para a Igreja, ou quando saia dela, as 23h, 00h, 6h, após uma Missa de preceito ou uma Vigília com a certeza de que chegaria bem em casa, mesmo que eu fosse sozinha. A segurança de andar pelas ruas do meu bairro, rodeada de vizinhos e gente conhecida, sem desconfianças ou receios. 

  Infelizmente não existe nada que possa nos deixar imunes a onda de violência que vem assolando a nossa Cidade. Não importa se você mora num bairro há duas semanas ou 30 anos. Não importa se você é homem ou mulher, velho ou criança, esteja sozinho ou acompanhado. Não importa se você tem um iPhone, um Motorola, Samsung ou CCE. Não importa se é manhã, tarde ou noite. Se você vai pra Missa ou pra balada. 

  Todos nós somos vítimas em potencial. Vítimas de uma sociedade que vem nos ensinando a temer sair de casa, pois não sabemos como iremos retornar. Não sabemos SE iremos retornar.

Ass: Caroline Macedo

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sábado, 2 de julho de 2016

Tem Gente Morrendo

                             "Tem gente morrendo
De angústia e de medo
Tem gente morrendo
De falta de amor
Tem gente morrendo
De dor e ódio
Tem gente morrendo"

     A vida humana está sendo banalizada. Nossa dignidade se perdeu em meio a tantos rótulos e denominações. Nos tornamos estatísticas, números e pontos de audiência.

     Essa banalização precisa cessar. Precisamos olhar para nós mesmos com dignidade e respeito, compreendendo que a busca pela preservação da vida de nossos semelhantes deve independer de diferenças políticas, religiosas, éticas ou étnicas.

     No dia 11 de Junho, 49 pessoas foram mortas em uma boate em Orlando, o fato dessa boate ser destinada ao público LGBT não passa de um mero detalhe. Antes de serem homossexuais ou qualquer outra denominação que possam receber suas práticas sexuais, eles são seres humanos, filhos e filhas de alguém. E essas mortes são perdas imensuráveis.

     Se nos escandalizamos com a morte de onças, gorilas e jacarés (que também aconteceram por motivos estúpidos e desnecessários), por quê o assassinato de bebês ainda no ventre é tratado com naturalidade tantas vezes? Policiais executados, crianças mortas na porta de suas casas, pessoas alvejadas durante tentativas de assalto ou ceifadas pela espera nas filas dos hospitais tem em suas almas o mesmo valor.

    Aliás, "Amarás teu próximo como a ti mesmo" (Mateus: 22,39) conta para todo mundo, não apenas para quem você gosta. Isso significa que os ladrões, assassinos, estupradores e pedófilos também merecem seu amor. Entenda, amor verdadeiro, amor que pune e ensina, mas que também perdoa.

     Que não façamos distinção de pessoas, possamos valorizar cada vida e lutar para que nenhuma se perca “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça (João 3,16)", mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Fontes:

Poema: Tem gente morrendo Ana

http://www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2016/06/noticias/mundo/347545-saiba-como-aconteceu-o-massacre-na-boate-pulse-em-orlando.html

http://www.jornaldecaruaru.com.br/2016/06/artigo-o-gorila-o-crocodilo-e-a-onca-por-severino-melo/

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sábado, 18 de junho de 2016

Com que touca eu vou?

     O frio pegou a nós, cariocas, de jeito! Mudou nossos hábitos e virou o assunto mais comentado. Com a chegada dele a procura por repelentes nas farmácias deu lugar a uma busca enlouquecida por manteiga de cacau, a melhor amiga dos lábios ressecados pelo frio.
     Caminhando numa dessas noites geladas, indo de drogaria em drogaria a procura de minha amostra (fui em sete no total), passei por uma cena curiosa: uma senhora que pedalava tranquilamente pela via, vestia um par de tênis confortáveis, uma calça de ginástica, um casaco quentinho e uma touca ninja. Sim, uma touca ninja!
     Sendo eu um ciclista, me admirei com a genialidade daquele ato. Ao contrário de outros ciclistas que eu já tinha visto naquela noite (é incrível a forma como coisas que te interessam parecem saltar sobre você na rua), que lutavam para manter o capuz do casaco na cabeça contra o vento, aquela senhora estava a vontade.
     Suas orelhas estavam quentinhas, seu cabelo não estava bagunçado e ela respirava sem dificuldades. Mas, se aquele acessório foi feito sob medida para esse uso, por que nunca tinha visto aquela cena? Quem sabe, talvez, por que dificilmente um rapaz conseguiria pedalar por cem metros sem - na melhor das hipóteses - ser parado pela polícia?
     Bem, digo que quando me imaginei com aquele acessório pelas ruas do meu bairro a imagem que me veio foi a da touca sendo perfurada por uma bala de fuzil. Ainda na minha cabeça. E digo mais, acredito que se durante uma revista encontrassem ela em minha mochila, mesmo que ainda embalada, eu acabaria respondendo por todos os crimes realizados com toca ninja nos últimos anos.
     Não posso usar essa touca pelo mesmo motivo que a cor vermelha consta com uma ressalva no meu armário, pelo mesmo motivo que tive de parar de usar boné e pelo mesmo motivo que levou minha mãe a me proibir de usar certas marcas de roupa no passado. Medo! Medo de parecer algo, medo de chamar certo tipo de atenção, medo de ser notado até.
     Me vestir como os outros jovens (boné, bermudão, cordões) me faria ser parado pela polícia, andar arrumado demais me faria ser alvo para assaltantes, ou seja, a técnica para sobreviver à minha adolescência (segundo minha mãe) consistia em não ser notado. Obviamente todo jovem quer ser notado, então eu saía de casa o mais simples possível e acabava de me arrumar no ônibus, mas ainda sim aquele medo ficou para sempre no meu subconsciente.
     Hoje, é impossível para mim comprar uma roupa sem pensar que tipo de atenção vou atrair com ela, que tipo de pessoa vou parecer. É a mesma coisa que penso quando decido que é hora de cortar o cabelo ou fazer a barba. Não sou eu quem escolho minhas roupas, mas a sociedade que me cerca e a forma como eu acho que eles vão reagir a isso. Hoje por exemplo, eu gostaria de viver em uma sociedade onde fosse bem visto ir trabalhar enrolado em duas camadas de edredons.
     Existe um tipo de acordo velado, com roupas que são adequadas ou não, ninguém realmente fala sobre isso, as pessoas simplesmente sabem, algumas pelo menos. Quer dizer, quando você está no shopping e vê um cidadão entrando no cinema de chinelo e meia você sente um desequilíbrio na força, mesmo sabendo que não tem nada com a vida do indivíduo. Aquilo te faz sentir um desconforto.
     Senti isso uma vez ao ver um camarada na praia de terno e gravata, a sensação de que aquela pessoa deveria estar em outro lugar, ou no mínimo com outra roupa. Por isso, imagino que outras pessoas devam sentir isso em algumas situações, mas gostaria que esse "acordo social" fosse mais abrangente, que ele, por exemplo, permitisse que minha namorada me desse um casaco vermelho sem medo que isso me matasse.
     Não poderei usar touca ninja para andar de bike, não entrarei na minha comunidade de casaco vermelho e nem usarei roupas de marca para ir a lugares que conheço pouco, por medo da polícia (mesmo sem nunca ter cometido um crime), por medo da facção rival (mesmo sem pertencer a nenhuma) e por medo dos assaltantes (mesmo que eu seja apenas um pobre lascado). Viverei com medo, medindo minhas atitudes em virtude daquilo que os outros podem ou não pensar de mim.
     Nessas horas, eu queria que meus problemas se resumissem a precisar decidir se vou no cinema de chinelo e meia ou de pijama e achar que ISSO é viver perigosamente. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

sexta-feira, 10 de junho de 2016

X-Woman

   Nos últimos dias, um outdoor do mais recente filme dos X-Men tem sido criticado por pessoas que alegam que ele traz uma mensagem de superioridade masculina e incentivo a violência contra a mulher.
    Na qualidade de admirador do trabalho da Marvel, no que diz respeito a seus quadrinhos, desenhos e filmes, gostaria de mostrar que obviamente essa, em momento algum, foi a intenção.
   Nasci nos anos noventa, tive acesso a diversas HQ's, como pode ser visto na imagem que é da minha coleção pessoal, e vi o Professor Xavier (um cadeirante) ser subjugado tantas vezes quanto a Vampira ou o Wolverine. Isso se chama protagonismo.
    Significa que aquele personagem terá importância naquele episódio em particular, o que valoriza um momento de tensão. Reclamar de protagonismo feminino é quase incoerente. Essa claramente é uma história fantasiosa baseada em princípios maniqueístas em que o mal parece mais forte, mas mesmo assim é desafiado.
    Não vi o filme ainda e não quero ser acusado de dar spoiler, mas conhecendo X-Men como eu conheço, sei que haverá algum tipo de reviravolta com uma superação de limitações e alcance de objetivo através do poder da amizade ou algo do tipo. Se for verdade, me digam depois, mas sem spoilers!
  Os quadrinhos desses mutantes são fantásticos, eu consigo enchergar neles as lutas de todas as minorias para se encaixarem na sociedade, não apenas por serem mutantes, mas por serem negros, judeus, cadeirantes, gays, etc. Se a intenção fosse sugerir que a  Mística é inferior a outro personagem por causa do sexo ela seria apenas excluída da luta, ficaria de lado enquanto os homens lutam. Mas dizer que um quadrinho que tem a Ororo, Jean Gray e Psylocke, mulheres que lutam de igual para igual com qualquer homem é machista, é como dizer que Senhora de José de Alencar é um livro machista.
    Encerrando minha defesa dessa indústria capitalista que já me deu bastante gasto, mas que está intrinsecamente ligada a minha forma de ver o mundo e respeitar as pessoas, vou dizer que tudo parece algo fora do contexto, mas que é preciso um olhar além. 
    Acredito que teria um impacto negativo bem maior um banner mostrando a Mística (mocinha) arrancando a coluna vertebral do corpo inerte do Apocalipse (vilão) com aquele sorriso no rosto que os fãs sabem que a VERDADEIRA mística daria nos quadrinhos. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

sábado, 4 de junho de 2016

Bom dia, boa tarde e boa noite.

  E sou um cara um tanto quanto introspectivo, tenho poucos amigos e muita dificuldade para fazer novos, principalmente em curtos espaços de tempo. Mas, um dos ensinamentos de minha mãe, Dona Lenira, eu trago comigo quase como um mandamento. Ela me dizia na infância:

"Você não precisa ser amigo de todo mundo, mas você precisa mostrar para as pessoas que você é de lá."

    Talvez isso não faça tanto sentido para você caso não tenha crescido em uma comunidade, mas, em alguns casos, ser identificado como pertencente a um lugar pode salvar a sua vida.
    Sempre fui um garoto caseiro, saia pela manhã para a escola, voltava a tarde e só saia de casa novamente se fosse para ir na igreja durante a noite. Muitas pessoas que moravam na mesma rua que eu nem sequer sabiam da minha existência.
    Nesse contexto o "Bom dia, boa tarde e boa noite" se tornaram muito mais que cumprimentos, eram um cartão de embarque. Sei que em outras partes do Brasil é diferente, as pessoas se cumprimentam por educação, mesmo sem nunca terem se visto.
    Mas, onde eu cresci, só se fala com quem se conhece, e ter um rosto familiar pode te livrar de problemas. Hoje, sendo um negro de 1,80m, sei que um "Boa noite" em uma rua escura também ajuda a baixar as guardas e dissipar a tensão no ar. Mesmo que não completamente.
    Muitos dos garotos que ainda jogavam bola na rua enquanto eu saia para a igreja continuam na mesma rua, mas agora com armas na mão e eu sei que sem aquele cumprimento de anos atrás eu seria um estranho para eles, consequentemente uma ameaça e possivelmente um alvo.
    Certas vezes me deparo com senhoras idosas que me sorriem e perguntam como vai minha família, não faço ideia de quem são a maior parte das vezes, mas tenho a tranquilidade para lhes sorrir e dizer que estão todos bem. Pois, sei que elas se lembraram de um cumprimento que lhes ofereci algum dia a anos atrás.
    Quando você deseja um bom dia a alguém está gravando uma impressão sua na mente da pessoa, mesmo que seja no subconsciente. Pode parecer bobo e até desnecessário dar bom dia a um desconhecido, mas de certa forma isso demarca um território.
    Afinal, você não fala com estranhos em lugares que você não conhece. Seu cumprimento te dá poder sobre o espaço, por mostrar que naquele lugar você se sente seguro.
    Sei que para mulheres a coisa é mais complicada, já que existem homens que não sabem a diferença entre educação e interesse, mas ainda assim, vale a pena um olhar nos olhos vez ou outra. Você pode não se lembrar, mas outros lembrarão de você.
     A política da boa vizinhança não nos impede de ser assaltados na esquina da nossa casa, não torna desnecessário o uso de cadeados ou trancas, mas nos dá a sensação de companhia quando tudo parece ameaçador, então não negue um sorriso a um vizinho nem deixe de lhe oferecer um cumprimento. Mas essa é apenas a Minga Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

terça-feira, 22 de março de 2016

Geração Desconstrução

     Rolha de poço, loira burra, macaco, macumbeiro, bicha, favelada, piranha. Se você nasceu durante, ou antes, dos anos 90 já escutou todas essas expressões. Talvez uma delas já tenha sido direcionada a você.

     Acontece que estamos vivendo em uma geração diferente. Gordofobia, Racismo, Machismo, Xenofobia, Preconceito Linguístico, Social, Cultural, são conceitos que não eram divulgados nessa época. Eu disse NÃO ERAM DIVULGADOS, não disse que não existiam, obviamente. Eu mesmo fui chamado de baleia por boa parte da infância. Sinceramente, sabia que existiam coisas piores das quais ser chamado e geralmente reclamar só fazia as coisas piorarem, então, eu aceitei quieto e segui minha vida. Não tenho condições técnicas de analisar as consequências disso em minha forma atual de ver o mundo ou a mim mesmo, mas provavelmente é diferente da forma de alguém que não sofreu qualquer agressão.

     Hoje, estamos na era da informação, onde cada espirro das “celebridades” é divulgado mundialmente, cada início e término de namoro ou saída de casa sem vestimentas tidas como “adequadas”. Se é assim para as coisas fúteis, precisa ser para coisas primordiais como direitos humanos e civilidade. Vejo muitas pessoas reclamando nas redes sociais e apelidando essa de Geração “MiMiMi”. Apontando seus “adeptos” como reclamões incansáveis que nunca estão satisfeitos com nada. Alegando que no tempo deles era diferente. E era, mas as coisas sempre mudam.

     Quando eu era mais novo, ser Nerd era motivo de vergonha, hoje é cult. Nós cantávamos “Au au au, vai descer quem mora mal” quando nossos amigos desciam do ônibus no passeio (mesmo que morassem apenas uma rua antes de nós), hoje estaríamos todos presos. Nós achávamos demais quando aparecia um pedacinho de seio na Sessão da Tarde, hoje você vê pornografia pra todo lado, querendo ou não. Naquele tempo levar dois reais para a escola fazia de você um Playboy, bem, ainda faz se você for universitário, mas essa quantia não compra mais o que já comprou.

     O ponto em que eu quero chegar aqui é: somos as mesmas pessoas, vivendo no mesmo mundo, mas agora com voz. Uma voz que deve estar resguardada por uma amplitude de conhecimentos, mas, basicamente voz é o que temos.

     Se a alguns anos você comprasse um produto e este apresentasse um defeito suas opções eram ir na loja ou procurar o PROCON. Hoje em dia você pode falar diretamente com o fabricante e, acredite, isso pode resolver os seus problemas, afinal, que marca quer ficar mal falada na grande rede? Nenhuma! A sua opinião é um poder que as marcas temem, principalmente se você souber como expressá-la. Que o digam os YouTubers que estão ganhando a vida simplesmente expressando opiniões em vídeos, atitude que parece ter entrado para a cultura mundial de forma definitiva.

     Ser discriminado por um professor, policial ou funcionário de loja pode resultar na demissão e até prisão do mesmo, isso apenas com o auxílio de uma simples câmera de celular. Essa é uma nova etapa no desenvolvimento humano. Obviamente  o nível ideal será aquele em que ninguém descriminar ninguém, mas até lá, nos contentamos em ver punidos os que levam a diante essa cultura de ódio e segregação.

      A internet é um espaço democrático onde a pessoa com acúmulo de tecido adiposo pode enaltecer a beleza de suas curvas; a negra pode se apoderar da cultura afro e conclamar seu protagonismo; assim como a feminista pode exigir um tratamento igualitário para si em relação aos homens que exercem a mesmo função que ela em seu emprego, mas inexplicavelmente recebem mais. Essas pessoas sabem que o fato de algo ter se tornado “normal” não a torna boa e estão lutando a sua maneira para que as coisas mudem. Lutando contra esses preconceitos com os quais vivemos a tanto tempo que passaram a ser confundidos com opinião.

      Entretanto, as postagens e textos gigantes nas redes sociais não podem ser tidos como meio único de divulgação. Eles devem se traduzir em atos concretos também no nosso cotidiano. Devem se transformar em conversas em filas de supermercado, pautas de reuniões de família e amigos. Pois só se pode combater aquilo que se conhece, só se pode decidir se algo é certo ou errado depois de debater amplamente esse assunto e desconstruir preconceitos naturalizados pela reincidência, mas essa é apenas a minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

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