terça-feira, 22 de março de 2016

Geração Desconstrução

     Rolha de poço, loira burra, macaco, macumbeiro, bicha, favelada, piranha. Se você nasceu durante, ou antes, dos anos 90 já escutou todas essas expressões. Talvez uma delas já tenha sido direcionada a você.

     Acontece que estamos vivendo em uma geração diferente. Gordofobia, Racismo, Machismo, Xenofobia, Preconceito Linguístico, Social, Cultural, são conceitos que não eram divulgados nessa época. Eu disse NÃO ERAM DIVULGADOS, não disse que não existiam, obviamente. Eu mesmo fui chamado de baleia por boa parte da infância. Sinceramente, sabia que existiam coisas piores das quais ser chamado e geralmente reclamar só fazia as coisas piorarem, então, eu aceitei quieto e segui minha vida. Não tenho condições técnicas de analisar as consequências disso em minha forma atual de ver o mundo ou a mim mesmo, mas provavelmente é diferente da forma de alguém que não sofreu qualquer agressão.

     Hoje, estamos na era da informação, onde cada espirro das “celebridades” é divulgado mundialmente, cada início e término de namoro ou saída de casa sem vestimentas tidas como “adequadas”. Se é assim para as coisas fúteis, precisa ser para coisas primordiais como direitos humanos e civilidade. Vejo muitas pessoas reclamando nas redes sociais e apelidando essa de Geração “MiMiMi”. Apontando seus “adeptos” como reclamões incansáveis que nunca estão satisfeitos com nada. Alegando que no tempo deles era diferente. E era, mas as coisas sempre mudam.

     Quando eu era mais novo, ser Nerd era motivo de vergonha, hoje é cult. Nós cantávamos “Au au au, vai descer quem mora mal” quando nossos amigos desciam do ônibus no passeio (mesmo que morassem apenas uma rua antes de nós), hoje estaríamos todos presos. Nós achávamos demais quando aparecia um pedacinho de seio na Sessão da Tarde, hoje você vê pornografia pra todo lado, querendo ou não. Naquele tempo levar dois reais para a escola fazia de você um Playboy, bem, ainda faz se você for universitário, mas essa quantia não compra mais o que já comprou.

     O ponto em que eu quero chegar aqui é: somos as mesmas pessoas, vivendo no mesmo mundo, mas agora com voz. Uma voz que deve estar resguardada por uma amplitude de conhecimentos, mas, basicamente voz é o que temos.

     Se a alguns anos você comprasse um produto e este apresentasse um defeito suas opções eram ir na loja ou procurar o PROCON. Hoje em dia você pode falar diretamente com o fabricante e, acredite, isso pode resolver os seus problemas, afinal, que marca quer ficar mal falada na grande rede? Nenhuma! A sua opinião é um poder que as marcas temem, principalmente se você souber como expressá-la. Que o digam os YouTubers que estão ganhando a vida simplesmente expressando opiniões em vídeos, atitude que parece ter entrado para a cultura mundial de forma definitiva.

     Ser discriminado por um professor, policial ou funcionário de loja pode resultar na demissão e até prisão do mesmo, isso apenas com o auxílio de uma simples câmera de celular. Essa é uma nova etapa no desenvolvimento humano. Obviamente  o nível ideal será aquele em que ninguém descriminar ninguém, mas até lá, nos contentamos em ver punidos os que levam a diante essa cultura de ódio e segregação.

      A internet é um espaço democrático onde a pessoa com acúmulo de tecido adiposo pode enaltecer a beleza de suas curvas; a negra pode se apoderar da cultura afro e conclamar seu protagonismo; assim como a feminista pode exigir um tratamento igualitário para si em relação aos homens que exercem a mesmo função que ela em seu emprego, mas inexplicavelmente recebem mais. Essas pessoas sabem que o fato de algo ter se tornado “normal” não a torna boa e estão lutando a sua maneira para que as coisas mudem. Lutando contra esses preconceitos com os quais vivemos a tanto tempo que passaram a ser confundidos com opinião.

      Entretanto, as postagens e textos gigantes nas redes sociais não podem ser tidos como meio único de divulgação. Eles devem se traduzir em atos concretos também no nosso cotidiano. Devem se transformar em conversas em filas de supermercado, pautas de reuniões de família e amigos. Pois só se pode combater aquilo que se conhece, só se pode decidir se algo é certo ou errado depois de debater amplamente esse assunto e desconstruir preconceitos naturalizados pela reincidência, mas essa é apenas a minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Falência Múltipla dos Órgãos

      Você  tem um pâncreas. Também tem um fígado e dois rins (com raras exceções). Parece meio bobo dizer isso, eu sei. Provavelmente você já sabia da existência desses órgãos e da importância deles para o funcionamento do seu corpo, mas já tinha pensado neles hoje?
   O que você fez hoje que beneficia o funcionamento desses órgãos? Lembrou deles durante suas últimas compras? Ou estava preocupado demais em comprar aquela margarina que faz bem para o coração, aquele iogurte que regula o intestino e aquele legume que faz bem para a pele?  Provavelmente eu não estarei mentindo se afirmar categoricamente que ao longo da sua vida você vai passar mais tempo cuidando do seu cabelo que dos seus rins.
      A não ser que: eles parem. Sim, porque é fácil esquecer que algo existe quando ele está funcionando. Você não lembra que seu coração bate ao longo do dia, a não ser quando ele faz isso com mais intensidade ou quando para de fazer. E GRAÇAS A DEUS não precisa ficar pensando no pulmão a todo tempo para respirar. Se fosse assim, todos nós estaríamos mortos. Se você consome bebidas alcoólicas, talvez pense no seu fígado vez ou outra, e provavelmente continuará pensando de forma esporádica, mas se não tomar uma atitude, seu pensamento será em vão.
    Daí um dia, descobrirá que tem um problema grave (isso não é uma praga, apenas uma suposição), um problema que começou há anos, fazendo seus rins trabalharem de forma mais lenta, gradativamente, até pararem de vez. Mas, você não percebeu, porque isso não estava afetando sua vida até então. Entretanto, agora afetará, e você terá que tomar medidas drásticas para remediar essa situação. 
     Agora, vamos pegar esse corpo humano e transformar em um estado, pegar esses órgãos vitais e transformar em órgãos públicos, trocar a desatenção com a saúde pelo sucateamento dos serviços e então esse corpo será o Rio de Janeiro, um estado com falência múltipla dos órgãos. Sem segurança, saúde ou educação. Mesmo que o "cérebro" não perceba. E, assim como no corpo humano, como o orgão mostra pro cérebro que algo não está bem? Como ele se faz notar? Parando! Eis aí o embasamento científico para a greve.
     Resumo de um dia no Rio de Janeiro: O professor que passou o dia de pé em salas de aula sem ar-condicionado, escrevendo com um piloto que comprou com recursos próprios sem poder nem sequer fazer uma pausa para beber água já que o abastecimento da escola foi cortado vai ao mercado, mas não consegue comprar o que precisa já que seu salário não foi pago, assim como o de vários servidores públicos. Na saída é assaltado por um desempregado desesperado e por não ter o que entregar acaba sendo esfaqueado, vai parar na UPA local, mas, após 3 horas de espera ele descobre que a unidade não dispõe nem sequer de gaze para um curativo. Bem, isso foi só uma simulação, mas fala a verdade, pareceu muito longe da realidade?
     E mesmo com um Estado em estado de calamidade, com uma criminalidade mais bem armada e organizada que a polícia, com hospitais que não tem equipamentos básicos para o atendimento, com escolas caindo aos pedaços e funcionários públicos com salários atrasados, ainda somos obrigados a olhar milhões e milhões sendo gastos em obras para atender estrangeiros que virão para as Olímpiadas. Obras que se mostrarão tão inúteis quanto as feitas para a Copa do Mundo de 2014, que desabrigaram famílias para sua construção, mas continuam sem uso até hoje.
      E é por isso que o povo precisa parar, sim, o povo precisa protestar, mostrar a cara e se fazer ouvir. Lembrar aos governantes que nós somos os patrões. Lembrar que nós somos as ingrenagens que movem esse relógio, mas que ao contrário do relógio, não trabalhamos de graça. Então, se uma greve se por entre você e seu objetivo, não diga que ela é composta por vagabundos ou coisa do tipo, se lembre que somos parte do mesmo corpo e se o dedão do pé sofre uma inflamação, o corpo inteiro fica com febre. Mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião.


"Pois o operário é digno do seu salário - Lucas 10, 7"

"Para todo esforço há fruto, muito palavrório só produz penúria. - Provérbios 14, 23."

Ass: Bruno Santos

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terça-feira, 1 de março de 2016

Precipitação

     A chuva consiste na precipitação da água em forma de gotas sobre a superfície terrestre. Esse fenômeno pode trazer várias consequências, como deslizamentos, transbordo de rios, inundações, desabamento de casas, acidentes de trânsito, além de congestionamentos gigantes.
    Outro efeito recorrente da chuva é a morte. A morte por raiva. Sim, pois que outro sentimento pode-se ter quando a chuva cai exatamente na hora em que você sai do trabalho? Ou quando ela causa um engarrafamento que te impede de chegar na faculdade? E se ela te pega desprevenido e molha aquele calçado no qual você tanto se amarra? Não nos esqueçamos também que ela pode causar depressão em algumas pessoas ao cair no fim de semana, no feriado, no dia em que estava marcada a reunião da turma ou aquela tão esperada praia.
    Bem(apesar dos pesares), eu particularmente considero a chuva um evento belo: a forma como as gotas dançam com o vento, o som delas tamborilando no telhado; as árvores se agitando; o clima; o cheiro da água misturada com a terra. Obviamente, estando dentro de casa, seco, com luz e internet essa experiência é bem mais confortável, mas nem tudo é perfeito. Gosto de raios também, mas isso é outra história.
    Se tem uma coisa que penso toda vez que minha cidade para em decorrência da chuva é: "Mas Senhor, não chove todo ano nessa época há milênios? Como é que não prepararam a cidade para isso? Como puderam ignorar esses eventos no planejamento da infraestrutura urbana? Por quê o povo precisa ficar ilhado toda vez que chove? Tem alguém que se diverte com isso?"
    Não que o povo não tenha sua parcela de culpa na situação, até porque os bueiros não entopem sozinhos. É preciso ter consciência sócio-ambiental e pensar melhor sobre onde vai jogar aquele papel de bala ou aquela garrafinha de água. Isso fará diferença. Mas, sua cobrança também fará. Nas próximas eleições para prefeitos e vereadores, encontre um candidato que REALMENTE more na sua cidade, que seja afetado por esses problemas e tenha vontade de resolvê-los.
    E por favor, não pragueje contra a chuva, ela é um evento climático, não um ser consciente. Ela vai desprender o solo encharcado, alimentar rios, regar plantas, derrubar árvores, encher os reservatórios e ajudar o homem a conseguir luz elétrica. Assim como o fogo que te aquece do frio, mas também pode te matar queimado. Precisamos apenas saber respeitar seu tempo e espaço. Deus criou um mundo em perfeito equilíbrio, nada é atoa, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Papel de Foto

      Desde o tempo das cavernas o homem buscava compartilhar, através de imagens, os eventos de seu cotidiano. Para isso, utilizava as pinturas rupestres: desenhos nas paredes das cavernas que representavam cenas de sua caçada, sua família, o lugar onde viviam e por aí vai.
   Com o advento da cartografia, da escrita descritiva e das artes, o homem buscou dar continuidade a esse processo de preservação da memória. Todo conhecimento deveria ser documentado e compartilhado, ou quase todo. 
     Hoje, vivemos a era da informação. Parece ser possível descobrir qualquer coisa com a palavra-chave certa. Já não se é possível atravessar uma rua de um centro urbano com a ilusão de ter sido ignorado pelas câmeras.
    Nesse contexto, parece que tudo que existe já foi filmado ou fotografado. Células, micróbios, animais, vegetais, obras arquitetônicas, peças de arte, cidades, continentes, planetas, galáxias, estrelas. O que falta? Provavelmente não saberemos até encontrarmos. 
     A questão é que, ao contrário da época de seu lançamento, há 176 anos, hoje a fotografia é de fácil acesso através dos celulares, que quase todos possuem.
    O álbum fotográfico que era um tesouro familiar, uma herança a ser passada para as próximas gerações, se converteu em uma pilha de CD's, pen drives e senhas de Redes Sociais onde se encontram os álbuns virtuais. Sendo este último o local onde pessoas expõem sua intimidade em fotos que mostram cada movimento realizado ao longo do dia.
    Existe quem comece com a foto de uma refeição, fotografe cada espaço de um passeio no qual foi possível tirar uma selfie e termine no banheiro, fazendo sabe-se lá o que, para vender uma ideia ao seu “público”.
     Nas redes sociais, todos são marqueteiros de sí mesmos, tentando se promover como produtos. Alguns têm arriscado suas vidas tirando fotos em lugares perigosos em busca da "Selfie Perfeita", outros têm oferecido a sequestradores um roteiro detalhado de seus passos.
    Tirar fotos pode ser um hobby, pode ser uma distração, pode até ser uma profissão, mas não pode ser o único motivo do seu sorriso. 
     As pessoas são como icebergs: aquilo que é visto não passa de uma parcela do que elas são realmente. Viver para  manter aparências rouba sua essência, o que pode acarretar uma depressão profunda. Dividir nossas vitórias, momentos divertidos, opiniões, lembranças pode ser saudável, mas se for feito na medida certa.
   Tire fotos com as pessoas que você ama, não para enfeitar seu feed, mas para enfeitar sua casa. Sorria, não para parecer feliz nas fotos, mas para extravasar esse sentimento que não deve ser contido. 
     Saia, viaje, se divirta tanto, mais tanto, a ponto de nem sequer lembrar que existe algo parecido com uma câmera fotográfica, muito menos internet. 
     Assim, você saberá que seu dia valeu a pena. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião.


Ass: Bruno Santos

Eclesiastes 1,14. "Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa."

Fontes:

Texto do parceiro Alex Olyveira


História da fotografia.      


Fotos históricas inusitadas.


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Não é Problema Meu

     Todos os dias nos deparamos com situações que exigem uma intervenção, mas, por muitas vezes, acreditamos que essa interferência não seja nosso encargo e sim de outro:

     -A luz daquela sala que ninguém está usando está acesa. Mas não fui eu quem ascendi.

     -Essa mesa está suja. Eu odeio trabalhar na sujeira, mas esse trabalho não é meu.

     -Aquela senhora não vai conseguir atravessar a rua sozinha, alguém deveria ajudá-la.

     -Aquela criança está com cara de perdida, tomara que alguém ajude.

     -Aquele cara vai matar a esposa de tanta pancada, mas em briga de marido e mulher não se mete a colher.

     -O pai daquele meu amigo está no boteco de novo. Coitadinho dele, vai ter que vir buscar o pai bebúm no meio da madrugada.

     -Aquele garoto que era da igreja está andando com uns garotos do tráfico no colégio, tomara que alguém converse com ele.

     Todos nós somos responsáveis, não apenas por nossos atos, mas também por nossas omissões. Existe uma frase popular na internet que diz "Existem dois tipos de pessoas más, as que fazem maldades e as que não agem para evitá-las".
     Quando Caim foi questionado por Deus sobre o paradeiro de seu irmão ele respondeu "Serei eu o seu guarda?", como quem pergunta, "Eu sou o babá dele?". Acontece que Caim já havia matado seu irmão e sabia muito bem onde ele estava.
     E você, por que se priva de zelar pelo seu irmão? Você já o matou em seu coração? Você sabe o que ele tem feito? O que te impede de lhe estender a mão? Será a inveja como no caso de Caim? Ou será vergonha por cometer erros tão graves ou até maiores que os dele? Será que você realmente está tão acomodado ou se acha tão melhor que ele que acredita que ele não mereça uma chance?
     Diversas situações cotidianas nos levam a realização de testes, de paciência, persistência, humildade, de fé. Testes que nos fortalecem ou nos destroem, de acordo com nosso preparo. Nós, obviamente, não estamos prontos para todos os desafio, mas podemos encontrar as respostas se buscarmos no lugar certo.

Gálatas, 6, 1-3
"Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo."

     Que possamos saber estender nossos braços aos nossos irmãos e mostrar a caridade cristã que nos foi ensinada.Que saibamos tomar uma atitude e sair da nossa área de conforto para ir até a necessidade dos outros.

Ass: Bruno Santos

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domingo, 3 de janeiro de 2016

Corrida de Obstáculos

     Essa semana estava com minha namorada na fila de um desses quiosques de redes de fastfood que vendem sorvetes. Em nossa frente, estava uma idosa com seu neto que queria um sunday. Ao que me parece a senhora queria satisfazer a vontade do neto, mas não sabia como se chamava ou quanto custava o que ele queria.
     Bem, como o nome diz, fastfood vende "comida rápida", então, os funcionários são treinados para atender com presteza e eficiência. Já no que se refere à simpatia, o comportamento desses jovens me deixou na dúvida sobre a política da rede. Ver três jovens fazendo caretas, revirando os olhos e apressando uma idosa não são imagens que ajudem a abrir meu apetite.
     Nesta mesma semana, ao ir, desta vez com uma jovem cadeirante, até uma filial dessa rede no Centro do Rio e perceber que só haviam mesas no segundo andar, onde só era possível chegar após subir dois lances de escada, notei que havia algo de errado.
     Se já não bastassem as ruas esburacadas, cheias de ondulações e paralelepípedos, a ausência de rampas, ou inadequação das existentes, a falta de espaços e mobiliários adaptados, ainda é preciso que essas pessoas, tanto idosas quanto deficientes, convivam com a incompreensão e o preconceito. Todos nós temos uma velhice nos aguardando no futuro, alguns podem ter cadeiras de rodas ou muletas antes disso, sejam temporárias ou permanentes. O fato é que precisamos aprender a olhar para essas pessoas com o respeito que elas merecem.
     Um idoso tem sua velocidade, raciocínio e resistência comprometidos, isso não é uma novidade! Se alguém não possui capacidade para enchergar isso precisa de mediação. Entretanto, assim como as pessoas com deficiência, os idosos precisam ter preservado seu direito de ir e vir. Parece que todas as dificuldades que essas pessoas já tem não são suficientes e por isso as ruas precisam parecer um circuito com obstáculos. Eu me arriscaria a dizer que eles são indesejáveis e por isso deixam as ruas assim para desencorajá-los a sair.
     Estamos prestes a receber as paraolimpíadas em nosso Estado que já tem a educação, saúde e segurança sucateados, ainda por cima teremos que baixar a cabeça e ouvir calados as reclamações dos atletas paraolimpicos que não vão conseguir sequer dar uma volta no quarteirão sem sofrer um acidente. Cadê os milhões investidos no "padrão FIFA"? Aquele dinheiro todo foi só pra construir estádio mesmo?
     Estamos entrando em um novo ano, é um tempo adequado para se tomar uma nova atitude. Que possamos nos preocupar menos com a implantação da ideologia de gênero nas escolas e mais com inclusão de cadeirantes, surdos e mudos. Que possamos compreender que um idoso não é alguém sem utilidade social, mas sim um poço de sabedoria que deve ser admirado e respeitado, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos.

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Superstição X Tradição

    Segundo o Minidicionário Larousse¹ a palavra "Tradição" significa: s.f. (do lat. traditio). 1. Ato ou efeito de transmitir, entregar. 2. Transmissão, sobretudo oral, de lendas, fatos etc., de geração a geração: tradição brasileira. 4. Transmissão oral ou escrita de valores espirituais; o conjunto desses valores.
     Ou seja, tradições são aquelas coisas que sua família ou comunidade sempre fez e por nostalgia ou por não conseguir pensar em nada melhor você acaba repetindo. Isso não é uma coisa ruim, na verdade isso cria identidade e ajuda a ligar gerações.
     Entretanto, precisamos saber diferenciar Tradição de Superstição e se existe um bom momento para enchergar essa diferença é o fim de ano. A receita de rabanada da sua tataravó que continua sendo feita e apreciada pela família é uma tradição, pois ela, por sí só, tem um significado que conecta a família.
     Por outro lado, aquela sopa de lentilhas que te oferecem dizendo que vai te ajudar a ganhar dinheiro é uma superstição. Você pode comer 500 quilos de lentilha, mas se você não trabalhar vai continuar pobre e ainda pode ter sérios problemas de saúde por causa do excesso. Neste caso o prato nem possui tanta importância, funciona apenas como um “amuleto” que pode ser facilmente substituído.
    No dia 31/12 eu estarei vestido de branco. Seria porque eu acho que isso vai fazer os policiais pararem de matar pobres, o ISIS parar de matar cristãos ou os "Iluminatis" pararem de tramar conspirações globais? Não! Eu estarei vestido de branco por tradição e ao longo do ano tentarei fazer o que estiver ao meu alcance para que a vida seja melhor.
    As tradições de hoje podem se tornar superstições amanhã, mas, a nossa responsabilidade sobre o rumo de nossas vidas não pode se tornar uma crendice cega em pulos sobre ondas ou cores de roupas de baixo. Se queremos um ano de paz devemos trabalhar por um. Se queremos prosperidade devemos investir em nossos dons e sonhos (se seu sonho não for ganhar na mega da virada).
     O ano de 2016 pode ser melhor, mas, ele não terá só partes boas, porque nem sequer um dia de nossas vidas tem só partes boas, imagina 365!? Seja como for, precisamos ser melhores, pois o ano é apenas uma sequência de dias que os humanos contam, por profissão ou por vício, mas a sua vida é feita de pequenos momentos. E essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Fonte: ¹Minidicionário Larousse de Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Lafonte, 2009. Pág. 811.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Um CURSO à Sua Vida.

     Então, chegamos nessa época do ano cheios de expectativas. E não estou falando isso por conta das estréias no cinema ou pelo processo de impeachment da presidenta Dilma, a “descobridora” da Mulher Sapiens.
    Essa expectativa vem dos estudantes que consideram essa a melhor parte do ano, que é quando eles não precisam mais estudar, porque o ENEM já passou, e ainda não precisam estar estudando as disciplinas específicas de suas respectivas faculdades, já que ainda não foram aprovados em nenhuma. Esse é o tempo de rever os amigos que acharam que você tinha sido abduzido. De colocar o bronzeado em dia ou por as séries e desenhos em dia, ai varia de caso para caso. Tempo de tirar o pó daquele livro que você comprou sabendo que não iria começar tão cedo por ter pilhas de apostilas, propostas de redações e provas antigas para ler.
    Mas, além disso tudo, esse é o tempo para pensar: O que diabos eu vou fazer depois que passar pra faculdade? Sim amigos, se você achou sacrificante seu esforço para conseguir uma vaga, se prepare para a luta diária que será mantê-la. Entretanto, esse texto não é sobre as dificuldades da vida de um universitário, esse texto é sobre escolhas que poderão mudar o ruma da sua vida. Para melhor ou pior: te fazer ser rico e bem sucedido (tendo em mente que estas duas são coisas diferentes e não necessariamente fazem parte do mesmo pacote) ou te causar frustração e arrependimento (o que não significa que você não irá ganhar dinheiro ou ser bem sucedido).
    Quando você pensa no curso que pretende fazer, você leva em conta quais serão seus ganhos monetários ou o quão realizado pessoalmente você se sentirá por exercer essa profissão? Percebo que as pessoas passam mais tempo tentando ficar ricas que tentando ser felizes, quando na verdade existem centenas de ricos por ai que não são felizes e enfrentam relacionamentos vazios e amizades condicionadas ao status. Percebo pessoas adiando seus sonhos e desejos, sempre se colocando em segundo plano ao invés de serem protagonistas de suas histórias.
    Se deixam levar pelo que dizem as pesquisas sobre as profissões em alta no mercado sem se darem conta que são as pessoas que criam o mercado e que elas são altamente imprevisíveis. Quem poderia imaginar que uma "paleta mexicana" pudesse ser um negócio tão bom? E as "Açaiterias" que brotam por todo canto? Quem diria que uma ideia tão simples pudesse dar tanto retorno? E quem um dia imaginou que gravar e postar vídeos no YouTube poderia ser uma profissão? Uma ideia boa, empenho e dedicação fazem pessoas que só cursaram o primário arrecadarem fortunas que apenas serão administradas por pessoas que estavam na faculdade sonhando com a própria riqueza.
    Não que isso seja uma regra. Mas, nos faz pensar: será que não vale mais a pena correr atrás de um(a) sonho/ideia do que passar anos cursando uma faculdade que "dá dinheiro" para no fim das contas ter um emprego no qual vai ter um chefe te dizendo o que fazer? Levando em conta que não necessariamente este chefe será alguém mais instruído que você, podendo ser simplesmente alguém que está lá a mais tempo e por isso ganhou a confiança da empresa/orgão/ organização/instituição.

"Escolha um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida." Confúcio

    Enfim, o que eu quis te mostrar nesse pequeno texto é que você deve escolher seu curso, não pelo quanto você quer ganhar, mas sim pelo quão feliz você deseja ser. Se você se sente feliz fazendo poesia e é bom nisso, investir nessa carreira pode te trazer retorno financeiro. Se você é um bom contador de piadas pode fazer isso profissionalmente e ganhar bem por isso. Se você odeia ver sangue, usar gravata ou fazer contas não deve ser médico, advogado ou engenheiro só para satisfazer seus pais, eles já tem as próprias frustrações. Sonhe alto, acredite em você e lembre que toda essa baboseira aqui encima é apenas a Minha Humilde Opinião. Se você não voltar mais por aqui Feliz Natal, Próspero Ano Novo e que a Força esteja com você!

Ass: Bruno Santos

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sábado, 19 de dezembro de 2015

Aniversário


     Desde a minha infância eu já achava essa história de aniversário bem estranha, na verdade eu não entendia se eu merecia um presente simplesmente pelo fato de ter nascido ou se as pessoas me davam presentes como recompensas por eu ter conseguido sobreviver por mais um ano nesse mundo doido. O ato de ficar mais velho começa na concepção e só sessa após a morte, estar vivo já deveria ser o suficiente. Por quê se preocupar com a quanto tempo?
     As vezes acho que o excesso de preocupação com a idade faz com que as pessoas percam bons momentos na vida. Sempre dizendo que são velhas demais ou novas demais para fazer algo, como se a vida fosse um parque e você tivesse um passe com um prazo pra passar nos brinquedos e depois de uma certa hora seu passe perdesse a validade, mas você não tivesse dinheiro para comprar os ingressos normais e continuar nos brinquedos, então suas únicas opções seriam ficar no parque só para observar os outros brincarem ou ir embora de uma vez. Eu já ví idosos serem olhados com estranheza por outras pessoas ditas "jovens" por quererem realizar um sonho, como voltar aos estudos, se exercitar, mudar de profissão ou se casar. 
     Os seres humanos não são produtos com prazo de validade, "enquanto à vida, à esperança", enquanto houver movimento, haverá calor. Como diria Roberto Bolanios(vulgo Chaves), "Existem jovens de oitenta e tantos anos e também velhos de apenas vinte e três, porque a idade não significa nada e a juventude volta sempre outra vez". Até o quarto século, o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício, pois o consideravam como um costume pagão. Se formos parar para pensar, o aniversário mais famoso do mundo, que é celebrado em diversos países, das formas mais diversas, nada mais é que uma data escolhida para se celebrar algo que só Deus sabe quando aconteceu. 
     O dia 25 de Dezembro era o dia em que os pagãos celebravam o dia do deus sol, o dia mais longo do ano, onde se tinham festas e oferendas afim de conseguir uma boa colheita no ano seguinte. A igreja não podia deixar o povo sob as influências do paganismo depois de ter encontrado Jesus, mas o povo não queria abrir mão de uma festança. E quem abriria? A solução? Pegamos a festa do rei sol e transformamos na festa do Rei dos Reis, Jesus Cristo. O povo sabia que era uma data inventada, mas ganhou uma festa, quem reclamaria? O tempo passou, as tradições se incorporaram a cultura cristã e hoje em dia temor símbolos pagãos como árvores enfeitadas e guirlandas até mesmo dentro das igrejas.
     Se formos analisar cuidadosamente, veremos que nenhum personagem bíblico festeja uma data como sendo a de seu nascimento, a não ser os faraós ou imperadores, isso se explica no excesso de adulações ao aniversariante, o que era tido como um exemplo de idolatria, que mesmo que fosse por um único dia, tiraria Deus do centro das atenções. Hoje em dia já temos a internet para esse fim, então, acho que uma festinha não faz mal. Mas você sabe a origem das tradições que cercam essa comemoração?
     "As festas de aniversários natalícios começaram anos atrás na Europa. As pessoas criam em espíritos bons e maus, às vezes chamados de fadas boas e más. Todos temiam que esses espíritos prejudicassem o aniversariante, de modo que ele ficava cercado de amigos e parentes, cujos votos de felicidade, e sua própria presença, o protegeriam contra os perigos desconhecidos que o aniversário natalício apresentava. Dar presentes resultava em proteção ainda maior. Uma refeição em conjunto fornecia uma proteção adicional e ajudava a trazer as bênçãos dos espíritos bons. Portanto, a festa de aniversário natalício destinava-se originalmente a proteger a pessoa do mal e garantir que tivesse um bom ano". (Trecho do livro: A Origem das Coisas)
     Ganhar presentes devido um evento que ocorre com periodicidade anual pode não proteger do mal, propriamente dito, mas ajuda todo mundo a se sentir mais querido. O mais importante entretanto, não são os presentes, não é a idade, mas sim a felicidade de se dar conta que se esta vivo, cercado de pessoas que te querem bem e com quem você pode contar, tenham elas dinheiro para te dar um presente ou não, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.
Ass: Bruno Santos
Postado em: 08/08/2014
Fonte: http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Anivers%C3%A1rio

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sábado, 28 de novembro de 2015

Pátria Educadora Não Fecha Biblioteca.

     Nosso país vive uma crise, não apenas financeira, mas também política, ideológica, moral e educacional. Nessas situações é comum que atitudes impopulares sejam tomadas, atitudes que naquele momento não fazem sentido, mas que, apenas alguns anos depois, através dos livros de História, saberemos se foram as mais acertadas ou as piores possíveis. Entretanto, a meu ver, o caso sobre o qual esse texto trata, desde já é um erro inquestionável.
     Uma dona de casa que nota o aumento no preço dos alimentos pode buscar alternativas, tentar optar por ingredientes mais acessíveis, diversificar, mas não deixará sua família com fome por economia. Se um pai consciente percebe que o preço dos materiais escolares aumentou pode pesquisar mais, ir a outras lojas, tentar barganhar, talvez abrir mão das marcas famosas, mas não tirará seus filhos da escola.   Essas são conclusões óbvias, afinal, existem necessidades básicas que precisam ser atendidas. Isso é uma questão de prioridades, mas na contramão desse raciocínio lógico o Governo do Estado do Rio de Janeiro tentou fechar uma rede de bibliotecas (o conjunto de Bibliotecas Parque do qual fazem parte a Biblioteca de Manguinhos a C4, a Biblioteca Parque da Rocinha e a Biblioteca Pública de Niterói) e demitir seus funcionários como parte de sua política de corte de custos. Que tipo de Pátria Educadora é essa?
     Esse texto procura vir em defesa mais específica à Biblioteca Pública de Niterói, já que esta, esse ano, foi um destino mais que procurado por mim. Ela é uma das mais importantes bibliotecas do estado, foi inaugurada no começo do século XX e desde então ela vem servindo a população com seu acervo que atualmente conta com cerca de 60 mil itens, incluindo livros, jornais, revistas, enciclopédias, biografias, DVDs, músicas digitalizadas, equipamentos em Braile, filmes e uma parte que muito me interessa que são os quadrinhos e mangás. A biblioteca também conta com computadores para acesso de usurários cadastrados e com uma rede de Wi-fi que pôs alguns dos meus textos on-line. É um ambiente agradável e aconchegante que abriga uma equipe de funcionários competentes e altamente solícitos.
     A BPN foi reinaugurada em julho de 2011 após cuidadosa e demorada obra, que fez com que esse espaço não fizesse parte da minha adolescência no Liceu Nilo Peçanha, colégio onde cursei o ensino médio e que me concedia uma visão privilegiada de um prédio que não me atendia em nada e que para mim parecia só mais um casarão abandonado, uma rugosidade urbana. Por isso, para suprir minhas necessidades literárias, precisava caminhar até a biblioteca do SESC Niterói. Um lugar que possui um acervo bem menor, mas nem por isso deixa de ser uma fonte de conhecimento. Todavia, gostaria de ter tido naqueles tempos esse espaço com exibições individuais de filmes, saraus de poesia, shows de música e leituras dramatizadas do qual os jovens dispõe agora. Mas, não adianta chorar pelo passado, temos é que zelar pelo futuro!
     Entretanto, não um futuro tão distante como pode se pensar quando se fala em futuro. Ví com alívio a notícia que dizia que a prefeitura de Niterói repassará recursos complementares até dezembro de 2016 para manter  a instituição funcionando, o que mantém seus usuários e funcionários tranquilos por cerca de um ano. Mas, uma dúvida fez com que uma dorzinha discreta, um tipo de pressão, se instalasse entre os meus olhos. E depois de 2016? E aliás, por quê estabelecer uma data para o fim desse "auxílio" a BPN? Bem meus queridos, a resposta que me ocorreu é uma velha conhecida nossa: ANO QUE VEM TEM ELEIÇÃO!
     Este é o mesmo motivo que fez com que ruas fossem milagrosamente asfaltadas as pressas e a polícia começasse a querer mostrar serviço em outros anos, mas nesse, foi o motivo pelo qual tem brotado praças por Niterói, o motivo pelo qual o Horto foi inaugurado, mesmo antes de estar realmente pronto e o que levará o Getulinho (ou Hospital Getulio Vargas Filho) a ter suas obras concluídas com máxima urgência. Como se não fosse urgente desde o princípio. Essa importante emergência pediátrica que atendia não apenas toda a população de Niterói, mas também grande parte de São Gonçalo está fechada a mais de três anos. Devido as obras, atualmente presta atendimentos emergenciais em um hospital de campanha montado na garagem.
     Como eleitores, devemos nos pronunciar sobre essas situações, mas não precisamos esperar as urnas para isso. Afinal, os políticos serão sempre os mesmos se o povo não mudar. Vamos usar nossos recursos, encher a caixa de e-mail do Rodrigo Neves, vamos nos manifestar nas redes sociais em defesa da BPN e lembrar que o dinheiro que a mantém aberta é a dos NOSSOS impostos e que nós queremos ter participação na escolha de seu destino. Mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião. Aproveito ainda para dizer que hoje, dia 28/11/2015, estive na biblioteca e ela se encontrava fechada.

Ass: Bruno Santos
Agradecimentos especiais pela colaboração de: Caroline Macedo.

Fontes:

http://googleweblight.com/?lite_url=http://www.cultura.rj.gov.br/espaco/biblioteca-publica-de-niteroi

http://googleweblight.com/?lite_url=http://www.ebc.com.br/cultura/2015/11/prefeituras-do-rio-e-de-niteroi-vao-assumir-custos-para-manter-bibliotecas

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